segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Um sonho, um sentimento, uma expressão...


De repente eu estava na água, na água do mar, próximo a margem, senti o sal e um chacoalhar de ondas calmas, quase como numa lagoa com um vento forte, era noite e focos de luz me rodeavam, mergulhei meu rosto vi pequenos peixes e uma areia branca sob o facho de luz que vinha do alto, olhei ao redor e vários pontos estavam iluminados,  de uma fonte que não sei explicar, apenas estavam.
 A água fora destes focos era turva, escura, mas não por estar suja ou enlameada e sim por falta de luz, era a escuridão da noite, a ausência da claridade. Não senti medo, a temperatura estava tão agradável, fiquei mergulhando, vendo os peixes, indo de um canto a outro, percorrendo os focos de luz que não entendia. Estranhamente eu estava sentado na água, como se houvesse algo sob mim, mas nada havia, parei um tempo e olhei ao redor, tentando perceber o ambiente, quando meus olhos se acostumaram vi tudo numa penumbra marrom, bem escuro, como se tudo estivesse em sépia. Atrás de mim um pouco a direita estava a praia, cercada por uma serra, a minha frente duas montanhas no meio do mar, lembrou-me Fernando de Noronha o morro dois irmãos.
Eu estava completamente só, não havia som, apenas eu, aquela temperatura gostosa uma Bahia que se abria para dois morros no meio do mar e feixes de luz, próximos a praia, de repente eu nado até uma lateral de praia, não há cansaço, apenas um sentimento de conforte e calmaria, encontro dois amigos que são irmãos, nós sorrimos, trocamos algumas palavras que não lembro ao certo e eu acordo.
Passei todo o dia lembrando o sonho, como se fosse necessário encontrar algum sentido para a nitidez, para tantos detalhes, gostaria que houvesse um por quê.
Para, além disso, hoje relembrei uma sensação que não gosto, que há algum tempo não sentia: um misto de ansiedade com incerteza, que sempre me remete a uma tristeza que se segura ao medo do não saber, do não prever, da dúvida.
Estamos sós
Em águas mornas
Acalentados pelos braços de Deus
Que nem sempre sentimos
Ou que nunca sentimos
Todos os nossos medos cessarão

Renasceremos mais uma vez
Como num tratamento circunstancial
E tudo será novo de novo

Um novo começo
Mesmo sem lembrar
Tentaremos não falhar
Em amar
Em doar
Em viver.

Ricardo Pereira.
Recife, 26 de setembro de 2011, 20:26

http://www.youtube.com/watch?v=br2s0xJyFEM&feature=player_embedded

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Despedida de Solteiro


Gostar de alguém, se comprometer em estar com, se disponibilizar nesse processo de partilhar e pensar a dois, cheio de complexidades e impressões, numa negociação constante com base no que se vê da convivência possível, decisões são tomadas, caminhos são abertos e a vida, definitivamente transformada.
O quanto você está disposto a ceder?
Sim, ceder, pois sem um equilíbrio a relação não sobrevive. Balancear é quase que uma situação constante, que de tão rotineira torna-se imperceptível, até que se faça pesada por demais.
                Para tanto tem que valer a pena, tem que saber o que se quer e para onde se quer ir, do contrário, ficamos impelidos as regras do destino. Mas como saber o que se quer e qual a direção certa, ou se ao menos estamos pegando o transporte correto em direção a tudo isso.
                Não faço a mínima idéia!
                Experimentar, arriscar, viver. Sim, tudo isso nos dá substância para escolhas, decisões, que podem ou não culminar em algo lindo e mágico, por mais que momentâneo ou simplesmente o contrário de tudo.
Tudo que temos são nossas aspirações baseadas no que vemos e cremos e no que queremos, nada além, apenas aspirações que se confirmarão como acertos ou erros.
O que fazer com tudo isso?
                Viver! Penso ser o mais coerente, seguir, e tentar, mesmo que seja acreditar no eterno enquanto dure ou na metade da laranja.
Damo-nos poucas opções, somos de uma cultura que por mais que lutemos, insistimos numa forma a dois, mesmo andando para o egocentrismo, para o egoísmo. Somos um, mas queremos dois, sonhamos dois, mesmo que assuste, por não saber como nem porque, insistimos, persistimos, e conseguimos. Por que não? Conseguimos, mesmo que não se saibamos o que.
                Viver o hoje, olhar pro amanhã, alinhar os dois é o que se quer, é o que se espera, haverá um tempo, que para uns chegará mais cedo, para outros mais tarde, com tudo, percebo que esse tempo chegará. Um tempo onde se quer ter alguém, alguém para ser dois.
                Com meus olhos jovens é isso que enxergo, percebo, mesmo que na minha percepção distingua a real contradição de tudo isso, como se o tempo fosse algo preponderante para que tudo dê certo.
                Haverá uma hora certa para esse encontro?

 Ricardo Pereira,
Recife, 01 de setembro de 2011, 22:04