terça-feira, 26 de abril de 2011

Constatações de uma vida nova.


                Seria tão fácil, precisaria apenas de uma palavra, um monossílabo, não seria feio, não seria ruim, dependendo do monossílabo escolhido, poderia não ser confortável, mas seria real, seria possível, tangível, palpável.
                Um pedido vindo de uma necessidade, de uma falta de saída, de um mau tempo, nestas horas penso que seja natural pensar em possíveis ajudas, nos que temos próximo e que amamos, e foi assim que aconteceu,  pensei em você como uma possibilidade, mas nesse pensar não existia só um expectativa de um resposta positiva, havia também uma real probabilidade de uma negativa, que não faria mau, mas seria real.
                Minha única esperança era que houvesse uma resposta expressa, falada, dita, fugir não é resposta, como a mesma palavra diz, mas infelizmente ou felizmente foi tudo que tive. Assim, desfez-se o mito, quebrou-se o encanto, toquei o chão com meus pés e a textura não foi agradável, apenas real.
                Mas graças a Deus existem surpresas, e a minha, nesse momento de vácuo, veio em forma de uma mãe com cara de sol e de seu filho vestido de felicidade, do nada, sem nada por trás, abriram suas vidas para mim, de uma forma tão generosa que jamais poderei esquecer.   
Foi, é e sempre será lindo.
A vida ensina suas lições nas formas mais inesperadas, basta que estejamos aptos a perceber a gama de ângulos que nos mostra.

Criado segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011, 22:40:01
Alterado, 19 de Abril de 2011, 22:53:00

Reencontro


Houve uma mudança de planos
Uma breve lacuna
De tempo e espaço
Um silêncio, uma espera

Houve um reencontro,
Leve bater de porta
Ao pé do ouvido o telefone
Sorriso largo
Abraço tímido
Abraço farto

Houve conversa
Histórias, novidades
Contos e causos
Comida e risos

Houve carinho
Toques e afagos
E um olhar, simples e recíproco
Repleto de um sentir inteiro
Como se tudo fosse certo
Sem dúvidas nem receios

Houve entrega
Confiança e esperança
Apenas por sentir
Por querer
E arriscar

Houve
Haverá
....

Ricardo Pereira,
Recife, 26 de abril de 2011, 22:33.

O novo


O novo, foi exatamente o que eu pedi durante praticamente todo o meu ano de 2010, escrevi, falei, clamei: quero tudo novo de novo! Então, parece que Deus ouviu minhas preces, que o universo conspirou ao meu favor ou que o segredo segundo quem quer que seja se realizou.
Este ano tem sido uma caixinha de novidades explodindo a cada instante, em todos os seguimentos da minha vida, seja profissional, familiar, amoroso, tudo tem uma novidade, tudo tem uma cara nova, mas a grande questão é que sonhar o novo não implica em saber as possíveis incertezas e adaptações necessárias, não concerne em pensar em todas as reações e ações de mudança que existirão.
Quanto o desejo, pensa-se tudo de uma forma muito instintiva, diria até, meio sem lógica, como se pensar com prós e contras fosse uma sabotagem do sonho, só que um dia o sonho se realiza, geralmente de uma forma inesperada e é ai que tudo ganha um novo prisma, tudo ganha realidade, cor, forma, cheiro, sabor e um turbilhão de sentimentos que não foram se quer imaginados.
Tudo novo de novo, é um grande aprender só que com um pouco mais de experiência, fato que não garante muita coisa, mas até que ajuda um pouco, nascem inseguranças, bate uma certa impaciência e às vezes até uma possível vontade de desistir, o novo não fácil e nem sempre leve, o novo pode ser bom, ruim, uma mistura de várias vertentes e por isso assusta e por assustar instiga.
Nesse turbilhão em que me encontro, observo tudo com olhos famintos e ao mesmo tempo com um medo assustador que me faz ter cuidado, mas não me diz como tê-lo, logo, tenho seguido meus instintos, coisa que nunca fui muito adepto, poderia até dizer como na música do Renato Russo que estou “...atrás da mesa com o cu na mão....”
                Então tenhamos cuidado com o que desejamos pois acontece, e quando acontece vem um pacote com tudo que lembramos de especificar e com o que esquecemos de enfatizar, mas do contrário seria tudo tão chato, já imaginou se as coisas acontecessem exatamente como pensássemos, seria praticamente como reprisar a vida.
                Odeio reprises, adoro segurança e contraditoriamente gosto de uma novidade vez por outra, sou humano como diria o filosofo demasiadamente humano.
                Eu só quero acertar, pois as vezes penso que meu tempo pode estar acabando.

Ricardo Pereira,
Recife, 26 de abril de 2011, 21:53.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A topada de Alice.


                Havia um sol,  brilhante e quente, mas não quente de mais simplesmente aconchegante, verde por todos os lados, flores, sob o céu de um azul sem fim entre mesclas de nuvens de algodão, soprava uma brisa doce que não se distinguia a direção. Sonho, isso, um sonho! No meio de tanta beleza ousava caminhar numa perspectiva de perfeição, ou melhor, de uma maior perfeição, um encontro com algo maior, algo que sublinhasse mesmo que não fosse necessário.
                No caminho coisas aconteciam inesperadamente, como num passe de mágica, necessidades nasciam a partir do que surgia, mesmo que não se quisesse, mesmo sabendo que não se deveria querer, nem esperar, nem imaginar. Impossível, melhor dizer inevitável, as expectativas jorravam sem controle, numa miscelânea delirada completamente mouca a razão, esta que por sua vez não desistia de tentar dar seus pitacos e alertar para possíveis riscos.      
                Mas quem ousaria duvidar do que se vê, do que se toca, quem, me digam, quem? Pois é, no meio de caminho, a estrada mudou repentinamente, como uma topada inesperada, que derrubou alguém, sim, uma topada, não uma queda num buraco, apenas o choque inesperado do pé numa pedra presa, não um fim apenas um percalço, naquele instante rapidamente a realidade se vez inteira, crua.
                Não houve ação, as palavras cantaroladas foram engolidas, o sorriso largo desfez-se instintivamente e de repente houve um medo irracionalmente visceral de que nada fosse de fato como se via, a razão deu um grito alto seguido de uma enxurrada de lucubrações e associações, uma pausa de horas em minutos, depois, tudo voltou ao que estava, mas nada ficou igual, mesmo sendo o mesmo. A razão agitou e depois acalmou tudo, indo embora de mancinho, pensado ser melhor continuar de longe, dando seus pitacos aos berros vez por outra.
                A caminhada continua as expectativas não morreram, mas a razão talhou de leve a mensagem: “cuidado”.
Ricardo Pereira,
Recife, 18 de abril de 2011, 23:35.

domingo, 17 de abril de 2011

Impulso de Domingo.


Impulsos professores, sim, eles são impulsos professores, me ensinam tanto que não tenho com chamá-los de uma forma diferente, os tenho seguido como geralmente não faria, costumava dar ouvidos de forma muito esporádica, mas isso tem mudado. Penso que sofro atualmente de uma reversão do todo que era os mesmo princípios, os mesmos padrões morais e éticos, mas como se tivesse encontrado um novo ângulo de visão, que torna toda e qualquer observação diferente. Verdade, os medos não somem as inseguranças não desaparecem, apenas tenho deixado os impulsos fluírem e tenho aproveitado cada viagem proporcionada por esta liberdade do sentir.
Graças aos impulsos por hora seguidos um novo panorama de possibilidades se abre, criando uma onda de novidades que me forçam constantemente a um novo aprender, um novo crescer, declaro que não tenho segurança nesse caminho, não consigo perceber nenhuma possível rota de fuga em caso de alguma coisa der errado.
Fundamentalmente um juiz relapso de mim que sem um plano definido vai construindo uma  colcha de retalhos, alguns são novos outros trazidos ao longo da vida, vou arrematando as peças antigas de uma forma que não se repita nenhuma trama antes utilizada, tão difícil como se fosse necessário um esforço gigantesco para a quebra de padrões, mas que quando quebrado, o que se achava desmistifica, ganha-se toda uma nova percepção e conseqüentemente um efeito em cadeia se inicia, efeito este em que me encontro que é o mesmo onde me encontro e me perco.
Apenas quero que meus desejos se realizem, mesmo que isso não seja tão simples assim.
Ricardo Pereira,
Recife, 17 de abril de 2011, 20:54

Foto: vista do terraço do passo by me.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pés nas nuvens, cabeça no coração.


Quebrar barreiras, correr riscos, seguir caminhos não aconselháveis, sentir um medo racionalmente absurdo e ainda assim não seguir a razão, olhando de uma forma surreal,  seria como se um humano pudesse andar nas nuvens sem a certeza de por quanto tempo, imagino que seja uma sensação impar, mas ao olhar para baixo você percebe que pode cair a qualquer momento, um misto de sentimentos: excitação, prazer, medo, pavor, suspense. Ainda assim você continua caminhando, pára de olhar para baixo e faz de conta que o tempo não passará.
Há uma opção instantânea pelo olhar otimista, não quero perder toda essa novidade que é tão boa, tão inexplicavelmente boa. Esqueço propositadamente de qualquer possibilidade que me faça cair, pensar negativamente pode desativar a capacidade de andar nas nuvens, as especulações eclodem involuntariamente juntamente com sonhos, desejos e quereres.
A razão grita enjaulada querendo a todo custo ser ouvida, mas é abafada pela batida ritmada, quente e acelerada de um coração que acordou para uma realidade tão nova, tão livre. Rebelada contra a razão bombeia seu sangue com uma nova cor e calor por todos os lugares, deixando apenas a razão fria e só, por enquanto, sem chance de negociação.
Mas sinto que o equilíbrio não tarda chegar, como na lógica dos extremos num dado momento o meio faz-se inevitável.

Ricardo Pereira,
Recife, 13 de Abril de 2011, 22:59.

Foto by me no céu de África.