quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Papel e pedra


          A vida, suas ironias e constante contradições, por vezes penso que não vou suportar. Fazemos escolhas e em instantes depois, ocorrem situações que parecem apenas expressar: você está errado.

          Escolhas, sempre de consequências múltiplas. Como já pensado antes, egoismo é uma pratica que preciso praticar com mais afinco, para além, rudez com uma pitada de indiferença, só tenho medo de me perder de quem sou.

          "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura"

          Em tempos modernos, melhor ser papel que pedra.

Ricardo Pereira
Recife, 30 de outubro de 2013, 22:05

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Haverá uma Mão

          Há uma fragilidade embutida, que me perpassa, mais do que eu gostaria, momentos que mesmo ocultos me causam a sensação de  nudez, de um exposição forçosa mesmo que não percebida ao redor.

          Uma angústia solitária, um não pertencer, como se eternamente em transito, uma sabotagem, uma estupidez, uma racionalidade de fragmentos ilusórios, pegos ao acaso das situações possíveis, mas nem sempre visíveis, imaginação.

          Medo de ter para perder, a desconstrução da razão que me é tão conhecida, que me imprime tanta segurança, que me deixa tão certo, simplesmente me faz tremer. Me sinto só, estou aprendendo a andar, para alem de alguns tropeços, quedas virão, machucados ocorrerão.

          Haverá uma mão?

Ricardo Pereira
Recife, 29 de outubro de 2013, 23:03

Volatilidade

Inconstante constância
Percepção transitória
Aqui e lá
O que fui
O que serei
Foi, será, é?

Ricardo Pereira
Recife, 29 de outubro de 2013, 22:14

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Inquietação transitória


Buscando uma fagulha de emoção, como se abstêmio de sentir estivesse,   um buraquinho que não se explica, e sem motivo aparente vem e se instaura, crava sua ausência por dentro, e engole tudo.

Como acabar com isto, como preencher esse vazio ilógico e sem razão “aparente”?

Música, poesia, pessoas, guloseimas, tudo que se pode rodear, mas nada, quando isto acontece, parece resultar, é como se tivéssemos um buraco negro por dentro, como se ficássemos sem combustível, e fossemos reduzidos, encolhidos a uma fração do nosso tamanho original, até o ponto em que perdemos o controle, sugamos a nós mesmos como se não houvesse nada mais, desprendendo energia que simplesmente se perde e explode numa ausência, que mesmo não existindo, de fato é o centro do nosso buraco negro, algo que só consigo traduzir com vácuo.

 Com tudo, de alguma forma, sei e sinto,  que o mesmo pode ser ilusório, transitório e quase nunca real, e por isso nos provoca uma desperdício despropositado de energia, por algo, que passa, mas nem sempre se resolve.

Ou tudo que foi dito, não passa de uma necessidade natural e humana de sentir tristeza, melancolia, pelo simples, mesmo que antagônico “ prazer de se sentir triste”, lobotomizado.

Não tem Deus, não tem diabo, não tem Krishna, Buda e nem Alá, não há nada, nada além de nós, sós, miseráveis na nossa busca por justificar um dia, um amanhã, o ontem, não nos bastamos e sem caber, sentimos falta do que ainda não ocupamos.

Ricardo Pereira,

Recife, 21 de outubro de 2013, 16:51

domingo, 20 de outubro de 2013

Lacunas

          São pensamentos estranhos, alguns me perseguem agora. Não compreender, duvidar, imaginar o que se entende apenas por observar, impressões do sentir.
          Novos caminhos, certos ou incertos, no qual, brotam lacunas não preenchidas que permeiam uma imaginação inquieta, esta, que insiste preencher qualquer ausência existente, porém, sem se ater ao material utilizado para tanto, podendo por isso, aumentar lacunas ou simplesmente criar armadilhas.
          Distante, omisso, preterido, talvez tudo já dito, ou não. Incerto, ilusório, imaginativo, ou apenas tempos diferentes, que nem sempre sincronizam.
Ricardo Pereira
Recife, 20 de outubro de 2013, 19:31

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Impressões de Setembro


Sabe quando de repente, nasce um gostar enorme, dentro de si, e com ele, medos, receios, e um sentimento de não crer, ocorrem concomitantes? Escolho não ceder ao medo, sigo, e me deparo com um enorme gostar, cada dia maior, e não ilusório como se fomentado numa imaginação, num sonho, apenas, se fortalecendo dia a dia, em fragmentos reais, com qualidades e defeitos, com aquelas características rotineiras que nos torna humanos, demasiado humanos.

Romper com o passado, ao menos, com o modo de como historicamente comportamentos se repetiam, sinto esse fenômeno, uma mudança avassaladora, sem garantias, praticamente um impulso, sim, há uma impulsividade, que por mais que tente justificar, não se agarra a lógica nenhuma, porém, sendo apenas um movimento que não posso negar como natural, que me faz seguir adiante, que me rompe a razão, ou que se sobrepõem sobre esta, quase absoluta, deixando que a razão seja apenas um eco que se perde no ar.

Um novo eu, uma nova permissão de mim, com algumas convicções quebradas, desfeitas, postas em desuso, um novo olhar, que assume vontades comuns que estavam escondidas, uma entrega espontânea de me perder num mundo que não é meu e de apresentar meu mundo também.

Sinto uma vontade reciproca, que me alimenta e me acolhe, como um vinculo que não se enxerga, mas que existe, que está lá, e por mais novo que seja, numa intensidade de séculos, como se já houvesse antes de lá estar.

Vivo o hoje, meus pés não tocam o chão, mas o imagino sob mim, que o etéreo se adense cada dia mais e se torne solido, e que cada amanhã tenha o sentimento de hoje, esperança, desejo, carinho, respeito, ternura, dois.


Ricardo Pereira.
Recife, 01 de outubro de 2013, 08:53.