terça-feira, 30 de abril de 2013

Ausência

Ausência
De formas,
Cores,
Sentidos,
De gosto.
Ausência
Do que se quer
Do que se pode ou poderia ter
Ausência de idéias
De ideais, de criatividade,
Ausência de viver
Morrer e nascer
Ausência da ausência
De estar cheio
De estar completo
De estar vazio
Ausência que posso preencher
Que posso converter
Em bem
Em mal
Em prazer
Ausência que me dói
E que me constrói
Ausência por escolha
Por circunstância
Por conveniência
Ausência para não estar só
Mais para se isolar
Ausência para pensar
Para amadurecer
Para se ver e rever
Ausência para dar e tirar valor
De algo, de alguém, de si
Para enxergar o que não se quer ver
Para voltar do que se fugiu
Um dia
Por algo ou alguém
Que se ausentou
E se perdeu

Sérgio Pereira
Luanda, 03 de julho de 2007, 21:28

Beijo


Pode  acontecer de vários modos
Numa explosão impulsiva
Numa estratégia perseguida
Num roubo esperado, ou não
Pode demorar
Pode até não acontecer e virar sonho, ilusão
Mas sempre, para existir vai haver toque
Vai haver troca
Pupilas que se dilatam
Mãos que não ficam quietas, tateiam
Pode ser lento ou apressado
Suave ou febril
Pode ser tudo junto e misturado

Lábios que se unem
Respirações que ofegam
Línguas que se entregam
Bocas que aceitam
Maleáveis
Numa dança de entregas
Empatia sinestésica

Pode ser um começo
Um  talvez
Um desistir

Pode durar várias eternidades
De um momento
De um dia, meses, anos ou até de uma vida
Pode ser simplesmente efêmero
E até esquecido
Mas mesmo assim, imprime
Marca

Que seja, bom, ruim
Ou desenxabido
Deve existir
Pois, pode definir.

Sérgio Pereira,
Recife, 30 de abril de 2013, 0:49

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Vencimento


Qual o vencimento da sua vida,
Da sua felicidade,
Dos seus sonhos
E ínfimas aspirações,
Qual a data, hora, minuto,
Que tudo, tudo vai aspirar,
Você saberia dizer?

Você desiste sem tentar
Você tenta sem saber
Você atira sem mirar
E erra
Erra para valer

Você é um porra!
E vai morrer,
Sem saber

Mesmo assim, sonha
Quer ser visto, quer ver, sentir e tocar
Ainda crê
Ainda tenta
Ainda...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Machucamos a quem amamos



 Machucamos a quem amamos
Com uma facilidade inerente
Que de tão natural, não se percebe.
Isso nos faz humanos ou vermes?

Estando  perto e disponível
Não valorizamos
E se houver certeza, tudo se agrava
Tudo piora
Ferir torna-se quase que um comportamento habitual

Palavras soltas sem pensar
Esquecimento
Ignorar

Monstros masoquistas
Tentados sempre ao que não presta
Execrando o que de fato é bom

E só depois
Um dia
Quando ninguém sabe ao certo
Alguns acordam
E aprendem
A valorizar o que nos valoriza
A amar ao que e a quem nos ama
A agradecer pelo o amor que temos
E tentar  desculpar-se por não ter agido assim antes.

Somos monstros
Brutos
Egoístas
Somos orgulhosos
Somos humanos.

Sérgio Pereira
Caruaru, 09 de março de 2010, 09:22.