terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2013/2014

 
      Ano novo, tudo e todos num desejo único de dias melhores, um ritual que se repete ano após ano, penso eu, que mesmo para os incrédulos há uma renovação de ciclo, um recomeçar.

          Mas o que realmente importa? Uma pergunta com respostas tão particulares, e repleta de diferenças de acordo com cada um. Eu realmento nesse momento penso em direção, trilha, caminho, como queiram chamar, a um tempo tenho a nitida impressão que minha bussola quebrou, ou sempre esteve quebrada e só me dei conta agora, por isso tenho desejado cada vez mais saber qual seria o caminho certo, ou menos tortuoso a seguir.
       
           Então, para 2014, desejo uma estrada tranquila para um lugar maravilhoso, um lugar que possa sentir como meu. Que seja colheta e novo semear, que seja farto sem desperdício e que se faça a sabedoria diante de tudo que já foi vivido, mas que não se perca em mim a descoberta do novo e a capacidade de sentir as sutilezas que a vida nos mostra.

          2013 foi um ano intenso, e repleto de antagonismos, aprendi muito e mesmo que titubiando em afirmar, tenho muito por agradecer. Que venha um novo ciclo e que na repetição da roda, façamos a diferença e sejamos renovados.

Ricardo Pereira,
Recife, 31 de dezembro de 2013, 18:03

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pensar de dois momentos

 Uma vontade de euforia me acomete, num rompante que não resulta, fica apenas o desejo, que não se faz e lateja como um eco que hora desaparece, rotina, sim rotina, é o que tem para hoje, uma segunda-feira, que mesmo sendo o segundo dia da semana, é onde tenho a sensação que tudo começa, mesmo que não tenha tido fim.
            
  Acordar, tomar banho, café, ligar o carro, pegar transito, ir ao trabalho, tudo igual, ou ao menos, tudo com uma sobra de semelhança com o ontem. Fazer valer a pena, extrair algo diferente da repetição, cíclica e temporal que é esse momento chamado de vida. Conhecer pessoas, sorrir, chorar, aprender, fazer nada, fazer tudo que for possível e que tenhamos coragem, pois nem sempre a vontade é suficiente, para continuar. Uma constante ressignificação, de tudo a minha volta, de tudo que escolhi como parte de mim, com suas extensões: pessoas, lugares, coisas.
              
  Penso que já aprendi a ficar comigo mesmo, penso que já consigo, mas não sei como estar certo sobre isso, e por esta ser uma quase certeza e não uma convicção, fico inseguro em assumir algumas escolhas, tenho um medo absoluto em errar, sim, errar é a coisa que mais me desmantela, e nesse medo de errar, me mantenho em lugares seguros, ao menos, os suponho como, me limito e por um tempo me nego o risco de tentar diferente, de desistir, de pular.
 
A boa e velha questão da escolha, da tão sonhada e improvável escolha certa.
 
Vejo erros que não corrijo, repito atos que não deveria, ando em círculos, mesmo que tente não andar. Perco minha razão, e como tudo é contraditório, acho que não sei viver, sinto que não sei viver, mas vivo, mesmo errado, sigo para onde penso que sei,  constato que nunca soube.
 
Perdido, sempre perdido, mesmo quando me engano acreditando que sei o que quero e para onde ir.  
Divago
Vago
Não chego
Me perco
De mim
             Da vida
             E na vida
                A um vazio que insiste em se repetir, uma dor por ausência, como a dor fantasma de um membro amputado, porém, não há membro, não há nada, apenas a falta.
Ricardo Pereira
Recife,  04/11/2013 e 18/12/2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Poema da Rinite


Respiração queima
Desordem
Pouco ar
Algum mar
Nenhum amar
Olhos ardem

Respirar?

Difícil, seco
Resfolego
Faltas de pulmões cheios
De compreensões intermitentes

Defesa desnecessária
Demasiada histamina
Que age por achar que há
Sem haver
Como quem especula sem saber
Machuca-se
Machuca-me

Respirar?

O ar que respiro
Também me sufoca
O que me dá vida
Também mata
Transito entre o que quero e o tenho

Respiro
Inspiro
Transpiro
Espirro
Vivo

Ricardo Pereira,
Recife, 16 de dezembro de 2013, 15:38

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Mania de pensar

   
             São altos e baixos, bons e ruins, são sempre antagônicos, e por isso precisam de equilíbrio, ou melhor, de ter a sabedoria de saber equilibrar, de tornar as diferenças harmônicas, ou até mesmo, complementares.

Fragilidades ocultadas, mas a que preço?

Qual o preço que pagamos por ocultar supostas fraquezas, por esconder sentimentos que demonstra quem somos?

Por que ignorar, quando o que se quer é abraçar?   

Por que valorizar depois de perder?

Somos presos à compreensão do que vivemos e do que é vivido ao nosso redor, julgamos, pensamos, escolhemos, visando autopreservação, presumindo estar seguro a partir das nossas posturas, mesmo sabendo que não temos como saber, que não há regra, que não há certeza quando falamos em sentimentos, em pessoas, em vida, em relações.

E agora, quando tudo novamente se inicia, como não repetir erros antigos, como não cometer erros novos, como não destruir possibilidades com autopreservação ilusória?

Perguntas e mais perguntas, respostas incontáveis, possibilidades múltiplas, envoltos da certeza de que certeza não existe, há apenas, a possibilidade de escolhas e a consequente criação de novos caminhos a partir destas.

Mania de pensar, mania de questionar, mania de ver o que não se vê, relaxar,  viver e aproveitar o caminho, a trilha e toda a paisagem que minha vista poder encontrar. É o que quero aprender é o que quero fazer.


Ricardo Pereira,
Recife, 18 de novembro de 2013, 15:37

sábado, 9 de novembro de 2013

Querer X Conquistar X Manter

Hoje, duas palavras ecoaram através de mim: conquistar e manter. Automaticamente fui acometido pela lembrança da sensação de quando se quer algo, de forma intensa,  e esse querer de tão grande se transforma numa vontade, necessidade, e mesmo sendo uma ideia, ganha um proporção, na qual se torna algo que se pensa de fundamental importância, e não falo aqui apenas de coisas palpáveis, penso em tudo, e principalmente no que não se tange .

                No nascimento desse querer, agregamos a ele várias possibilidades e expectativas, estas, sendo: possíveis, reais, abstratas e ou simplesmente improváveis. Com tudo etereamente formado, vamos a busca, a conquista desse querer que podemos encontrar ou ser encontrado, sim, não há uma lógica ou uma regra, bem como, na oportunidade do encontro não há nada que comprove exatidão, há apenas um sentir, uma profusão que acontece e se instaura.      
 
                Sim, estou falando de relações, obviamente, na conquista dessa relação e principalmente, pensando na manutenção dessa conquista, da necessidade e do esforço necessário dos envolvidos na coisa mais fundamental de todo o querer e conquistar, o manter. Conseguir transformar tudo aquilo que se desejou, numa continuidade, numa construção continua e infinita enquanto ambos queiram, do que pode ser uma das mais fortes experiências da vida, compartilhar um caminho.

                As necessidades implícitas em manter, são tão abrangentes, mas creio que o mais fundamental é deixar claro que cada um faz parte um do outro, e ai vem a pergunta: Como?
           
            No meu pensar, se dá a partir da rotina, dos pequenos gestos, da partilha expotânea das informações de cada um, mesmo que este seja: hoje não quero falar, nem tocar, to chato, enjoado, quero ficar só. Do mesmo modo,  dar valor ao tempo, o espaço, e a individualidade um do outro.

            Blá, blá, blá, a parte, manter não é fácil, haverão altos e baixos, mas enquando houver um querer, penso que tudo pode acontecer.

Ricardo Pereira.
Recife, 09 de novembro de 2013, 20:56




quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Sem plateia

Nós estávamos lá
Mais você não
Falei, conversei
Monologo sem plateia
Me dei conta
Senti
Serrei.

Sérgio Pereira
Recife, 07 de novembro de 2013,  07:53

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Papel e pedra


          A vida, suas ironias e constante contradições, por vezes penso que não vou suportar. Fazemos escolhas e em instantes depois, ocorrem situações que parecem apenas expressar: você está errado.

          Escolhas, sempre de consequências múltiplas. Como já pensado antes, egoismo é uma pratica que preciso praticar com mais afinco, para além, rudez com uma pitada de indiferença, só tenho medo de me perder de quem sou.

          "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura"

          Em tempos modernos, melhor ser papel que pedra.

Ricardo Pereira
Recife, 30 de outubro de 2013, 22:05

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Haverá uma Mão

          Há uma fragilidade embutida, que me perpassa, mais do que eu gostaria, momentos que mesmo ocultos me causam a sensação de  nudez, de um exposição forçosa mesmo que não percebida ao redor.

          Uma angústia solitária, um não pertencer, como se eternamente em transito, uma sabotagem, uma estupidez, uma racionalidade de fragmentos ilusórios, pegos ao acaso das situações possíveis, mas nem sempre visíveis, imaginação.

          Medo de ter para perder, a desconstrução da razão que me é tão conhecida, que me imprime tanta segurança, que me deixa tão certo, simplesmente me faz tremer. Me sinto só, estou aprendendo a andar, para alem de alguns tropeços, quedas virão, machucados ocorrerão.

          Haverá uma mão?

Ricardo Pereira
Recife, 29 de outubro de 2013, 23:03

Volatilidade

Inconstante constância
Percepção transitória
Aqui e lá
O que fui
O que serei
Foi, será, é?

Ricardo Pereira
Recife, 29 de outubro de 2013, 22:14

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Inquietação transitória


Buscando uma fagulha de emoção, como se abstêmio de sentir estivesse,   um buraquinho que não se explica, e sem motivo aparente vem e se instaura, crava sua ausência por dentro, e engole tudo.

Como acabar com isto, como preencher esse vazio ilógico e sem razão “aparente”?

Música, poesia, pessoas, guloseimas, tudo que se pode rodear, mas nada, quando isto acontece, parece resultar, é como se tivéssemos um buraco negro por dentro, como se ficássemos sem combustível, e fossemos reduzidos, encolhidos a uma fração do nosso tamanho original, até o ponto em que perdemos o controle, sugamos a nós mesmos como se não houvesse nada mais, desprendendo energia que simplesmente se perde e explode numa ausência, que mesmo não existindo, de fato é o centro do nosso buraco negro, algo que só consigo traduzir com vácuo.

 Com tudo, de alguma forma, sei e sinto,  que o mesmo pode ser ilusório, transitório e quase nunca real, e por isso nos provoca uma desperdício despropositado de energia, por algo, que passa, mas nem sempre se resolve.

Ou tudo que foi dito, não passa de uma necessidade natural e humana de sentir tristeza, melancolia, pelo simples, mesmo que antagônico “ prazer de se sentir triste”, lobotomizado.

Não tem Deus, não tem diabo, não tem Krishna, Buda e nem Alá, não há nada, nada além de nós, sós, miseráveis na nossa busca por justificar um dia, um amanhã, o ontem, não nos bastamos e sem caber, sentimos falta do que ainda não ocupamos.

Ricardo Pereira,

Recife, 21 de outubro de 2013, 16:51

domingo, 20 de outubro de 2013

Lacunas

          São pensamentos estranhos, alguns me perseguem agora. Não compreender, duvidar, imaginar o que se entende apenas por observar, impressões do sentir.
          Novos caminhos, certos ou incertos, no qual, brotam lacunas não preenchidas que permeiam uma imaginação inquieta, esta, que insiste preencher qualquer ausência existente, porém, sem se ater ao material utilizado para tanto, podendo por isso, aumentar lacunas ou simplesmente criar armadilhas.
          Distante, omisso, preterido, talvez tudo já dito, ou não. Incerto, ilusório, imaginativo, ou apenas tempos diferentes, que nem sempre sincronizam.
Ricardo Pereira
Recife, 20 de outubro de 2013, 19:31

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Impressões de Setembro


Sabe quando de repente, nasce um gostar enorme, dentro de si, e com ele, medos, receios, e um sentimento de não crer, ocorrem concomitantes? Escolho não ceder ao medo, sigo, e me deparo com um enorme gostar, cada dia maior, e não ilusório como se fomentado numa imaginação, num sonho, apenas, se fortalecendo dia a dia, em fragmentos reais, com qualidades e defeitos, com aquelas características rotineiras que nos torna humanos, demasiado humanos.

Romper com o passado, ao menos, com o modo de como historicamente comportamentos se repetiam, sinto esse fenômeno, uma mudança avassaladora, sem garantias, praticamente um impulso, sim, há uma impulsividade, que por mais que tente justificar, não se agarra a lógica nenhuma, porém, sendo apenas um movimento que não posso negar como natural, que me faz seguir adiante, que me rompe a razão, ou que se sobrepõem sobre esta, quase absoluta, deixando que a razão seja apenas um eco que se perde no ar.

Um novo eu, uma nova permissão de mim, com algumas convicções quebradas, desfeitas, postas em desuso, um novo olhar, que assume vontades comuns que estavam escondidas, uma entrega espontânea de me perder num mundo que não é meu e de apresentar meu mundo também.

Sinto uma vontade reciproca, que me alimenta e me acolhe, como um vinculo que não se enxerga, mas que existe, que está lá, e por mais novo que seja, numa intensidade de séculos, como se já houvesse antes de lá estar.

Vivo o hoje, meus pés não tocam o chão, mas o imagino sob mim, que o etéreo se adense cada dia mais e se torne solido, e que cada amanhã tenha o sentimento de hoje, esperança, desejo, carinho, respeito, ternura, dois.


Ricardo Pereira.
Recife, 01 de outubro de 2013, 08:53.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Germinar


Queria saber quem era
E descobri
Apenas olhei

Raiva
Vingança
Meu rosto queima
Meu coração acelera
Uma tristeza me invade
Não há nada a fazer
 
Tudo mudou
Sinto uma dor que não seria minha
Mas é
 
A vida grita
A vida chama
Tudo continua
Escolho viver

Tudo em mim rompeu
Fragmentou
A ordem se desfez
Germino.

Ricardo Pereira,
Recife, 16 de setembro de 2013, 16:03.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Impressão de uma fração


Quando não esperava,
Quando quase desisti, surgi,
Em forma de conversa,
Olhando contra mim

Assuntos sucedem
Como se o tempo fosse todo, tempo,
Sem fim,
Parado, mesmo que, continuamente, para mim

Impressões, julgamentos,
Risos, sedução,
Verdades vomitadas,
Alívio, impulsos,
Cervejas, loiras, ruivas,
Moças ao lado, Bira,
Nós, beijo roubado,
Olhares velados e outros não

Desejos ternos
Confiança recíproca
Que parece irresponsável
Dois corações que se encontram

O destino, uma paixão?

Quando se sente que achou
Quando se permite acreditar
Porque não arriscar?

Ricardo Pereira
Recife, 13 de setembro de 2013, 08:29

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Pensamento Fragmentado


Uma falta de explicação, inaplicabilidade de lógica e razão, uma ausência do que poderia chamar de controle, sim, a grande ilusão que alimenta a força de muitos.

Como se o chão não existisse, mas não há uma queda, nem um despencar, flutua-se, sendo acometido apenas, pela incredulidade natural, que nos faz temer, pelo incerto que significa ou que pensarmos significar.

E de repente, é como alguém que passa 20 anos sem andar de bicicleta e se surpreende a pedalar, porem, sendo para além de uma escolha consciente, uma ligação que se sente.

 Germina, plantado, no tempo, na vida, no passado, presente, futuro, em tudo que fomos moldados.

Ricardo Pereira.

Recife, 06 de setembro de 2013, 18:12

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Eremitando


                Eremitando, tenho conjugado esse verbo que nem existe, mas que se faz aqui. Sendo para mim escolha não escolhida, absorvida, entranhada, como se natural, fosse, porém, não é. Nasce das circunstâncias consequentes, das reações inerentes dessa vida, que teimamos em chamar de moderna, mesmo que não seja.
                Essa conjugação é como virose, pois, por mais que não queria, percebo várias pessoas com a mesma utilização, do verbo que não existe, uma disseminação em escala cada vez maior. Vida Moderna?
                Mas ser “Eremita” tem outros vieses nos dias de hoje, pois há variações de solidão, que permeiam o real, o virtual, e dentre estes, ainda haverá mais nuances, mais níveis, bem como, várias formas de controlar o ser só, podendo ser de forma química, imaginária, através de fuga ou de simples desculpas e do que mais se poder inventar.
                Ser moderno, estar só, posso estar exagerando, mais vejo a dificuldade cada dia maior das pessoas se encontrarem, mesmo todo mundo procurando, todos continuam cego, bom, ao menos ao seguimento que vejo, ao meio que me circunda, posso parecer preconceituoso, mas sinto que tal fato, está diretamente ligado a intelectualidade e ao sucesso, e também penso em questões de gênero, como por exemplo: mulheres de sucesso  que têm um dificuldade enorme em estar a dois.
                As situações são inúmeras, mas sim, penso que tudo tem haver com a escolha do dito “estilo de vida moderno”, do valor que são dados as coisas, da educação que  recebemos e damos, e tudo que se mistura nessa sopa, chamada vida.
                Há uma cultura do egoísmo que exclui, limita e restringe as relações, vivemos de exclusão. Seria isso algo natural, seria uma seleção natural, é o futuro?
                Minhas especulações que não respondem nada, apenas ratificam o meu pensar  e fortalecem a impressão do que vejo.
               
Excluir o diferente
Deixar os iguais
A vida fica chata
Mas tudo fica em paz
Fins que justificam meios
Minoria que manipula muitos
Eunucos de pensamento em massa
Esmagam tudo que não parece espelho.

Ricardo Pereira.

Recife, 30 de agosto de 2013, 23:31

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Valor, felicidade e vida

                Hoje me veio um pensamento constante, sobre o valor que damos a tudo na nossa vida, valor empregado em coisas que geralmente não conseguimos mensurar de forma precisa, pois simplesmente não temos medida.
                Quanto vale uma amizade, um amor, confiança, um ato de gentileza, um sorriso, um dia bom, ou até mesmo um dia nublado e chuvoso onde tudo pode parecer não ter dado certo?
Quanto vale nossa vida com tudo de bom e ruim que possa existir?
                Nesse nosso sistema, que aceitamos, e seguimos, como correnteza que não se vence, misturamos capitalismo, sentimentalismo, egoísmo e todos os ismos possíveis, numa grande sopa, na qual,  sabores se confundem, e cada dia mais, vejo pessoas, esquecendo sabores,  texturas, perdendo o que pode haver numa continuidade, na profundidade, nas descobertas e mutações que só o tempo traz.
                Não consigo achar que temos culpa, mas sei que participamos dessa disseminação de ideias, pois, seguir o fluxo é tão mais fácil, e dor não combina com felicidade, e tudo que queremos é ser felizes, porém, esquecemos que esta não se consegue como uma calça que se compra ou uma comida que se come, ou com um corpo que se consome.
                Felicidade na minha particularidade de olhar, acontece quando na continuidade de sermos, conseguimos ser por nós e pelo outro, quem realmente somos, tanto, que não há constância, pois na intermitência  do seu existir se constrói forças para buscar, para continuar, como combustível para viver, para além, creio que sua existência se completa, quando deixa de existir, e entendemos que na realidade, felicidade é viver. Joguemos esse modelo que nos imprimem na alma, esqueçamos essa tal felicidade, e vivamos.
                Simples, só que não, fomos moldados, e moldamos tudo ao nosso redor, mesmo que possamos pensar, não temos força para remar, a correnteza, vence, e temos que reinventar.
                Tudo dói, tudo fica vazio e as pessoas se perdem, me dou tanto valor, não dou valor a ninguém, valorizo o que não posso ter e desprezo o que pode me fazer bem, humano demasiado humano.
Ricardo Pereira

Recife, 27 de agosto de 2013, 23:17

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Turbilhão Urgente

Alguém me pergunta se eu já casei
O mar e o céu com um leve torpor de cinza
Clamam silencio da janela do escritório

Tarde, trabalho, erros, retificações
Multivida
Multimídia
Música sempre ao meu redor
Toca no fone
Toca no telefone
No PC
No meu pensar

Meu coração urge por algo que sei sem saber
E ontem a Lota (Gloria Pires) me fez pensar em controle
Ou de quando realizamos que não temos nenhum

Perdão, orgulho, egoísmo, escolha sem detrimento
Elizabeth Bishop explicitando que a arte de perder não tem mistério
Uma obvia afirmação, que simplesmente nem sempre enxergamos

Querer tudo e não ter nada
Esquecer detalhes
Cegar

Sinto uma carreira, mas estou parado
Um detalhe de sentimento
Percebo e gravo.

Ricardo Pereira,
Recife, 21 de agosto de 2013, 16:35


 

 

 

 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Fugindo

          Fugindo de mim e de coisas que me obriga a vida, como se houvesse, ou realmente haja um profundo cansaço, uma fadiga crônica e intermitente, que se acusa estranhamente em auto sabotagens, em momentos que sua não ocorrência me possibilitaria, talvez, futuros melhores ou menos demorados.

           Cançado de velhos hábitos que repito, de velhas racionalidades que me limitam, de convicções que me aprisionam.

          Uma vontade de romper com tudo me consome, mas minha fadiga crônica intermitente, chega e consome: força, desejo e tudo que havia planejado.

          Sinto faltas, e ainda sim, quero quebrar a forma.

          Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

Ricardo Pereira
Recife, 06 de agosto de 2013, 22:07

domingo, 4 de agosto de 2013

Caminhos de uma trilha inacabada

                Descobrir algo que se quer. Querer! E antes de se aproximar, constatar que não terá, poderá tocar, sentir, ver, provar por um tempo, mas nada além.

                Será tudo apenas uma amostra, uma perspectiva, para que o que lhe reste seja uma imaginação embasada, palpável na fração de um passado tangível, um grande e único “se” será instaurado e permeará para sempre questionamentos que jamais serão respondidos.

Ricardo Pereira,

Recife, 04 de agosto de 2013, 21:49

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Por um momento

Por um momento 
Eu queria acreditar 
Que nada me faltaria 
Um momento que fosse 
Paz absoluta, inquestionável 

Um instante eterno 
Sem dor 
Nem dúvidas 

Um momento, 
Que fosse macio 
Doce 

Para eu sentir o ar 
Sentir amar 
Relaxar 

Um segundo eterno 
De ilusão constante 
Para eu sublimar 

Um momento 
Para ter 
Para ser 
E estar 

Eu quero um momento
Para o céu me engolir 
Para o tempo parar
E eternizar 
Tudo de bom 
Que eu pude encontrar.

Sérgio Pereira. Luanda, 28 de Março de 2007

sábado, 27 de julho de 2013

1, 2 ,3, Eus

Metade de mim é carne
Sangue que pulsa e impulsa
Metade de mim é razão
Que pensa, conta, calcula, mede

Tudo de mim é impulso
Paixão
Fogo
Espírito
Mesmo que por razão

Metade de mim peca
Metade de mim pede perdão
Há fogo constante e brigadas intermitentes

Haverá sempre um conflito
Haverá sempre um questionamento
Um pensamento
Uma vontade que não conclui um desejo
Uma razão que grita desesperadamente com um impulso

E as contradições
As contradições
Me afogarão como água que enchem pulmões a morrer

Assim serei eu
Uma mistura de dois lados
Uma briga de dois pensamentos
Uma vontade de balanceamento constante

Para que proporções se equilibrem
Balizem
E coexistam em harmonia

Haverá sempre em mim Sagrado e Profano
Doce e Salgado
E uma soma de eus
Que me torna quem sou

Ricardo Pereira,
Recife, 27 de julho de 2013, 22:24

Pensamento Vínico

Beijo roubado
Vontade cumprida
Respirações que ofegam
Afagam
Param
Mão na mão
Pele, atrito
Impressões
Confirmações
Percepções que se calam
E completam
Universo
Universos
Compartilhados
Tempo
Espaço
Contradições
Adições
Você
Eu
Nós
Vinho
Ocitocina

Reis
Rainha
Súditos
Burguesia
A, B, C ,D ,F
Classes
Cama
Caveira
Igual

Pois tudo
Que é novo
Já envelheceu
Mesmo para quem ainda não viveu

Ricardo Pereira,

Recife, 27 de julho de 2013, 21:22

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Você precisa

Você precisa saber o que quer
E para onde não ir
Você precisa querer o que quer
E não o que querem que queira
Você, precisa dormir
E sonhar, mesmo que não lembre
Você precisa dar nãos
Mas não perca o sorriso
Você precisa sobreviver
Mas não mate ninguém
Nem mesmo a você
Você precisa
Comer menos
Exercitar-se mais
fazer mais amigos
Se vestir com mais cuidado
Falar tudo que pensa, e pagar caro
Ser mais estratégico
Espiritualizar-se
Aprender a ficar consigo
Ler mais
Rir mais
Valorizar o bem e os do bem
Respeitar o diferente
Ouvir tudo antes de qualquer coisa
Lembrar que existe amanhã
Perdoar, mas não ser besta
Você precisa aprender a viver
Para um dia poder não viver mais.
Sérgio Pereira
Recife, 26 de julho de 2013, 22:49

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Resignificar

Se o estar não bastar
Quando ilusão não mais funcionar
E o nada de tudo chegar
Resignificar?
Ricardo Pereira.
Recife, 26 de julho de 2013, 19:29.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O gosto da possibilidade

Gosto do gosto incerto da possibilidade
Da sua aurora especulativa
Da sua força expansiva
Gosto, mesmo tendo medo
Já tendo caído, sofrido
E até mesmo perdido
Gosto, pois se o sonho é possível
O medo pode ser vencido
E o caminho mesmo que perdido
Será lindo, apenas po ser vivido
Gosto, pois a vitoria não vem sem luta
Então, eu tento, insisto e teimo
Quero ficar com você.
Ricardo Pereira
Recife, 22 de julho de 2013, 23:35.

Quebrando o mundo


Passado daninho que entranha
Em comportamentos
Que repetimos
Copiamos
Que quase nunca quebramos
Mesmo que tenhamos negado

Sair da casca
E ainda assim viver nela

Sexo
Carinho
Afeto
Lealdade
Fidelidade
Amor
Pudor
Censura
Quadrado
Fechado
Cerrado
Hermético

Mas, não, nunca, eternizado

Pois ta tudo errado
O certo ainda não foi inventado
Tudo não passa de uma ilusão implantada
De uma situação criada

Então grite
Se arrisque
Busque
Implique
Salpique ideias no ar
Provoque pensamentos
Instaure desejos
Mas pregue o respeito
Pelo diferente
Pelo igual
Pelo normal e o anormal
Pela escolha
de ser
O que se quer ser

Só não faça ninguém sofrer
Ao menos por querer.

Ricardo Pereira,
Recife, 22 de julho de 2013, 22:23

domingo, 21 de julho de 2013

Tabuada


 
       
     São quatro as operações, mas sinto que nós, seresinhos humanos, temos uma tendência quase compulsiva em apenas uma das operações, mesmo que desejemos as outras, acabamos insistindo numa que menos nos favorece, porém, parece que nossos cérebros invertem o sentido, ou somos tolos de insistirmos na subtração.

                Trocamos mais por menos de uma forma tão natural que nem nos damos conta, e nessa tabuada troncha, suponho que poderíamos sofrer menos caso fosse contrária à atitude que geralmente tomamos.

                Deixamos de amar, deixamos de aprofundar relações, deixamos de viver, apenas subtraímos, até iniciamos uma soma, porém em pânico, esquecemos que podemos dividir, e acabamos diminuindo, posso estar sendo dramático, mas sinto e percebo isso, em mim e ao meu redor.

                Quero mais somas, multiplicação e ao invés de subtração, voto pela divisão, pela partilha, pelo uso do número mais repetitivo pelos números pares,
                Subtração deveria ser obrigatória apenas, para:

Dias ruins
Problemas
Ódio
Desafetos
Azar
Maldade
Doença
Fome
Gordura
Roupa Feia
Amargo
E tudo o mais que não for pelo bem e para o bem

                Quero um mundo de somas,  multiplicações e divisões, que a partilha faça a força e que esta continue.

Mais amor
Mais dois
Mais carinho
Mais perdão
Mais exatidão
Mais comunhão
Mais felicidade
Mais mais tudo que seja bom, leve e belo nas suas diferentes formas de ser.

Sérgio Pereira,

Recife, 21 de julho de 2013, 18:39

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Vida Delivery

Uma vontade que nos move
Um desejo que nos percorre
Transborda, queima, explode

Uma mistura de sentimentos
Desejo, medo, carência, lascívia
Ferve na derme, lateja em partes

Tudo, nada, coisa nenhuma
Busca vans
Achados perdidos
Perdidos achados
Possibilidades

Doce, só que não.

Ilusão, imagem, colagem, clonagem

Promoção
Liquidação
Doação
Prateleira, venda a quilo
Freezer, congelado
30 segundos de micro-ondas
Tudo resolvido, só que não.

Vida de plástico
Amor de isopor
Coração balão

Felicidade química
De alegria em gotas
Soluções instantâneas
Momentâneas
Incompletas

Vida delivery
Chega atrasada
E fria.

Ricardo Pereira

Recife, 18 de julho de 2013, 22:04

sábado, 1 de junho de 2013

Porque o faz de conta não conta?


Mágica, sonhos, aspirações, o brilho de um desejo construído, que de tão natural, puro e nítido, parece que vivemos, imaginamos os detalhes mais ínfimos, pensamos em tudo e deixamos de pensar em tudo também, antagonicamente é exatamente assim que acontece, ao menos é como percebo, como sinto, como já vivi e também como sinto que outros já viveram.
                Tudo começa na infância, pelos livros, quadrinhos, histórias de avô ( sentado no colo dele), pela
nossa própria, linda e grandiosa imaginação, capaz de nos transportar e fazer qualquer, digo, qualquer coisa que queiramos. Lembro do pé de manga, das suas raízes profundas, repletas de musgo seco (no verão) e lodo e musgo (nas chuvas), lembro de sentar entre as raízes e passar horas, num mundo que não era ali nem acolá, haviam pássaros voando nas mais diversas cores, pessoas mágicas, tudo era tão possível, lembro perfeitamente de me sentir completo, sim, eu voava, entrava no mar e respirava na água.....saudade incrível.
                Mas mesmo nesse tempo, eu lembro dele, o medo, eu lembro da sombra escura que se esgueirava rapidamente quando eu olhava inesperadamente para trás, eu lembro da sensação clara e palpável de ser observado, de vultos passando e da insegurança que me gerava, do frio que brotava no meu coração, na minha espinha, que me fazia correr, num alpendre gigante em direção ao meus pais, irmãos ou empregada, com o coração na boca e a expressão de nada está acontecendo.
                Havia um bem e um mal, afinal, um universo tem de ter dualidade, do contrário não existe, não funciona, morre.
                Foram inúmeras aventuras, muitas batalhas vencidas, muitas fugas para esse lugar tão meu, no qual eu era exatamente quem eu era, lutei muito para não perder a capacidade de enxergar os portais que conseguia ultrapassar, mas não consegui, não resultou, perdi esse poder, ou melhor, perdi a intensidade possível naquela época, as coisas mudaram, todos falavam que tinha de mudar, que temos que crescer, que ser adulto, escolher uma profissão, ter uma namorada, noiva, esposa, filhos, um carro, uma casa:

- viajar nas férias é perfeito.


                Me foi enfiado de goela abaixo, um kit, seja adulto, feito por muitos adultos que não tinham noção nem do que queriam, um mundo de acho, um mundo forçoso que nunca quis, que não planejei, mas me adaptei e continuo aprendendo a tê-lo e faze-lo, como meu.

Isso acontece, porque o faz de conta não conta?

Sérgio Ricardo de Andrade Pereira,

Recife, 01 de junho de 13, 19:17

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Impulso de Interesse

Seriam 30 dias
Você pediu mais
Não queria ficar só
Eu vi coisas que me interessavam
Eu fiquei
Consegui coisas
Teve balada
Festa
Bala e doce
Houve sexo
Afeto
Carinho
Mas cansou
Eu não consegui suprir o que eu queria com você
Você não se satisfez com o que eu dei
De repente, parece que esqueci o meu interesse em ficar
E falo como se tudo tivesse sido por que você quis
Eu sei a verdade
Eu sei que te usei
Que me aproveitei da sua carência
E na sua esperança você se ferrou
O  encanto acabou
Os nãos começaram
Desentendimentos constantes
Perdas
Percepção do real
Egoísmo aparente
Fim.

Ricardo Pereira,

Recife, 27 de maio de 2013, 19:29

domingo, 26 de maio de 2013

Um quase

Um quase lá
Uma incompletude
Um espaço que faltou preencher
Como uma falha
Um lapso
Um vazio

Sérgio Pereira,

Recife, 26 de maio de 2013, 21:52