sábado, 15 de fevereiro de 2014

Luto, subterfúgio, passagem


         São tantos os lutos que passamos ao longo da vida, olho para trás e reparo em todos os que passei, e quão importantes foram em minha vida, dos mais diversos: coisas, pessoas, lugares, significados, sabores, até memórias.

          Uma dor que se repete, uma dor inevitável, a perda, a ausência do que queremos, do que buscamos e achamos encontrar, do que tinhamos e se foi, de tudo que é nosso, ou que acreditamos ser e nao é mais, pois de fato talvez nunca tenha sido.

          A vida e seu milindres, suas particularidades, que tornam tudo tão diferente aos olhos de cada um, mas como transcender desse estado, quais subterfúgios podemos utilizar nesse caminho, que tem um tempo tão próprio? Realmente como em tudo que se trata da vida, não há uma formula ou uma resposta certa, tudo tem várias possibilidades e alternativas, de acordo com cada um.

          Logo, de fato, só posso falar do que já experimentei, do que uso e pratico: amigos, livros, trabalho, vinho, amigos, família, sexo, corrida. Sim, são coisas distintas, talvez não funcione para tantos, mas são estas as veredas que percorro em maior ou menor intencidade, e a coisa fundamental, aceitar, quando se aceita tudo fica mais facil, mais leve, como um balsamos sobre a ferida em cicatrização.

          Então, se pega todas as pequenas coisas que possam trazer alegria e vai se costurando um novo retalho, para remendar aquela ausência, são muitos quadradinhos, pontos justos, até que o remendo faça a ausência ser apenas a lembrança que deve ser, e quando tudo estiver ajustado, já não haverá mais dor, apenas a lembrança de que um dia foi.

         E sim, ficará marcado para sempre,será um cicatriz de passagem, que talvez te traga orgulho ou desapontamento, mas que se passou, tenha certeza, fez com que aprendesse algo.

Ricardo Pereira
Recife, 15 de fevereiro de 2014, 14:31

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A hora de voar

Hora de partir, desistir, recomeçar
Hora de decidir
Como saber
Como prever
Existe um sinal?

Escolhas de hoje
Respostas do amanhã
Que so chegarão pela vivência
Da dor e do prazer
Que sentiremos como respostas
Do escolher...

Percepção real ou imaginária
Até onde o que vemos é realidade
Ou apenas reflexo do nosso desejo
Ego ou imaginação

Pensamentos pairam
Sem razão lógica
Uma abstração de sentimentos
Soltos, que têm porque....

Mais como saber a hora de voar?


Luanda,  29 de agosto de 2006.
Revisto em Recife, 05 de fevereiro de 2014, 11:19

Sonhar sempre


Hoje, certo alguém me contou que havia deixado de sonhar, agindo simplesmente no modo automático e racional, mas que a partir desta reflexão iria tentar agir de outro modo: voltar a sonhar.              

Pois bem, eu sonho, sou um sonhador, mesmo que ache que não pareça, os tenho, e prático cotidianamente, em frações de tempo do meu dia, me permito devanear, e vagar por um mundo que não estou, e certamente isso alivia tudo. São mundos particulares, só nossos, que cabem apenas no infinito do pensar, sendo possíveis ou não, mas que possibilitam uma caminhada mais leve, que instigam numa busca de torna-los possíveis.  Não falo de fuga de realidade, nem de mentir para si mesmo, acredito que o sonho é um acessório que a vida nos deu, para nos catapultar em nossos objetivos e tornar mais leves momentos pesados.

Então, pratiquemos o sonho, realizemos ou apenas sonhemos, mas nunca fiquemos sem ele.

Ricardo Pereira.

Recife, 05 de fevereiro de 2014, 11:01

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Subtração

Ainda dói fazer certos caminhos
Ainda dói perceber você em pequenas rotinas
Continuo desaprendendo você
Num exercício, lento e rotineiro
De reconstruir sonhos, vontades e desejos

Mais um retalho na colcha que nunca ficará pronta
Um canto seu, delimitado num infinito só meu
No qual estarão todos os momentos vividos
Sonhos e desejos que existiram e existirão
Nesse limite do possível

O bem querer não findou
Mas o adeus foi inevitável
Que o tempo passe
Que a vida cure.

Ricardo Pereira,
Recife, 03 de fevereiro de 2014, 11:39