segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sem por nem que



Sem motivos aparentes
Sem tempo
Nem ente
Mas presente
Sem por nem que

Uma ausência
Um nó
Um receio
Apenas um não saber
Ou algo vai acontecer
Sem por nem que

Hoje não liguei a TV
Sem “on”
Sem “off”
Sem som
Nem imagem
Sem por nem que

Imerso
Quase hermético
Serrado
Quebrado
Mas vivo
Mesmo sem por que
Nem para que
Triste.

Ricardo Pereira,
Recife, 03 de dezembro de 2012, 21:55

sábado, 24 de novembro de 2012

Um novo amanhã.




                Ter cuidado, pensar bem antes de escolher um caminho, tentar prever as possibilidades, tudo a partir do que vivemos até então e do que vemos agora. Julgar, decidir escolher, acreditando que as observações pertinentes irão mudar, ou melhor, diminuir, o risco de algo negativo ou ruim acontecer.
                Verdade ou ilusão?
                Fato: nunca saberemos.
                O amanhã é e sempre será uma incógnita, mas nossos atos têm consequências e mudam a todo tempo nossa trajetória, criam novos vieses, porém, não acho justo que estanquemos nossas vidas, até concordo que algumas pausas sejam necessárias de acordo com os percalços vivenciados, mas pausas, apenas pausas.
                Olhar para trás, desaprender o que não está certo e aprender de forma correta, este sim é um grande desafio, crescer.
                O risco da vida é viver, não há um mapa que nos diga o caminho correto, ele é feito no dia a dia, como um artesão que talha a madeira, talhamos nossas vidas continuamente, parar é morrer em vida, mesmo que por um tempo determinado, é perda que não se repara, apenas se esvai.
                 Então, lutemos para que nossas pausas sejam curtas, pois elas existirão, e nessas pausas que consigamos enxergar além da neblina que nela se instala, há possibilidades e esperança em todos os lugares, precisamos estar abertos para enxergar.
                E sim, tenhamos cuidado, pensemos melhor antes, mas que não deixemos de lado os nossos instintos, o nosso coração, pois o amanhã só saberemos quando acordarmos.
Ricardo Pereira.
Recife, 25 de novembro de 2012, 00:17

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sementes de Esperança



Tenho plantado sementes de esperança
Tenho regado sementes de esperança
Mesmo na terra escura
Aparentemente sem vida
Um tanto seca
Tenho insistido nas sementes de esperança
Alguns brotos começam a sair
A buscar o sol
Alimentando a planta

Fotossíntense
Seiva
Folhas
Força, vontade de viver
Crescer

Esperança que se entrelaça
Fortalece
Floresce
Frutifica
E volta a semear

A terra vive
Respira
E os novos ciclos se renovam

Verde.

Ricardo Pereira,
Recife, 19 de novembro de 2012, 21:39

quarta-feira, 25 de julho de 2012


                O que faz com que alguém não consiga confiar em nada nem ninguém, qual razão, motivo, que consegue impregnar com tamanha falta de esperança o olhar pelo outro?
                Confesso que até certo ponto, tenho uma pontinha de inveja, mas que desvanece na pontinha mais ínfima que existe. Já compartilhei algumas experiências de vida, geralmente profissionais, com pessoas desse tipo, que não conseguem de modo algum, confiar, ou acredita que algo positivo possa vir do outro.
                Engraçado como geralmente estas pessoas, na minha observação, conseguem se interessar, ter mais proximidade, com pessoas vis, a partir deste ponto, começam minhas elucubrações.
                Seria mais fácil manter estas relações por haver uma identificação, no fundo quem não confia, não merece confiança?
                Se a pessoa não presta, não terei muitas surpresas?
                Quem não confia tem uma visão distorcida da vida, logo é um cego?
                Bom, realmente não sei explicar porque algumas pessoas agem dessa forma, mas uma coisa eu sei: não gosto, me angústia, não me faz bem.
            Existe momentos que temos que conviver com tipos assim, e realmente não sei o que fazer ou como agir, existe alguma forma de anular a nebulosidade intermitente deste ser, caso sim ,alguém me  diga.

Ricardo Pereira,
Recife, 25 de Julho de 2012, 22:27

terça-feira, 24 de julho de 2012

A moça na janela.

Havia uma moça na janela
De lá, tudo ela via,
Havia um novo horizonte,
E uma ponta de medo ela sentia,
Como se algo estivesse para acontecer.
Observava!

Naquela noite amarela,
O vento soprava leve e fresco,
Dando uma leve tranqüilidade no ar
Que apenas era quebrada pela sua impressão,
Aquela sensação de que algo estava fora da ordem,
Fora do eixo, mesmo parecendo tudo perfeito.

Assim continuava tranqüila,
Observando a tudo e sentindo a brisa,
Que batia levantando levemente a sua saia branca .
Uma certa liberdade lhe corria o pensamento e a alma,
Fazendo por vezes a má impressão desvanecer,
Por alguns segundos

Ela continuou ali parada,
Por uma eternidade de instantes,
Sentindo as impressões incertas,
Na sua vista concreta
De um horizonte etéreo.

Sérgio Pereira,
Luanda, 17 de outubro de 2007, 22:50.

Raiva


Desejos que desnorteiam a razão
Deixam pensamentos no chão
Vontades desconcertantes
Inebriam meu semblante

Indecisos pensantes
Sádicos
Cínicos
Errantes

Bichos escrotos
Rotos
Vão se fuder.

Ricardo Pereira,
Recife, 24 de Julho de 2012, 23:19