quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Sentir

Sentir, sentir, por mim, por você,  por quem está longe, por quem está perto, por quem se foi e deixa uma ausência que não se preenche. Uma marca, uma cicatriz,  que fica num looping do tempo vivido, a cada piscada de lembrança,  como um membro fatasma de um  amputado, não está mais lá,  mas está.

Sérgio Pereira,
Recife, 13 de agosto de 2014, 23:24

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Coisas que tenho e sou

Tenho por princípios não esperar
Tenho a razão como lógica
Quero objetividade,  como se natural ao mundo fosse
Tenho minhas verdades, mas há um medo de convicções
Vivo impulsos com lampejos de minhas razões
Por vezes foi preciso voltar para por um ponto, um fim
Me contradigo em expectativas, que a razão não muda
Mas tenta abafar
Inicio coisas sempre com esperança
Tenho o pessimismo como prudência
Mas padeço de um otimismo altista
Que me faz projetar sonhos e nem sempre realizar
Brinco de controle, sabendo que não existe
Consigo rugir como um leão, mas sempre com um plano de evasão em mente
Amo desafios, sempre os escolho,  mas reclamo quando os consigo
Gosto de quase tudo, sigo correntezas
Mas sei aportar e usar: motor, vela e o que for preciso pra mudar direções
Tenho sentido um desejo enorme de algo que não tenho
Já posso ter tido e talvez nunca terei
E por vezes penso não existir
Mas os anos me trouxeram ums fé ligada ao meu otimismo altista
Que insiste em me devanear
Em possibilidades, que não sei.
Sérgio Pereira
Recife, 17 de julho de 2014,  00:12

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O tempo que se tem

Tempo de escolhas minhas
Tempo de não escolher ser escolhido
Tempo de não ter tempo para os tempos de outros
Tempo de ser só,  sem sentir-se sozinho
Tempo de enxergar o que não era visto
Tempo de crer, mesmo diante de tudo que ja foi visto
Tempo de esperar, desejar e viver
Tempo que para mim não será para você
Tempo de encontros, de se perder
Tempo de deixar o tempo ser o tempo que quer ser
Tempo que não volta, nem  vai correr
Tempo que não para
Tempo que se acaba, que se perde
Por escolha ou não escolher
Tempo que ajuda e atrapalha
Tempo que se arrasta
Tempo que acaba
Tempo que é morte
Mas que não sabe se é fim.

Sérgio Pereira,
Recife, 14 de julho de 2014, 22:51

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O novo nunca existiu

          Uma repetição atrás da outra, olho em volta e vejo repetições do que já vivi em outros grupos, na forma das relações,    na música que se ouve,  no intusiasmo por tudo, do mesmo modo que me sinto repetir o que outrora outros ja viveram. Fragmentos de vida, de atitudes, de pensamentos, soltos numa teia,  que vamos costurando numa grande couxa de retalhos, que faz com que a repetição tenha uma cara aperfeiçoada,  ou mais contemporânea,  porém,  não perdendo os ares de repetição.

          Somos um grande caderno de cópias,  so muda a caligrafia e o ritimo do enredo de cada um, alguns conseguem pular páginas,  apagar algumas linhas, mas não sinto que se consiga começar tudo realmente novo, como se nada antes houvesse.

           O novo nunca existiu, o novo é uma ilusão que criamos para sabotar a rotina, para nos sentirmos renovados, diferentes, esperançosos. Parece pessimismo pensar assim, e também pode ser um grande equívoco tudo dito, mas prefiro o questionamento a inercia do pensar. Antagônico a tudo, gosto de brincar de tudo novo de novo, gosto de tentar quebrar um padrão,  mesmo  isso não seja tão novo, como um todo, e sim apenas para mim, naquela fração de tempo que o novomou a ilusão dele existiu.

Ricardo Pereira,
Recife, 01 de maio de 2014, 22:02

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Falta tanta coisa, que....


                São tantas faltas, que ausência passa ser normal, tal qual, o fato de não ter e não praticar cidadania, de viver como se em guerra estivesse, pensando apenas no próprio umbigo, perdendo completamente a noção de coletivo, de bem comum. Honestidade passa a ser algo para se ressaltar, quando deveria ser natural, comum, parte de tudo, somos roubados e reelegemos quem nos rouba, reclamamos de tudo, mas me questiono: Fazemos a nossa parte?

                Educação, não apenas soletrar e juntar letras formando palavras, nem decorar a tabuada, mas sim, aprender a pensar, a questionar, a perceber que existem ângulos diferentes para olhar tudo. Temo dizer, mas: tudo está errado!

                Saídas diversas, mas para todas educação, para pensar e construir uma consciência comum de efeito dominó, percebendo que respeito e gentileza têm de ser algo fundamental.    

                Utopias! Adoro pensar nelas como se este fosse um exercício de fuga, para o que vejo e vivo.                             

                Brasil, mundo, copa, especulação financeira, ricos, pobres, miseráveis, o surto da classe média brasileira, a síndrome Gourmet, viajei e tenho que contar pro mundo, dei dois passos e me auto-paparazzizzei no Facebook , Instagram ou qualquer outra rede social que se use. Uma necessidade emergencial de provar quem sou pro outro, mesmo que não seja eu de verdade e sim uma projeção do que eu gostaria que fosse, ou do que ache que os outros esperam ou querem de mim.

                Vivemos sós, mas estamos conectados com vários gadgets que nos conectam com todo mundo, e rompem a solidão numa ilusão de estar acompanhados, mesmo que não estejamos, perde-se contato, desaparece a surpresa. Um novo processo de relações, de interação, há uma liberdade, uma possibilidade de escolha como antes não havia, as fronteiras estão menores, tudo está mais fácil, mesmo que de  um modo a longo prazo, talvez, mais difícil, a vida ao toque do dedo, se perde do viver de antes, para a construção de o novo viver do amanhã, engatinhamos.

                Por vezes, me pego triste observado o entorno da minha vida, meio desconcertado com o que vejo, como sentisse que as coisas estão se perdendo, que os valores não estão evoluindo, mas se perdendo, ficando rasos, há um superdimensionamento de coisas pequenas, há uma exacerbação do “Eu” em quase tudo. Falta gentileza da moça que não dá a preferência no transito, apenas olha com abuso e acelera como se apenas ela tivesse o direito de receber gentileza, há uma estupidez incongruente com o Moço que briga com o outro apenas por causa do time que perdeu ou ganhou, ou com a massa que destrói tudo antes de depois de um jogo, há de fato, cada dia mais uma falta total do que costumamos chamar de civilização, de uma forma tão corriqueira que esquecemos o significado real de sermos humanos, ou talvez eu esteja completamente errado sobre o modo como penso.

                Quem tem continua tendo, quem não, engole a ilusão de que tem alguma coisa e que as coisas vão melhorar, o conhecimento é usado para alienar, sem alienação a sociedade não estaria como está, ninguém faz nada e tudo continua no seu lugar.

                Manda quem pode, obedece quem tem juizo, assim se vive no engenho, não é Coronel?

Ricardo Pereira,

Recife, 24 de abril de 2014, 17:11

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Felicidade?

A felicidade nem sempre é bonita
Varia e permeia dimensões
Do maginário ao real
Do concreto ao impossível

Pode ser a feia a mais bonita
A simples a mais complexa e difícil
O desejo perpétuo o fim de qualquer possibilidade

Surge na intermitência e nela existe.

Ricardo Pereira,
Recife, 21 de abril de 2014,  18:42


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Ta tudo errado, mas tudo continua igual

          Sigo buscando rumos e direções em mapas que nao sei ler, ajudas mágicas num GPS surreal, creio e sinto cada dia mais, que não é uma questão particular da minha pessoa, tenho o sentimento cada vez mais arraigado de que a humanidade em si, é uma sucessão de perder-se, que de tão natural,  se entende e se tem como certo.

          Perdição,  sim, é onde estamos e onde imagino nunca sairemos,  está na nossa essência e como parte desta, coibe e cega em massa a possibilidade mínima de contestação, as minimas oposições, mesmo na sua parcialidade de elementos é abatida, abortada e declarada alienada.

          Copiamos, mimetizamos tudo que vem antes, há sim  pequenos ajustes, ou melhor dizer, defeitos na reprodução, na repetição, que costumamos chamar de evolução, de crescimento, de civilização. Nos denominamos civilizados, inteligentes, e continuamos, salvo as novas alegorias, cada vez mais brutos, apenas temos mais camadas de verniz, de fantasia.

          Tudo existe pelo interesse, o altruísmo e uma ilusão altista e antagonica que confirma o que somos de fato. Seres que vivem numa busca por sobreviver, suavisada nas falhas de reprodução em alguns momentos e nem tanto em outras, no fim, estamos todos na selva, procurando,  comida, casa,  caça,  território,  procriar, sobreviver.

          Disfarçados,  em cargos profissionais, em titulos acadêmicos,  em postos de poder, tirando pra ter,  cerceando sem restrições para vantagem própria,  brigando por uma falta que poderá haver, que imprimimos aos mais fracos, deixando mais complexo tudo que poderia ser mais simples.

          Compramos um modelo, engolimos ele, aceitamos, e vamos piorando na réplica,  sem coragem para pensat diferente pra ser diferente, pois, tudo é grande demais para se tentar só.

          Mas há umas poucas almas que tentam,  há quem não desista, há uma esperança.

Ricardo Pereira.
Recife, 18 de Abril de 2014,  20:38

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Luto, subterfúgio, passagem


         São tantos os lutos que passamos ao longo da vida, olho para trás e reparo em todos os que passei, e quão importantes foram em minha vida, dos mais diversos: coisas, pessoas, lugares, significados, sabores, até memórias.

          Uma dor que se repete, uma dor inevitável, a perda, a ausência do que queremos, do que buscamos e achamos encontrar, do que tinhamos e se foi, de tudo que é nosso, ou que acreditamos ser e nao é mais, pois de fato talvez nunca tenha sido.

          A vida e seu milindres, suas particularidades, que tornam tudo tão diferente aos olhos de cada um, mas como transcender desse estado, quais subterfúgios podemos utilizar nesse caminho, que tem um tempo tão próprio? Realmente como em tudo que se trata da vida, não há uma formula ou uma resposta certa, tudo tem várias possibilidades e alternativas, de acordo com cada um.

          Logo, de fato, só posso falar do que já experimentei, do que uso e pratico: amigos, livros, trabalho, vinho, amigos, família, sexo, corrida. Sim, são coisas distintas, talvez não funcione para tantos, mas são estas as veredas que percorro em maior ou menor intencidade, e a coisa fundamental, aceitar, quando se aceita tudo fica mais facil, mais leve, como um balsamos sobre a ferida em cicatrização.

          Então, se pega todas as pequenas coisas que possam trazer alegria e vai se costurando um novo retalho, para remendar aquela ausência, são muitos quadradinhos, pontos justos, até que o remendo faça a ausência ser apenas a lembrança que deve ser, e quando tudo estiver ajustado, já não haverá mais dor, apenas a lembrança de que um dia foi.

         E sim, ficará marcado para sempre,será um cicatriz de passagem, que talvez te traga orgulho ou desapontamento, mas que se passou, tenha certeza, fez com que aprendesse algo.

Ricardo Pereira
Recife, 15 de fevereiro de 2014, 14:31

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A hora de voar

Hora de partir, desistir, recomeçar
Hora de decidir
Como saber
Como prever
Existe um sinal?

Escolhas de hoje
Respostas do amanhã
Que so chegarão pela vivência
Da dor e do prazer
Que sentiremos como respostas
Do escolher...

Percepção real ou imaginária
Até onde o que vemos é realidade
Ou apenas reflexo do nosso desejo
Ego ou imaginação

Pensamentos pairam
Sem razão lógica
Uma abstração de sentimentos
Soltos, que têm porque....

Mais como saber a hora de voar?


Luanda,  29 de agosto de 2006.
Revisto em Recife, 05 de fevereiro de 2014, 11:19

Sonhar sempre


Hoje, certo alguém me contou que havia deixado de sonhar, agindo simplesmente no modo automático e racional, mas que a partir desta reflexão iria tentar agir de outro modo: voltar a sonhar.              

Pois bem, eu sonho, sou um sonhador, mesmo que ache que não pareça, os tenho, e prático cotidianamente, em frações de tempo do meu dia, me permito devanear, e vagar por um mundo que não estou, e certamente isso alivia tudo. São mundos particulares, só nossos, que cabem apenas no infinito do pensar, sendo possíveis ou não, mas que possibilitam uma caminhada mais leve, que instigam numa busca de torna-los possíveis.  Não falo de fuga de realidade, nem de mentir para si mesmo, acredito que o sonho é um acessório que a vida nos deu, para nos catapultar em nossos objetivos e tornar mais leves momentos pesados.

Então, pratiquemos o sonho, realizemos ou apenas sonhemos, mas nunca fiquemos sem ele.

Ricardo Pereira.

Recife, 05 de fevereiro de 2014, 11:01

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Subtração

Ainda dói fazer certos caminhos
Ainda dói perceber você em pequenas rotinas
Continuo desaprendendo você
Num exercício, lento e rotineiro
De reconstruir sonhos, vontades e desejos

Mais um retalho na colcha que nunca ficará pronta
Um canto seu, delimitado num infinito só meu
No qual estarão todos os momentos vividos
Sonhos e desejos que existiram e existirão
Nesse limite do possível

O bem querer não findou
Mas o adeus foi inevitável
Que o tempo passe
Que a vida cure.

Ricardo Pereira,
Recife, 03 de fevereiro de 2014, 11:39

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Quebrando as correntes do mal


Tenho sido acometido por uma raiva sem precedente, mas em nenhum momento a deixei tomar conta de mim, dos meus atos. Tenho estado cansado de ser engando, de ser tratado como se não importasse, pelo Estado, pelas pessoas, pela mídia, por todos e tudo aquilo que faz uso da visão apenas para olhar o próprio umbigo.
Não sei o que fazer, mas em algum momento o copo transbordará, e valha-me Deus, não ocorra um “ Dia de Fúria”.
São chefes que não sabem ouvir, centralizam e colocam a culpa nos outros, são pessoas que não sabem amar e saem por ai seduzindo e destruindo os sentimentos alheios, políticos que aprovam leis que não seguem e roubam de quem não tem e de quem tem, é uma sucessão de injustiças irreparáveis, que exprime a mais pura humanidade no seu lado podre e que existe dentro de todos.
Ficamos sem voz, ficamos sem explicação, há um silêncio covarde que nos é imposto e uma mouquidão  para o que dizemos. Ausência, inercia, apatia, como quebrar essa onda malévola que sempre existiu, como brincar de o bem vence o mal até que passe a ser real?
Talvez nada nunca mude, ou a mudança seja tão lenta que não percebamos, cada um fazendo a sua parte tudo mudará, mas fico pensando, e cada um que desfaz o que foi feito, soma e subtrai, igual a zero, nada.
Não consigo pensar numa solução, mas tem de haver uma reação, tem de haver um principio para mudança, com força, temos que demonstrar nossa insatisfação, mesmo que pareça contraditório, não creio na violência, não falo de agressão, mas sim de um posicionamento sobre as coisas, ter a coragem de se posicionar, discordar, e argumentar  quando ouvir ou ser acometido por um absurdo, algo que você jamais diria ou faria.

Quebrar essa corrente de caras-de-pau, que fazem o que querem, que de tão absurdos deixam todos apáticos.
 

Ricardo Pereira
Recife, 30 de janeiro de 2014, 11:55

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ciclos

O feliz se fez triste
O sonho acabou
A maldade venceu
Mas o bem não morreu
Nem se estragou
Foram quatro
No quatro
Em quatorze
O silencio covarde se instaurou
Morre tudo
Apodrece
Decompõe
E renasce
Ricardo Pereira
Recife, 29 de janeiro, 2014, 23:33

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Explosão


Falta-me um braço
Não há beijo
Nem cheiro
A textura do toque
Perdeu-se
E uma euforia explosiva
Nasce como um vazio
Que não sei dizer
Mas sinto
Engulo
Engole-me
Sufoco
Grito Mouco
Penso que vou morrer aqui
Quero fugir
Planejo mudar
De casa, de bairro, de cidade, pais, mundo
Ainda estou aqui
E o tempo ainda não passou.
Falta-me um abraço

Ricardo Pereira
Recife, 27 de janeiro de 2014, 17:32


Há uma falta
Um vazio de algo que amputei
Um membro fantasma que sinto sem que esteja mais lá
Há uma saudade
Que grita erro, mas não mostra acerto
Há uma quebra
De sonho, de desejo, de dois
Há uma constatação
Que me deixei enganar
Há uma tristeza
Que não sei parar
Há uma vontade
Que não tenho como aplacar
Há o tempo
Para esperar
Há uma ferida
Que ainda não parou de sangrar
Que lateja e dói sem parar
Há uma dúvida
Que sempre existirá
Há um silêncio
E nada mais.

Ricardo Pereira.
Recife, 27 de janeiro de 2014, 10:16