quarta-feira, 25 de julho de 2012


                O que faz com que alguém não consiga confiar em nada nem ninguém, qual razão, motivo, que consegue impregnar com tamanha falta de esperança o olhar pelo outro?
                Confesso que até certo ponto, tenho uma pontinha de inveja, mas que desvanece na pontinha mais ínfima que existe. Já compartilhei algumas experiências de vida, geralmente profissionais, com pessoas desse tipo, que não conseguem de modo algum, confiar, ou acredita que algo positivo possa vir do outro.
                Engraçado como geralmente estas pessoas, na minha observação, conseguem se interessar, ter mais proximidade, com pessoas vis, a partir deste ponto, começam minhas elucubrações.
                Seria mais fácil manter estas relações por haver uma identificação, no fundo quem não confia, não merece confiança?
                Se a pessoa não presta, não terei muitas surpresas?
                Quem não confia tem uma visão distorcida da vida, logo é um cego?
                Bom, realmente não sei explicar porque algumas pessoas agem dessa forma, mas uma coisa eu sei: não gosto, me angústia, não me faz bem.
            Existe momentos que temos que conviver com tipos assim, e realmente não sei o que fazer ou como agir, existe alguma forma de anular a nebulosidade intermitente deste ser, caso sim ,alguém me  diga.

Ricardo Pereira,
Recife, 25 de Julho de 2012, 22:27

terça-feira, 24 de julho de 2012

A moça na janela.

Havia uma moça na janela
De lá, tudo ela via,
Havia um novo horizonte,
E uma ponta de medo ela sentia,
Como se algo estivesse para acontecer.
Observava!

Naquela noite amarela,
O vento soprava leve e fresco,
Dando uma leve tranqüilidade no ar
Que apenas era quebrada pela sua impressão,
Aquela sensação de que algo estava fora da ordem,
Fora do eixo, mesmo parecendo tudo perfeito.

Assim continuava tranqüila,
Observando a tudo e sentindo a brisa,
Que batia levantando levemente a sua saia branca .
Uma certa liberdade lhe corria o pensamento e a alma,
Fazendo por vezes a má impressão desvanecer,
Por alguns segundos

Ela continuou ali parada,
Por uma eternidade de instantes,
Sentindo as impressões incertas,
Na sua vista concreta
De um horizonte etéreo.

Sérgio Pereira,
Luanda, 17 de outubro de 2007, 22:50.

Raiva


Desejos que desnorteiam a razão
Deixam pensamentos no chão
Vontades desconcertantes
Inebriam meu semblante

Indecisos pensantes
Sádicos
Cínicos
Errantes

Bichos escrotos
Rotos
Vão se fuder.

Ricardo Pereira,
Recife, 24 de Julho de 2012, 23:19

domingo, 22 de julho de 2012

Desejo, poder, perversão.


                Interessante perceber como algumas pessoas gostam de brincar com o poder que exercem sobre as outras, como um gato que brinca com o ratinho que pegou e que nem vai comer. Há uma crueldade não assumida nesses comportamentos, que faz parte da nossa rotina social, das nossas relações, como uma arma no exercício de desejar e ser desejo.
                Algumas pessoas abusam desse poder, e nisso perdem a sua beleza, porém para quem deseja, perceber isso nem sempre culmina em realizar a sua posição de vítima, mesmo que,  espontânea da situação. Alguns jamais conseguem de desvencilhar e se submetem ao poder que fornecem ao malvado em questão, homens, mulheres, vitimas do que almejam e acabam confundindo com o que enxergam como o mais próximo daquilo que de fato se quer.
                Tão difícil conseguir quebrar esse padrão, mas quando se aprende, as coisas podem se tornar menos complexas, ao menos, a identificação dos praticantes dessa arte de brincar com a presa.
                Escolher quem de fato nos quer bem, não é fácil, parece que somos ensinados a querer certos modelos, que na realidade, não existem ou não funcionam. Sonho tem de ficar no lugar do sonho, pois a realidade sempre é superlativa, com faces que os sonhos não contemplam. Outro ponto instigante nessa busca pelo objeto do desejo, é que alguns confundem o desafio da conquista com a impossibilidade dela, simplesmente negam a impossibilidade e encaram tudo como desafio, alimentando mais ainda a quem seja predisposto a perversão de brincar com sentimentos alheios.
                Desse modo a roda gira, a vida acontece, uns sofrem por querer, outras se chateiam por serem preferidos, uns conseguem perceber a diferença entre miragem e realidade, outros se jogam sem perceber o buraco. Vivendo e aprendendo a viver, nem  sempre se ganha, nem sempre se perde.....

Ricardo Pereira,
Recife, 22 de julho de 2012, 15:51

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Combustão de pensar


                Pensamentos, desejos, planos, estratégias completas que nascem num piscar de olhos, de um momento para o outro, iniciados por algo ou alguma coisa que não  consigo precisar, nem saber, eclodem numa infestação latente, de uma combustão espontânea, rápida e intensa.
                Como num desencadear sucessivo de revelações, quero, posso, sinto e sei tudo que preciso, tudo que é necessário, datas, lugares, ordem, inicio, meio e fim, para absolutamente tudo que for pensado nesse lampejo.
                Uma revolução se revela, e tudo parece tão logicamente fácil, que acredito piamente que tudo pensado, simplesmente, se fará.
                Como falei, é uma combustão, um súbito, e como tal, se perde pela intensidade que chega, não tem como guardar, armazenar, alguns resquícios pairam depois do ocorrido, porém a força que explode no ato, não consegue se resgatar. 

Ricardo Pereira
Recife, 18 de julho de 2012, 21:35.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Confiar ou desconfiar?


            Sinto como se fosse algo instintivo, que se forma a partir de leituras quase que inconscientes do que observamos, nesse ponto, falo de primeiras impressões, da leitura instantânea que fazemos do outro, mas que por razões da nossa racionalidade precisamos testar e confirmar.
            Deixamos de lado, o visceral, que nos fala de forma indelével, porém, que não se arraiga a um “por que” lógico e racional. Somos educados para saber o porquê, para não acreditar, para desconfiar, nesse raciocínio, no qual, a lógica vai se formar a partir dos fatos que observamos, com base em ângulos que nem sempre nos trarão um panorama completo da situação.
            Uma sucessão de recortes, como numa colcha de retalhos, que de forma associativa, e ouso dizer especulativa, nos atrevemos a coser, com isso, vamos alimentando a nossa razão, e nos alicerçando para a escolha de: confiar ou desconfiar.
            No meio dessa justificativa para a confiança, podemos também ser vítimas, dos  jogos que nos cercam, dos que também como nós, observam, afinal somos todos vitrines, uns para os outros. Há quem se aproveite destas situações, do mesmo modo , que há quem não perceba absolutamente nada, para esse caso, acredito serem os mais sortudos, pois, uma certa inocência, mesmo que para alguns possa parecer ou ser burrice, em certos casos, poderá ser extremamente benéfico, um bom nível de cegueira e um bocadinho de ignorância.
            Tem gente distribuindo credibilidade como santinho de político, aproveitando-se dos vieses, dos pontos cegos, para implantar suas estratégias, sendo mais radical, podemos pensar nos psicopatas,  sejam eles de grau leve ou não, mas também creio que mesmo os não tão doentes assim, dependendo da forma como enxergam, ou como compreendem, moral e ética, também praticam suas dissimulações propositais.
            No meio disso tudo, estamos todos nós, que nos deixamos levar em algum momento, e sofremos com tudo isso. Escolhas errada poderia dizer, mas que nem sempre são evitáveis. A verdade tem sempre sua relatividade, dependendo do ângulo que enxergamos, para além,  que a verdade que não é minha  ou que não me é confortável ouvir, poderá ser usada como mentira, melhor expurgar que admitir, negar do que racionalizar, mesmo que depois ela possa vir ecoar no pensar .
            Creio que a forma mais fácil de resolver, seria simplesmente perguntar, questionar, mas sinto, sei e percebo que é na realidade o mais difícil, cada dia vejo as pessoas preferindo ficar com suas colchas remendadas, e com isso, perdendo amigos, amores, verdades, relações nos mais diversos níveis.
            Somos uma sociedade visual, mais vale o que parece do que o que é, mais vale uma verdade subentendida, que um pergunta respondida olho no olho.

Ricardo Pereira,
Recife, 17 de Julho de 2012, 21:49

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Minhas lembranças eternas


                Sabe quando se é atingido por uma sequência de memórias boas, de um tempo que foi, de um tempo que não volta, de quando tudo foi tão bom que quando se olha para trás, o que houve de ruim ou duvidoso, parece apenas ter existido para tornar realmente tudo que houve especial, sim, como um contraste necessário para garantir que certas cores e  momentos, se sobressaíssem.
                Um tempo que as risadas eram fluidas, que cabeças diversas e diferentes tinham um pensamento compartilhado, um tempo onde dizer eu te amo era o verbo mais  conjugado, uma fraternidade, que penso eu, jamais tornarei a experimentar.
                Olho para essa eterna lembrança, e fisicamente, sinto, a energia que existia, a força que nos envolvia, a festas programadas ou não, a comunhão nas mais diversas horas, dionisíacas ou não. Lágrimas, risos, conversas sem fim, uma vontade pungente por algo maior, um desejo pleno por ir além.
                No meio desse turbilhão de lembranças, onde de forma curiosa e seletiva meu pensar se atém ao que significativamente foi bom, minha razão, como de costume sussurra alguns antagonismo, que são irrelevantes.
                Quero a lembrança do Super-Mouse na praia de Tamandaré, do Hino da Bandeira, da trilha sonora U2, de noites regadas a vinho, vodka, whisky, rum e alegria muita alegria, dos violões tocados, dos cantos entoados, dos fondues degustados, dos pães amassados, do apartamento dividido, do loft dos amigos, das universitárias morando juntas, do expresso 2222, do diamantino, do bar da COHAB que não lembro o nome, de um fusca amarelo, do lança perfume, Balança a Rolha, das descobertas, da aceitação, de tudo que faz parte da construção do que sou hoje, do que serei amanhã.
                Os caminhos mudaram, as escolhas nos separaram, com a naturalidade que só a vida imprime, tudo mudou, tudo se renovou, mas o que foi é imutável.
                Guardo o que foi, tão bem guardado, tão bem cuidado, que me permito vez por outra, abrir, olhar e sentir.
Obrigado.
Ricardo Pereira,
Recife, 16 de julho de 2012, 23:17.

domingo, 8 de julho de 2012

Uma noite possível!


                Tudo parece tão distante e impossível, gente por todos os lugares, pouca luz, música feliz e alta, numa batida eletrizante que reverbera por todos os cantos, por dentro e por fora, todos dançando num único ritmo, como se fossem um.
                Músicas atemporais tocam uma atrás da outra, levando todo o grupo a uma viagem, no tempo, ao passado, tocando todos de diferentes formas, de acordo com suas memórias, escolhas, caminhos.
                Reações são engolidas, abortadas, dissolvidas com álcool, misturadas com a euforia da batida, coisas que costumamos fazer, como se nada precisasse ter uma razão, um sentido, apenas o momento, mesmo que efêmero, mas intenso. Como se tudo fosse para sempre, dança, movimento, corpos, olhares, swing e a sensação de felicidade, que invade.
                 Braços para cima, sorrisos no ar, olhares a se cruzar, seduções a se concretizar ou frustrar, jogos, brincar, pegar, sentir, beijar, ir pro cantinho, dançar juntinho, soltar, voltar, começar de novo, até o sol raiar, até a noite acabar, até o som parar.
Ricardo  Pereira,
Recife, 08 de julho de 2012, 21:51