terça-feira, 26 de julho de 2011

Sobre o Tempo e os Padrões

Por que temos que respeitar a cronologia, temos tempo para tudo, tempo para se vestir de um modo, tempo para cortar o cabelo mais ousado, tudo tem uma hora ao menos é o que a sociedade nos imprime e prega.
Você está muito velho para isso ou para aquilo, mas as pessoas se esquecem que nem sempre sentimos o tempo como o mundo quer que sintamos, que mesmo que a pele exponha e a ruga fale, às vezes 10 anos parecem que foi ontem, de uma forma tão natural que sentimos o cheiro, o gosto, o toque, num ato de lembrança tão automático que o tempo por segundos morre, não existe torna-se agora.
Nesses momentos podemos experimentar de tudo, do doce ao amargo, saudade saudosa e apaixonada ao rancor bolorento, sem tempo nem hora, mesmo assim, tudo e todos insistem que tudo tem uma hora e que tudo passa, acaba.
O acabar, da maneira como se olha pode ser tão subjetivo, pois nada realmente acaba, somos como uma máquina que grava tudo, até mesmo o que não nos damos conta, exceto quando degeneramos  nosso neurônios e mesmo assim o passado se torna mais forte com cara de hoje.Contra tudo isso temos que respeitar o padrão  que alguém decretou e todo mundo absorveu e mesmo quando lutamos contra, uma hora somos vencidos, perdemos a força para lutar de correr contra o vento, simplesmente desistimos e seguimos o fluxo cômodo e fácil do que nos é dito e enfiado como correto.
Apesar de sermos diferentes, nós, quanto sociedade preferimos o igual, tentamos quebrar a todo custo o naturalmente diferente e colocamos  tudo em fôrmas de gesso, para seguir o padrão. Mais fácil de manipular, de alienar, de criar desejos, somos lobotomizados todos os dias o tempo todo, que não questionamos nem lutamos mais, é sempre mais fácil aceitar. Sonhar com aquela casa branca com o gramado verde e uma cerca de tábuas brancas, com um céu azul e um horizonte radiante, tudo como uma propaganda de margarina, compramos a roupa dos modelos perfeitos mas nosso abdômen não é de tanquinho, nos enquadramos, dietas, leituras, atualizações, padrões e mais padrões, temos que seguir o fluxo, senão ficaremos obsoletos, rejeitados, esquecidos mortos no tempo e no espaço.
Nessa busca pelo padrão vivemos, mas de certa maneira sinto que olvidamos de viver, esquecemos por muitas vezes do que importa de verdade, as relações, os que amamos, esquecemos o simples e acreditamos piamente que todas essa complexidade que vivemos hoje é simples e necessária, que o contrário disso é não viver, é fracassar.
Somos engolidos e não sei se há como lutar ou como fazer diferente, pior, se existe realmente uma forma diferente de seguir nesse mar revolto que nos acostumamos a chamar de vida?
Ricardo Pereira,
Recife, 26 de julho de 2011, 23:36.

Faltou alguém para dividir uma Heineken!

Hoje me disseram que têm planos para mim, mas não me contaram exatamente como é e o que disseram não me agradou muito, digamos que me deixou reticente. Um dia repleto, com muitas demandas, como se todos precisassem de alguma coisa de mim, para além do que já havia como rotina.
A rotina acabou, digo o trabalho, voltei para casa, pensando em ficar leve, planejando colocar em prática várias coisas que tenho protelado e que são de extrema relevância para mim, então fui correr, corri para o lado oposto ao que sempre corro, quebrei essa rotina, o vento estava forte, em vários momentos o pensamento: como é ruim correr contra o vento, andar contra a vida, ir ao contrário do fluxo, se repetiu na minha mente.
Oxigenei, voltei cheio de pique para casa, certo de dar continuidade aos meus objetivos notívagos, comi o que queria e ao lavar o que usei percebi que a minha pia estava vazando, então tudo desandou , faxina! Pensar em ir na Ferreira Costa amanhã, conseguir um encanador que não me roube, fora o momento domestico que rolou, pelo lado bom gastei mais energia.
Banho, depois de tudo, a vida continua, e nem tudo está perdido, olhar para frente e esperar e fazer um amanhã diferente.

Ricardo Pereira,
Recife, 26 de julho de 2011, 22:32.

domingo, 24 de julho de 2011

Pantim de domingo.

Tristeza de domingo chegou ao fim da tarde, sinto que já estava à espreita desde cedo mostrando lentamente sua presença até se achegar num formato de oco, vazio.
Deixou o meu semblante levemente abatido ressaltado principalmente no olhar, um espelho das interpelações que eclodem de forma incongruente na minha cabeça.
Círculos, dando a volta sempre pro mesmo lugar?
Tantos desejos, tantas vontades, tempos desencontrados, freqüências não sintonizadas, desejos, sonhos, arrependimentos, todos tão iguais, tão comuns a todos. Apenas uma tristeza de fim de domingo, que faz o pensar focar no triste e querer veementemente o feliz que já se fez que ainda se fará.
Falta de aconchego, que passa que se esquece e vez em quando, volta.

Ricardo Pereira,
Recife, 24 de julho de 2011, 19:46

Foto by me: Carnaval de Bezerros um domingo feliz!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Insonia rápida.

O sono fugiu
Estava aqui ainda agora
Foi-se
Mas vai voltar
Sinto ele me olhando
Com olhos de quem quer ficar

Ricardo Pereira,
Recife, 21 de julho de 2011, 23:42

terça-feira, 19 de julho de 2011

Hoje eu queria

Hoje eu queria uma inspiração
Que me fizesse transpirar poesia
Com beleza e sem melancolia.

Hoje, só por hoje,
Mesmo que não seja verdade
Eu queria a completude de uma vida em um dia.

Todos que eu amo comigo!
Esquecer o orgulho e ser apenas perdão,
Perder as mágoas
E ser leve, bem leve,
Como se é quando se ama e é amado de volta.

Hoje, só por hoje,
Um abraço, um beijo, um cafuné,
Um dia perfeito,
Com sabores, cheiros e cores, ímpares.

Hoje, só por hoje,
Eu queria um dia perfeito,
Para mim,
Para você,
Para o mundo,
Como um abraço forte, daqueles de sentir o coração do outro.

Ricardo Pereira e Marlon Meireles
Recife, 19 de julho de 2011, 21:48.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Um dia comum.

Parecia apenas mais um dia comum, rotineiro, sem surpresas, tudo foi como geralmente é, o ir e vir, trabalhar, voltar, comer, tudo tão igual, os mesmos hábitos ao voltar para casa, num ócio improdutivo que por horas permeia a vida de qualquer cristão. Eis que no meio do nada surge um lampejo fortuito que nem se quer queria parecer possibilidade, incólume de qualquer pretensão, fluido e harmônico fez-se palavra e sutileza, de uma forma sempre suave, mas sagas, inteligente e direta.
Houve uma lacuna de tempo e espaço, apenas ligada por um sms, seguido de uma impressão de dissolução, descontinuidade. Ledo engano! Surpresa ao toque de um telemóvel, conhecer um lugar novo,
Uma pessoa nova,
Conversar,
Rir,
Beber,
Comer,
Trocar olhares,
Não saber se as impressões estão corretas,
Ser surpreendido
E ficar.
                Ficar e querer repetir, e repetir, e lembrar, várias vezes, mas sempre de uma forma tranqüila, tenro como um lírio, como o inicio de algo que não se sabe, nascem pequenos brotos de cuidado, intimidade e atenção numa velocidade que nem a terra adubada pode explicar.
Apenas cuidar e esperar a florada chegar.

Ricardo Pereira,
Recife, 18 de julho de 2011, 22:05.

domingo, 17 de julho de 2011

Exposição de obrigado!

Domingo nublado e chuvoso, família e criança matutina, correr na areia, sentir os pingos dos chuviscos momentâneos, deixar sua criança interior sair e aproveitar os nuances de momentos que não voltam, curtir os detalhes sem se dar conta naquele instante, fazendo tudo tão natural que não se nota tamanha felicidade.
Sem lutas nem racionalizações, da maneira que sonhamos a vida: simples!
Tarde de despedidas, hora de  dizer:
- Até logo, amei estar com vocês, já sabem o caminho e voltas são necessárias.
                Chego em casa, e percebo o perfume de família e de lar que foi deixado neste lugar que sentia tão de passagem, como se um feitiço se instaurasse na atmosfera, modificando-a. Tento assistir um filme que se apresenta mediano e levemente enfadonho...correr, o sol frio, sem chuva, apenas belas nuvens cinza encobrem o céu.
                Corro, penso, ofego, respiro, ando, canso, ultrapasso meu percurso corriqueiro, um vento envolvente numa calçada quase vazia paralela a um mar turvo de horizonte cerrado, fechado, anunciando um chuva que talvez chegue.
                Lovely day!
                Caminho de volta, e começo a pensar nos rituais que criamos ao longo de nossas vidas,  um vento frio me faz pensar em vinho e somar com domingo, definitivamente, vinho e domingo, são uma combinação que simplesmente me remetem a um ritual meu, muito meu, que pode ser acompanhado ou solitário, mas que simplesmente me faz bem, como numa comemoração em agradecimento pelo meu ontem, pelo meu hoje. Uma maneira de dizer a Deus ou a qualquer outra forma de crença que exista: muito obrigado, pela semana linda, arrematado por um final de semana tão acolhedor.
                Então, comprar vinho, queijos, frios, tomar banho, deixar tudo prontinho ritualizando meu obrigado, e nesse caminho da compra ao beber, pensar em agradecimentos específicos como a pessoa linda que foi e é Rose (a moça vestida de sol) que está para sempre marcada em minha vida, mesmo que eu esteja sendo um garoto meio distante nesse momento, mas que  não me esqueço dela e quero e vou corrigir essa distância, agradecer ao cineasta que apresentou-me deve o resto de um filme de curtas Francês e que fez minha semana ganhar novas cores, agradecer a vida e ao ciclos que virão em sua amplitude por vezes antagônicas.
Ricardo Pereira,
Recife, 17 de julho de 2011, 18:18.

Foto by me, antiga com um sentimento parecido.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Acumulo , Despejo!

Um círculo sem saída, não posso escapar, preso dentro de mim do eu que construi: ócio, tédio, medos, especulações e uma total falta do concreto.
Sonhos e mais sonhos, nada de sentir mais, fazer e acontecer, apenas o olhar para frente, sem movimento, sem estar nem ser. Estático, assistindo ao tempo de encontrar quem sou esvair-se,  na real impossibilidade de contenção  me resta o desejo, a vontade e o querer, que me levam à fúria contida por um realizar frustrado de uma lembrança constante do que seria, mas não foi.
Cansado, e mesmo assim praticando auto-sabotagem. Seres humanos tão bons e tão ruins, que sinto, creio e penso que sem a dualidade que nos rodeia não seriamos quem somos....Esperar um milagre ou fazer acontecer ?

Ricardo Pereira,
Recife, 11 de julho de 2011, 20:36