quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Brincando de sonho

                Nesse momento tudo que quero é o tangível, algo concreto e possível, que venha por bem e para o bem, quero um horizonte de possíveis certezas, quero o alento de um toque singelo, quero conter e ser contido.
                 Neste momento eu quero você que não sei quem é nem onde está! Sim é verdade, eu quero algo perfeito que nem na minha imaginação está acabado, mas o quero concreto, de carne, osso e sangue e pra perfeição, terá defeitos e manias, porém, tudo com respeito.
                Nesse momento, uma mão um alento, conversa de travesseiro, risada, carinho, tudo num cantinho, que deve ser meu, seu, nosso. Deve ser a febre, um surto ou apenas um brincar de sonho.
Sérgio Pereira.
 Caruaru, 30 de setembro de 2010, 23:28

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Te amar não foi a coisa certa a fazer?

               Te amar não foi a coisa a certa? Entreguei uma vida por você, sonhos, desejos, a aspiração de futuro. Quantas promessas feitas, quantos discurso s inúteis, olho para trás e vejo que jamais sentirei o que senti, jamais viverei algo parecido com o que tive. Não sei voltar, não acho possível, não consigo, não e de mim.
                Juntos, éramos perfeitos, me sentia pleno, mesmo nas minhas falhas, um complemento harmônico do que sonhei pleno, mas algo aconteceu conosco, algo que não sei explicar, você sabe, você me fez chorar e sei que fiz o mesmo com você, feridas se abriram, conseguimos sarar, com tudo, as marcas ficaram. Ao longo dos anos alguns fatos foram recorrentes e novas marcas se estabeleceram.  – Como dói ter esta certeza!
                Certeza esta que me faz questionar se não poderia tudo ter sido diferente, mas não foi não há mais nada a fazer, o tempo passou não tenho como voltar.
– Quem se importa?
– Será que você se importaria?
                Tantas perguntas especuladas no meu intimo permanecerão para sempre sem resposta. Eu sinto sua falta, no fundo imagino que você talvez saiba, esta é uma esperança que carrego e ao mesmo tempo uma dúvida que seguirá comigo, sem resposta.                
                Você partiu, mesmo que não estivéssemos mais juntos, isso representou um ponto final, a ficha caiu. Houve tantos avisos dizendo que você iria, não consegui fazer nada, menti o tempo todo, para mim, para você, pro mundo. Era como se areia escorresse entre meus dedos, não há como segurar, mentir nessa hora, mesmo que para mim mesmo, foi, e é a melhor solução que consigo encontrar.
                – Eu sei, fui tão idiota comigo mesmo, não consigo ser diferente!
                Vendo tudo isso já dito, já vivido, será que não fizemos as escolhas certas? Será que já não havíamos protelado o suficiente? Perguntas sem respostas continuarão suspensas na minha imaginação, ainda tenho a esperança da salvação, continuarei levando a minha vida, olhando para a marca que me deixaste, tendo a sorte, de ter aprendido disfarçar o suficiente, só não conseguindo dissimular para os mais íntimos.
Te amar não foi a coisa certa a fazer,
Como tudo pôde mudar o que eu sinto,
Se pudesse te daria o meu mundo,
Mas como posso, se tudo foi tirado de mim?
 Você pode seguir o seu caminho..

                Ficarei com o que tenho e farei do que tenho o melhor e mais bonito que eu poder, tudo será tão bonito do jeito que é, em alguns momentos sei que lembrarei de você, de nós, e poderei, pensar: e si? Mas creio que será passageiro e tudo continuará.
Te amor não foi a coisa certa a fazer?
Sérgio Pereira,
Caruaru, 30 de setembro de 2010, 00:36

A nova família

                O sangue que corre nas minhas veias, um símbolo dos laços que unem e ligam uma família, aprendi que devo: amar e proteger o sangue do meu sangue. Fui tão bombardeado deste tipo de educação, acreditei nela por tanto tempo que mesmo já conseguindo questionar, ainda não me sinto livre de todo, se é que exista uma liberdade para.
                A idéia de família mudou muito em mim ao longo da minha curta vida, já tive momentos radicais que beiravam a negação e outros que desejavam uma sustentação dela por ela. Como tudo que vai aos extremos, penso que cheguei ao equilíbrio ou em algo próximo do que poderia sê-lo, mas, uma coisa que definitivamente morreu na minha concepção foi à questão sangue, não consigo encontrar sentindo na união pelo sangue, não nego que ela exista, mas o sangue pelo sangue não passa de fluido vital.
                Agarro-me agora ao que consigo crer como laço real, o afetivo, não consigo perceber que como o sangue seja inquebrável e eterno (mera ilusão). Mais frágil, já que nele não há uma justificativa além da espontânea escolha, por isso, mesmo que mais translúcido e sutil é contraditoriamente forte. Sua força vem na empatia e no ato puro de escolher ser do outro: amigo, irmão, amor, respeito, verdade, força. Tem em si uma necessidade de consideração mútua, logo, há um cuidado e um pensar mais elaborado, próprio e natural ao laço afetivo.             
                Na falta da justificativa do sangue, a uma maior possibilidade destes laços quebrarem, deixando-os eternos em nossas lembranças, o vinculo pode acabar, pode até existir uma mágoa, mas a imagem fixada se perpetuará deixando sempre a possibilidade de uma reunião.
Tenho familiares que mesmo tendo o meu sangue, são completos estranhos a mim, mesmo que próximos, são estranhos, tenho estranhos que se tornaram irmãos, que os amo de forma tão intensa e somos tão comuns uns aos outros.
Não é que não haja um julgamento ou uma cobrança, não é que o amor seja menos, mas o amor dos laços escolhidos tem uma leveza e uma desobrigação inebriante. Esse mundo moderno que desfaz o sangue se lança cada vez mais nos laços escolhidos, tendo na família que escolhemos a nova família.
Sérgio Pereira,
Caruaru, 29 de setembro de 2010, 16:19

domingo, 26 de setembro de 2010

A estrada



                Peguei a estrada com tantas certezas, asfalto, vento, primeiros raios de sol da manhã, um horizonte agreste numa linha sem fim que me instiga. A cabeça numa mistura de lembranças, idéias e aspirações, não se fixa em nada, os olhos permeiam a realidade da direção e o turbilhão mental, estou em quinta os vidros baixos, não há sinal de vida, o barulho do vento tenta calar o som que sai do player, eu não pareço estar em nenhum lugar, divido entre o aqui o acolá, o hoje, o ontem, o amanhã. Meu pé pesa um pouco mais sobre o acelerador e o ponteiro do velocímetro acompanha com veemência, no meio de toda esta celeuma chega-me a pergunta: para onde estou indo?                        
                Volto para o corpo, o vento incomoda e fecho os vidros, o som está muito alto num gesto automático abaixo, tento restabelecer certa ordem, ao menos ajustar ações e pensamentos. Sai completamente da rota, não sei exatamente onde estou o sol a pino brilha e aquece tremulando a vista. Paro o carro bruscamente no acostamento, sobe um pouco de poeira, abro a porta rapidamente e ando ao redor, olho para todos os lados, meu rosto reluz o calor do sol e o expressa em suor, enxugo com a mão, e com olhos mais franzidos busco me situar e perceber as direções. Volto para o carro, ligo o ar-condicionado, respiro, tento relaxar por uns instantes, sem pensar em mais nada além do prazer daquele vento frio, não se passou nem um minuto direito e a realidade grita o que eu já sei, ou melhor, o que eu não sei: Para onde estou indo, onde estou? 
                Minha respiração acelera, e uma sensação de estar perdido novamente se faz presente, lembro do celular, sem sinal, uma ansiedade uma aflição. Acordo! Tudo não passou de um sonho, olho ao lado e está você, plácido no seu profundo sono, uma sensação de tranqüilidade me invade, volto a me aconchegar, seu braço cai sobre mim, o sonho já se esquece, meus olhos pesam, adormeço.

Sérgio Pereira,
Caruaru, 26 de setembro de 2010, 16:30

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Impressões "Duas Cantigas"


Vinte  horas e quinze minutos, mais ou menos por essa hora chego eu acompanhado de um amigo ao Museu da Casa de Farinha de Caruaru para assistir a um projeto musical chamado Duas Cantigas, concebido pelo músico caruaruense Valdir Santos. Antes de tudo começar vago pelo museu, observo fotos, artefatos, o ontem. Subo até o piso onde será realizado o projeto, vejo músicos em três níveis, diversos instrumentos percussivos, violões, um violoncelo, flauta doce, elementos que não são exatamente instrumentos, mas sinto que se tornarão.
                Com algumas pessoas já presentes, Valdir Santos abre a apresentação num bate papo descontraído, falando do que inspirou e motivou tudo aquilo, apresenta os parceiros e inicia o que seria uma grata surpresa para uma terça-feira rotineira. Arranjos criativos saltam-me aos ouvidos, numa mistura bem contemporânea de uma música brasileira, global, com nuances nordestinos, para dizer de onde vem. Voz e arranjos tornam todas as músicas extremamente agradáveis, mesmo que ouvidas pela primeira vez, um ambiente de familiaridade e cumplicidade formado no palco transpassa para platéia que absorve tudo aquilo com uma embevecida tranquilidade.
                Os cantores Valdir Santos e Almério costuraram as músicas com estórias sobre as mesmas, refletindo sua arte, suas lembranças, sua visão do mundo, elogios são trocados e toda uma dinâmica melódica se harmoniza com uma inocente naturalidade. A alegria despretensiosa da felicidade se instaurou naquele momento, assistia não só a uma apresentação musical, mas a entrega abstrata que apenas pode ser sentida e não mensurada.
                Confesso que custou-me acreditar que estava tendo acesso a arte de qualidade, tão incomum para nossa realidade, para o nosso tempo, que tudo é tão descartável e propositadamente comercial. Depois da apresentação abriu-se um espaço para perguntas, onde houve muitas demonstrações de agradecimento e apreço pela iniciativa e se falou na necessidade da continuidade, criou-se então a esperança de uma possibilidade da arte como instrumento transformador.
                Imagino que todos saíram inspirados, e sei que isso gerou frutos, seja nesse texto que hora escrevo pelo simples prazer de me expressar, seja pelas melodias que ficaram ecoando em nossas cabeças, pelo encontro inusitado de pessoas que jamais foram a  um museu, pelos simples fato da apreciação.

Sérgio Pereira, 
Caruaru, 21 de setembro de 2010, 23:45

 

O mundo moderno e seus males


                 Não sei se devo usar moderno ou contemporâneo, bem, voltando, as pessoas se encontram, acho forte dizer se encontram, as pessoas ficam, maravilham-se momentaneamente umas com as outras e naquele momento parece não existir mais nada, tudo acaba se suprindo, carências, desejos, medos, uma descarga instantânea de completude.
                Logo depois não sentem mais nada ou se sentem suprimem, assim surge o assunto recorrente, ao menos, nas minhas observações, em várias rodas de conversas: tantas pessoas reclamam de solidão, de não encontrar ninguém interessante, tanta gente sozinha querendo alguém, mas ninguém se encontra. Surgem os relatos: encontrei tal pessoa foi tão perfeito, trocamos telefone e ninguém ligou, fica cada um de um lado esperando ou ninguém espera nada e só reclama depois, fora os que ligam e são considerados carentes demais então não servem, logo, todos continuam nas suas buscas.
                Será que a contemporaneidade não se baseia em estar com alguém, mas em continuar buscando alguém? Começo a me questionar sobre isso. Aos meus olhos tão empíricos a busca hoje é tão mais valorizada do que objetivo em si, casais estáveis acabam tudo pela busca, pois o objetivo eles já tinham. A palavra de ordem é insatisfação em todos os níveis da vida, não temos o suficiente nem o que queremos e quando conseguimos tudo que queremos, começamos a querer novas coisas de uma maneira constante e intermitente, assim, fico pensando sobre as filosofias orientais, sobre a quietude e a paz interior, esquecemos tudo isso ou nem se quer um dia registramos tais possibilidades como possíveis.
                As pessoas perderam seu sentido abstrato de sentimento e tudo agora é valorado pelo que aparenta pelo o que pesa, somos pedaços de carne pendurados no açougue, a cultura fast food converteu-se no fast fuck , dentro disso, somos zumbis pelas ruas. Sei que sou meio chegado a um drama, mas se não estamos nesse ponto estamos muito próximos disso, não consigo imaginar que algo venha a mudar esse fluxo ou a direção do que vem ocorrendo.   
Estamos fadados a uma certa solidão, pelo simples fato das idéias concebidas, pois cada vez mais temos implícito como programação tipos específicos do que queremos, o tal príncipe ou princesa encantados, porém, pelo caminho encontramos, bobos, sapos, duques, duquesas, bruxos e bruxas, e algumas vezes quando encontramos os tais depois de um tempo os tais deixam de ser o que eram.
                A grande questão é:  os outros mudam, nós mudamos ou simplesmente tudo muda e na falta da tal quietude interior nos perdemos de nós e dos outros?
                Males da modernidade: insatisfação constante, querer sempre o que não se pode ter, ter um sentido constante de solidão, depressão, e tantas outras coisas mais que inventamos que nos faz tão mal.
                O simples é tão mais fácil, mas temo que tenhamos uma profunda inaptidão de gostar do simples, logo, a rotina vira tortura, o igual torna-se insuportável e assim, optamos por continuar buscando, pois atualmente a busca tem mais valor que o objetivo.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

3.4 - 19.09.2010


Duas garrafas de vinho um chileno um argentino, queijos, damascos, risos, conversas de hoje, de ontem, do amanhã, afinidade....vamos embora....passaram 34 anos, uma aventura de momento, 123 km, mais um amigo, lugar inusitado, Famouse Grouse cowboy, pessoas inusitadas. A vida é mesmo fantástica, é nossa criação, basta que nos permitamos. Tudo bem existem conseqüências, mas quem precisa pensar nelas agora?
A música que tocava era um pagode, pessoas por todos os lugares, toscas, normais, exóticas, todos os tipos estavam por ali, o lugar meio que parecia um labirinto, mas existia um swing compartilhado no ar, talvez na realidade eu estivesse com vontade que existisse. Eu, numa dança tímida, de um ritmo que não conheço bem, sinto olhares por todos os lados, relaxo, abstraio, fico propositadamente meio cego, brinco com amigos.
Percebo ser percebido,  olhares trocados, fico na dúvida e um jogo de insinuações se inicia, tudo a uma distância longa, penso que não deva ser comigo, ando por outros lugares, mas sempre encontro o mesmo olhar, estou tão desacostumado, com tudo, tomo parte da brincadeira de forma natural. Paro num novo lugar e ao meu lado o mesmo olhar está, de forma mais intensa, mas sem definições, olhares, sorrisos, e nada além, de repente mais que de repente, se vai.
Não penso mais encontrar, porém, ele está lá, as primeiras palavras são trocadas, perguntas triviais, um toque, um beijo o fato efêmero do momento, dissipa-se.
34 anos se passaram,  tantas coisas vividas, coisas eternas  e efêmeras, sou o mesmo, mesmo diferente, existe alegria, medo, vontade, tudo que junto faz de mim quem sou, continuo sonhando muito, errando novos erros e acertando novos acertos, queria ser mais quieto mas a quietude ainda não chegou, as vezes me pergunto se chegará.

Sérgio Pereira, Caruaru 20 de setembro de 2010, 21:43
 PS. Especial obrigado: Manú (amigo irmão), Mi, Ana, vocês fizeram meu dia especial.

domingo, 19 de setembro de 2010

Mário Quintana : A Idade de Ser Feliz



Existe somente uma idade para a gente ser feliz,somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realiza-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encontrar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. Fases douradas em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.