quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A hora


A hora não vai passar
Até acontecer
Sei que vai esperar

Até lá,
Tudo que temos é um não saber
A dúvida do que virá
Do que será

Por isso, ela, a hora
Não vai passar
Nossos medos terão que ansiar
Para morrer ou se confirmar

Até acontecer
Aqui ou acolá
O momento do encontrar

Sérgio Pereira,
Recife, 29 de fevereiro de 2012, 22:59



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A bússola quebrou

Minha bússola parece que sempre aponta para a direção errada, quero verdadeiramente acreditar nesta máxima, é tão mais fácil do que simplesmente reconhecer que eu não sei ler, analfabeto da rosa dos ventos, vou me perdendo, enveredando em novos caminhos, estradas límpidas, ensolaradas e umas escuras e úmidas. Cruzo com outros perdidos como eu e com outros tantos fixados e estabelecidos, sábios leitores das direções.
E eu assim, perdido, mas uma vez, no meio dos achados, sem direção, ou sem vontade de seguir em mais uma vereda do labirinto, que cultivei, com a sabedoria que é própria dos que se perdem.
Paira uma dúvida, qual será melhor: encontra­­­­­­r­­­­­­­-se ou ser encontrado?

Perdido e cansado de ser otimista, de ser feliz, racional, sereno,  querendo cair um pouco, ser fraco, ir lá em baixo bem no fundo, vê se crio forças para seguir, para levantar, retornar a margem, a estrada, com forças para me perder novamente.

Queria ser mais fácil, gostar de “ai se eu te pego” , ficar feliz porque um time ganhou, gostar de cerveja e pinga da mesma forma que gosto de vinho, ter um prato preferido e não mudar nunca, porque ele é o meu preferido. Seria perfeito gostar de ficar sentado na praia cheia, tomando cerveja enquanto o sol arde, mas me perco disso tudo, meus gostos me isolam, não sei ler a rosa dos  ventos, nem me tornar amigo de infância de alguém em 05 minutos.

Eu sou um chato perdido, querendo me encontrar, querendo ser encontrado, quem sabe até enquadrado....

Fazer um corte de cabelo exótico
Usar uma roupa colorida de cores opostas sem ser um palhaço
Conversar com estranhos e falar da minha intimidade como se estes fossem íntimos
Me emocionar ouvindo Calipso
Ficar descolado e baladeiro
Me apaixonar irresponsavelmente
Não pensar em conseqüência
Não pensar
Não pensar
Sentir
Viver
....
Deixar de ser eu?


            Hoje estou nesses momentos, inconformado com tudo, a sorte é que passa e logo volto pro eixo, a energia sobe e tudo volta, do mesmo modo que tudo passa.

Sérgio Pereira,
Recife, 28 de fevereiro de 2012, 22:09

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Eu tenho medo.


Eu tenho medo, o tempo passa, e eu continuo com medo, alguns mudaram, outros nasceram, mas nunca desapareceram, não consigo saber o quanto de ruim ou de bom esse sentimento me traz.

Em alguns momentos eu agradeço a ele por existir, como um termômetro de proteção, em outros, no extremo oposto do agradecimento eu o amaldiçôo por me impedir de viver, por me coibir de escolher diferente.

Sinto e sei, que alguns nascem fruto do nosso aprender errado, social, familiar, desde infância, numa programação tão amalgamada, que penso não conseguir mudar, por mais que já realize outros cernes.

Brigo com meu perfeccionismo autista: a vida é muito curta para se preocupar com tudo.

Razão e emoção e seus eternos embates, fortes utilizadores do medo, como fonte de barganha, me vejo por muitas vezes no meio desse fogo cruzado,  criado e  alimentado por mim, como se eu fosse apenas um terceiro. 

Pensar é tudo que não queria, mas é da minha natureza, então, vou me moldando, me lapidando, aprendendo pelo caminho, olhando para trás, vendo alguns vultos, correndo um pouco mais, enfrentando fantasmas, matando dragões, mesmo com medo, vou seguindo, gostaria  que tudo fosse mais simples, mas previsível, mas não é, e talvez se fosse, eu iria querer o contrário.

Mas o fato é que tenho medo, como diria a Vanessa da Mata: Eu tenho medo do escuro, eu tenho medo do inseguro, dos fantasmas da minha voz.

Ricardo Pereira,
Recife, 24 de fevereiro de 2011, 00:24