domingo, 31 de março de 2013

Só que não


Alguém assumiu o meu desejo
Alguém teve a coragem que eu não tive
Alguém gritou o grito que era meu
E que eu guardava para que ninguém visse
Mas eu não aceito
Mas eu não assumo
Pois a ideia era boa
O conceito era perfeito

Amanhã talvez eu acorde
E admita que o feito era de fato meu desejo
E que na realidade a renuncia foi sempre minha
Só que não.

Ricardo Pereira,
Recife, 31 de março de 2013, 12:58

sexta-feira, 29 de março de 2013

A um passo


Eu queria não querer, mas eu quero
Eu queria não pedir, mas eu peço
Eu queria falar, mas não falo

Se eu beijo, eu quero um beijo
Se eu toco, eu quero um toque
Se eu  vejo, quero ser visto
Se eu ouço, quero ser ouvido

Se eu não concordo, eu respeito
Se eu não falo, não sou eu
Se eu falo, estrago tudo

Eu perco o que achei encontrar
Desconstruo o que pensei iniciar
Eu não sei concertar
Pois não sei se quebrou, ou já era assim

Metades desiguais
Metades possíveis
Metades complementares
Metades

As cartas mostram a lua
Pedem paciência
Mas o chão treme
E tudo fica ao meio

A um passo.

Sérgio Pereira.
Recife, 29 de março de 2013, 20:35

quinta-feira, 14 de março de 2013

O Certo, o saber e a ignorância


Às vezes sinto como se o caminho não fosse certo
Uma direção errada, uma informação desencontrada,
Uma desconexão que não consigo explicar nem para mim nem para ninguém.
Buscas e escolhas me rodeiam e não fujo,
Mas, e o certo, onde está,
Existe?

Tranquilo! Repito essa palavra
Por tantas vezes, como querendo que se fizesse verdade,
Questiono-me se tento me iludir,
E se tento, a pergunta inequívoca aparece, por quê?

Sito falta da ignorância
Da total e absoluta falta de conhecimento,
O não saber a escuridão,
Reflito muito se isso não seria a felicidade absoluta,
Ou apenas treva, ou ainda uma opção.
O saber tem um peso muito grande,
Mesmo que este seja vaidade,
E que a certeza seja apenas uma justificativa inventada
Pelos homens e para os homens

Divagações  do meu juízo
Instinto, vontade de falar
Sei lá, um dia quem sabe saberei
Tranquilo! É o que me resta ficar,
É o que tenho que tentar.

Sérgio Pereira,
Caruaru, 10 de março de 2010, 22:42
Recife, 14 de março de 2013, 22:06

domingo, 10 de março de 2013

Expectativas....


Expectativas, por mais que eu tente não ter, as tenho, simples ou complexas, por vezes consigo negá-las, faço com que desapareçam como se não houvessem existido, porém, existem momentos que elas ficam, se agarram, como um sentimento que não se permite negar, gritando: estou aqui.
Um olhar compartilhado, um toque de mãos, um carinho inesperado, um não se eximir, um desejo que se funde. Começo a crer que minhas expectativas, quando não abafadas, são sempre erradas, ou  tenho uma visão distorcida da vida, mais uma vez, afirmo que aprendi errado e o que sinto como difícil é desaprender para reaprender de um novo modo, de uma maneira que seja certa.
Certo seria não sofrer, certo seria não esperar, certo seria reciprocidade e empatia, mas tais certezas só devem existir em algum universo paralelo, onde eu não sou eu, para além, me pego imaginando utopias, em meio a minha realidade.

Ricardo Pereira,
Recife, entre 08 e 10 de março de 2013.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Tempos Difíceis

São tempos difíceis
Áridos,  ressequidos, esturricados.
O solo rachou, formando veios secos,
No que antes, passava água.

São cortes, abertos,
Que talvez nunca curem,
Cicatrizes táteis,
Feridas d’alma,

Mas não há pena,
Não há empatia,
Apenas dor
E escárnio.

A água que cai
É o cuspe do desprezo
A mão que ajuda
Desce o cepo sem dó.

São tempos difíceis,
Tempos de solidão,
De desejo de união.
O sol arde, o olho fecha,
O suor pinga,
A força se esvai,
A morte pisca o olho,
Num convite tentador,
Mas a vida teima,
Busca fôlego,
Faz da miragem sonho,
E do sonho esperança,
Insiste,
Persiste,
Continua.

A terra secou,
O céu alimpou,
Não tem mais ninguém,
Até esperança, se foi.
Cadê à água que não cai?
Cadê à água que não cai?
Cadê a força, meu pai?
A fé
A foice
A faca
Afoite.

Ricardo Pereira,
Recife, 07 de março de 13, 21:32.


Água


            Água, um elemento que sempre me fascinou, na sua forma fluida, límpida, na sua malemolência, por todas as possibilidades em ser água. Gosto de parar e admirar, seja num rio, seja no mar, seja num aquário, consigo ficar absorto como se meus pensamentos pairassem sobre a fluidez que observo, leve e possível.
            Água implica meu pensamento naturalmente a pensar em liberdade, liberdade tamanha que mesmo quando a isolamos ela encontra uma maneira, mesmo que lenta, de se libertar,  evapora para condensar depois.
            Não a seguramos, mas ela nos envolve, podendo nos dar vida, morte, dor, felicidade, sofrimento, prazer.
            Mas como ter água, sem modificar seu estado, sem frear sua força, sua abrangência, sem represa­­­­­­­­­­­­-la, como ser apenas um barco que navega através?

           
            Eu sei nadar
            Mas posso me afogar
            Eu sei boiar
            Mas posso afundar
            Eu sei viver
            Mas vou morrer
            Eu conheço felicidade
            Mas também a tristeza
            Eu posso continuar    
            Mas também posso desistir
            Eu sinto medo
            Mas posso lutar

            “Se eu fosse um peixinho
            Que soubesse nadar...”
           
            Águas limpdas,
            Águas turvas,
            Turbulentas, mansas,
            Voláteis.

            Ricardo Pereira,
            Recife, 07 de Março de 13, 19:00