quinta-feira, 26 de abril de 2012

Buraco sem saída


















Um buraco,
Fundo, negro e úmido
Com paredes escorregadias
Infestado de um odor fétido

Do lado esquerdo uma porta
E a placa: para sair aperte o botão vermelho
Ao lado do botão
Álcool gel 70%

Preso?

Ricardo Pereira,
Recife, 26 de abril de 2012, 23:19

Um convite?


Não, não é um convite
Nem uma intimação
Tanto tempo tentando
Buscando mesmo sem buscar
Querendo mesmo sem razão

Mas, não, não é um convite.
Sim, pode ser um desejo,
Uma vontade natural
Com várias dimensões
E universos paralelos
Mas, não, não é um convite.

Uma porta aberta
Um caminho livre
Uma felicidade sem explicação
Sem convite
Nem intimação
Apenas êxito
Eterno enquanto dure.

Ricardo Pereira
Recife, 26 de abril de 2012, 23:05

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Embaixo da mangueira


 








Embaixo da mangueira
Um universo inteirinho só para mim
Tudo se fazia possível
Lindo e mágico
Numa perfeição lúdica
Que jamais encontrarei
Embaixo daquela mangueira enorme
Com raízes tão grandes e profundas
Folhas de goiabeira transformavam-se
Em pássaros, dragões e dinossauros
Mangas verdes ruminavam em currais
Suas raízes eram montanhas e castelos
O musgo ao redor acrescentava suavidade a tudo

Embaixo da mangueira
A minha vida era só cor e alegria
Com odores tão peculiares que jamais esquecerei
Cheiro de felicidade simples
Sem porque, sem para que
Apenas ser e ter
Tudo, sem precisar de nada
A euforia de um vôo
A tranqüilidade de respirar dentro da água
A força de levantar as pedras mais pesadas
Poderes incríveis
Todos conseguidos embaixo da mangueira
Nos veios das suas raízes, no mundo do possível.

Embaixo da mangueira
Não havia ontem, nem amanhã
Apenas o tempo de ser feliz

Ricardo Pereira, em 08 de junho de 2010 e 18 de abril de 2012.
Caruaru /Recife

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Aquilo que não sei


                O que não se sabe, sim, não se prevê, como algo que é primeiro, virgem. Um lugar estranho, o primeiro dia no trabalho novo, na escola, o primeiro encontro, o amor sempre novo de novo, o outro que se vai conhecer.
                Emoções primeiras, mesmo que conhecidas se transformam na circunstância do inesperado, do momento incerto do descobrir, não se antevê.
                Viver o risco da dualidade de possibilidades opostas, sempre possíveis, bom ou ruim, doce ou salgado, uma adrenalina que gera medo, que nos impeli ou impede, e uma expectativa que nem sempre conseguimos sublimar.
                Mundos diferentes, palavras faladas, escritas, pensadas, soltas, devolvidas, desentendidas, palavras mortas, palavras vivas, frustrações, mundos diferentes, possibilidades.
                A vida é um mar de antagonismos que existem simplesmente para equilibrar, gosto de acreditar nisso, por isso mesmo com medo do novo, do desconhecido eu me arrisco, nem sempre é fácil, nem sempre é vitorioso, mas sempre é extremamente enriquecedor.
                Muros, montanhas, rios, existem  percalços, que nos forçam a pensar, a buscar soluções, saídas, que nos  ensinam a seguir a desistir, a saber parar ou continuar tentando, nem que seja por uma ultima vez.
                Ver a verdade, para além, do que se quer como verdade, nem sempre é confortável, mas não sei diferente, ainda preciso desaprender muita coisa para reaprender com mais sabedoria, enquanto não acontece ou vem acontecendo no tempo que o tempo tem, continuo seguindo, tentando, enfrentando, esperando e buscando.

 Ricardo Pereira
Recife, 16 de abril de 2012, 23:15

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Incongruêcias de uma mente inquieta.


                Tanta energia, tanta força, vontade e querer, ao mesmo tempo, tanto desperdício, muito pensar, pouco agir, contradições de uma vida moderna, de concepções arraigadas.               
               Tanto se vê, se sabe, e nada, nada está claro, sinto falta de mãos no meu rosto, de mão na mão, de direção, cabeça no ombro, de estar dois, mesmo sabendo que esta não é solução.
                Um ritmo crescente, numa cadencia que me remete a corrida, um fluxo constante que se eleva, com força, como o principio de uma situação que vai culminar numa felicidade plena (pela eternidade de segundos).
                Eu preciso escutar as palavras que digo, e ir, ir, para onde ainda não fui, para o que quero.
                Silencio que não há
                Gritos surdos
                Palavras perdidas
                Tentativas frustradas
                Caminhos escuros
                Vazio
               
Cristalizar
Endurecer
Sem perder o brilho
Polir
Lapidar
Mas não ser perfeito

                Ser tudo
                Porém humano
                Orgânico
                Plural
                Carnal
                Espiritual

Somar
Multiplicar
Dividir para dois.

Ricardo Pereira,
Recife, 09 de abril de 2012, 23:40

domingo, 1 de abril de 2012

Um final de semana feliz


                Um final de semana feliz, repleto de recortes de felicidade, de encontros de ternura, de afeto, como se mesmo sem planejar, a harmonia tomasse conta, de uma forma tão natural que se questiona se é real.
               
                Sexta a noite um sonho de casal,
                A casa, o lar, a família que se forma,
                O sonho que muitos perseguem
                O sonho que se consegue
                1 +1 = 3
                Nascimento e construção
               
                Sábado de encontros,
                Lembrar da adolescência,
                Ver como o que parecia grande, cresceu.
                Tarde de trelas, risadas, brincadeiras,
                Conhecer, sentir, aventurar.
                Ter uma balada nova, diferente,
                Música boa, vento do no rosto,
                Frisson, um leve torpor alcoólico.

                Domingo, almoço de família,
                Acolhimento, paladar mediterrâneo.
                Observar, rir, estar e ser leve,
                Amigos, novos, antigos, eternos.
                Show, música, humor ácido,
                Gargalhadas, caminhadas
                Bons amigos, sentir bem,
                Perceber o bom e aproveitar.

                Agradecer é tudo que me resta, é o que faço agora.
                Amém.

Ricardo Pereira,
Recife, 1 de abril de 2012