quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Quebrando as correntes do mal


Tenho sido acometido por uma raiva sem precedente, mas em nenhum momento a deixei tomar conta de mim, dos meus atos. Tenho estado cansado de ser engando, de ser tratado como se não importasse, pelo Estado, pelas pessoas, pela mídia, por todos e tudo aquilo que faz uso da visão apenas para olhar o próprio umbigo.
Não sei o que fazer, mas em algum momento o copo transbordará, e valha-me Deus, não ocorra um “ Dia de Fúria”.
São chefes que não sabem ouvir, centralizam e colocam a culpa nos outros, são pessoas que não sabem amar e saem por ai seduzindo e destruindo os sentimentos alheios, políticos que aprovam leis que não seguem e roubam de quem não tem e de quem tem, é uma sucessão de injustiças irreparáveis, que exprime a mais pura humanidade no seu lado podre e que existe dentro de todos.
Ficamos sem voz, ficamos sem explicação, há um silêncio covarde que nos é imposto e uma mouquidão  para o que dizemos. Ausência, inercia, apatia, como quebrar essa onda malévola que sempre existiu, como brincar de o bem vence o mal até que passe a ser real?
Talvez nada nunca mude, ou a mudança seja tão lenta que não percebamos, cada um fazendo a sua parte tudo mudará, mas fico pensando, e cada um que desfaz o que foi feito, soma e subtrai, igual a zero, nada.
Não consigo pensar numa solução, mas tem de haver uma reação, tem de haver um principio para mudança, com força, temos que demonstrar nossa insatisfação, mesmo que pareça contraditório, não creio na violência, não falo de agressão, mas sim de um posicionamento sobre as coisas, ter a coragem de se posicionar, discordar, e argumentar  quando ouvir ou ser acometido por um absurdo, algo que você jamais diria ou faria.

Quebrar essa corrente de caras-de-pau, que fazem o que querem, que de tão absurdos deixam todos apáticos.
 

Ricardo Pereira
Recife, 30 de janeiro de 2014, 11:55

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ciclos

O feliz se fez triste
O sonho acabou
A maldade venceu
Mas o bem não morreu
Nem se estragou
Foram quatro
No quatro
Em quatorze
O silencio covarde se instaurou
Morre tudo
Apodrece
Decompõe
E renasce
Ricardo Pereira
Recife, 29 de janeiro, 2014, 23:33

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Explosão


Falta-me um braço
Não há beijo
Nem cheiro
A textura do toque
Perdeu-se
E uma euforia explosiva
Nasce como um vazio
Que não sei dizer
Mas sinto
Engulo
Engole-me
Sufoco
Grito Mouco
Penso que vou morrer aqui
Quero fugir
Planejo mudar
De casa, de bairro, de cidade, pais, mundo
Ainda estou aqui
E o tempo ainda não passou.
Falta-me um abraço

Ricardo Pereira
Recife, 27 de janeiro de 2014, 17:32


Há uma falta
Um vazio de algo que amputei
Um membro fantasma que sinto sem que esteja mais lá
Há uma saudade
Que grita erro, mas não mostra acerto
Há uma quebra
De sonho, de desejo, de dois
Há uma constatação
Que me deixei enganar
Há uma tristeza
Que não sei parar
Há uma vontade
Que não tenho como aplacar
Há o tempo
Para esperar
Há uma ferida
Que ainda não parou de sangrar
Que lateja e dói sem parar
Há uma dúvida
Que sempre existirá
Há um silêncio
E nada mais.

Ricardo Pereira.
Recife, 27 de janeiro de 2014, 10:16