terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Onde está o tempo presente?


                Semana de medos, receios velhos, novos e futuros, a constatação pura e simples de que, controle, é uma mera ilusão, algo que inventamos para continuar, para seguir.

                Realmente não sinto falta dessa sensação, mas não há como negar, ela existe, e permeia, imagino eu, a vida de todo mundo que pensa, principalmente de nós os neuróticos.

                A solução para tudo, seria: Não penso, logo não existo?

                Brincadeiras a parte, a grande questão é: Onde está a responsabilidade e o compromisso das pessoas? Como resposta, penso que tem se perdido, tal e qual, a capacidade de se comunicar em tempo real, usando apenas boca, e o corpo inteiro como expressão, seguido de possíveis toques, sorrisos.

                Estou triste com a constatação que tenho cada dia mais sentido: estamos desaprendendo a viver o presente.

Triste por querer mas não cuidar
Triste por comprometimento sem compromisso
Triste por falar sem expressar  ações
Triste por não compartilhar o que é necessário
Triste por querer ouvir e encontrar apenas vácuo
Triste por perceber que atenção desprendida é desatenta
Triste por sentir que a importância tem se perdido
Triste por não entender que escolhas temos feito
Triste por que a superficialidade é o profundo d’antes
Triste por saber que o respeito caiu em desuso
Triste por continuar acreditando
Triste por esperar reciprocidade
Triste por não saber se sou entendido
Triste por triste

Sérgio Pereira
Recife, 29 de janeiro de 2013, 23:19

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Percepção de Metades


Sinto metades
Parcialidades
Um ruído que permeia o meio
Deixa a comunicação incompleta
Impressão de falta

Vejo metades
Com encaixes possíveis
E ajustes perceptíveis
Engrenagens dentadas
Duas partes
Complementares
Há energia
Mas uma força parcial
Entrave

Respiro metades
Um falta de entrega
Um cuidado inicial
Medo, receio, cautela
Ou apenas miopia da minha costumeira ansiedade

Provo metades
Que me testam
Amedrontam
Gritam paciência
Sabedoria  e atenção
Tempo
Tento
Tenho

Ouço metades
Quero juntar
Unir
Fundir
Harmonizar
Mas são metades
Carecem dois
Para ser um
Metade de mim
Metade de te
Inteiro de dois

Sérgio Pereira,
Recife, 28 de janeiro de 2013, 22:06

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Não desista de agir.


Ação gera reação
Empatia cria reciprocidade
Carinho cultiva afeto
Dialogo fortalece laços

Inércia gera repouso
Parados, sucumbimos,
Esgotamos,
Acabamos
O que nem começou.

Ricardo Pereira,
Recife, 24 de janeiro de 2013, 22:20

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

"Atenção"



                Percebo que meu pensamento foi  tomado repentinamente pela reflexão da palavra atenção, sobre ao que nos remete e suas consequências em  nossas vidas.  Como algo que em alguns momento poderia passar desapercebido, nos chama, nos faz enxergar, parar e dedicar tempo, espaço e energia.
                Nem sempre há uma lógica nessa captação das nossas intenções, motivos inúmeros podem desencadear essa força canalizadora, que nos faz concentrar esforços sobre aquilo que nos atenta.
                Uma pessoa, uma imagem, uma tarefa, uma lembrança, um desejo concreto ou abstrato, uma palavra, o amor, são tantas possibilidades que nos perderíamos tentando agrupar, o mundo, ou melhor, a vida é sem dúvidas uma manancial perene de possíveis atenções e mesmo assim, nos perdemos nessa infinita possibilidade.
                Sofreríamos nós de algum tipo de cegueira passageira?
                Nos cegamos para diversas coisas, nos fechamos em nós mesmos, nos isolamos num comportamento de fixação autista de uma única atenção, e quando tomamos tal atitude podamos a diversidade que a vida tem, nos impelimos a uma prisão e corremos riscos de sofrer com isso.
                Mesmo parecendo antagônico ao nome “Atenção” tem de ser diversa, não que com isso, seja dispersa, mas não creio que devamos nos isolar num único ângulo.
                Atenção, interesse, querer, vale para tudo, vale para nos tirar da cama, estudar, trabalhar, amar  e repetir tudo de novo, então, tenhamos cuidado com o significado dessa palavra, com tudo aquilo que ela nos trás e nos tira, com tudo aquilo que ela possibilita e com a responsabilidade que existe, principalmente quando se entende recíproca. 

Atenção
Chama interesse
Interesse
Chama querer
Querer
Chama a vida
Tanto para mim
Quando para você

Sérgio Ricardo Pereira,
Recife, 10 de janeiro de 2013, 21:18

sábado, 5 de janeiro de 2013

Ruído, lacuna.....comunicação




                Sentimentos que voltam,  revisitam mesmo que não sejam solicitados, outros que aparecem  inesperadamente como novidade, sem aviso prévio, gerando um grande “não saber” , lacuna, algo que realmente não me apetece, que não me aquece, tira prováveis significados e abre espaço para especulações.
                Por  vezes me questiono sobre o modo como nos comunicamos, sobre a objetividade ou os ruídos que imprimimos na forma como escolhemos nos expressar, sinto que se não houvesse de fato um pensar coletivo sobre isso, como se simplesmente esquecêssemos que quando nos comunicamos, falamos para alguém e contamos algo, é como vejo. Na maioria das vezes  falamos para nós mesmos, e esquecemos que a mensagem é para o outro, assim, criamos lacunas, deixamos margem para a imaginação, para os erros e mal-entendidos .
                Para piorar toda essa celeuma, não sabemos ouvir, então, somando comunicação ruim mais ouvido surdo, o que nos resta?         
Imaginar
Especular
Confundir
Errar
Desrespeitar
                São inúmeras as possibilidades, e infelizmente não consigo ver que em algum momento algo mudará esse fato, devemos apenas aprender a questionar mais as mensagens que recebemos e sermos pacientes em ouvir,  de alguma maneira não desistir de encontrar o real sentido do que nos foi ou será dito.
                A meu ver uma comunicação sem ruídos está tão cheia de respeito, que em virtude da quantidade de ruído a que nos acostumamos, não conseguimos enxergar , nos habituamos como de costume e por isso nos perdemos, sem perceber os prejuízos causados por algo tão simples, tão primário.
                Por tanto, se for possível, pensemos sobre isso.
Ricardo Pereira,
Recife, 05 de janeiro de 2013, 21:35