quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Surto de divagações de reciprocidade


Ponderando reciprocidades, não pensaria sobre, anos atrás, ou melhor, não cogitaria a existência do ato de pensar a respeito e mesmo que pensasse seria inócuo, mas o tempo passa e nada é mais como antes. Graças a Deus! Tudo ganha um novo prisma e conseguimos  perceber novos ângulos, mas o fato é que não sei até que ponto tornamos a vida mais simples ou mais complexa.
Pensar ou sentir, razão ou coração, eis a questão?
Construir é sempre uma tarefa que requer: planejamento, trabalho, material, criatividade e vontade. Não é fácil, também não é difícil, sinto mais como um ponto de equilíbrio entre os extremos.

Where is the life that i need most?

Mas principalmente tem de existir vontade, do contrário acho improvável que algo realmente funcione, ela vai te trazer tudo que seja necessário para tocar a obra, para concretizar o sonho que nem sempre será como no principio, já que nesse processo tudo sofre uma metamorfose constante, não sendo como uma construção concreta, pois vida não é.
Voltando para reciprocidade, sinto cada vez mais como algo fundamental, em tudo: trabalho, família, amigos, amor, passando até pelas coisas mais simples. Relações são carentes de reciprocidade, sem isso a desarmonia reina e cria-se uma total falta de ordem. Algumas coisas agüentam uma falta de reciprocidade por algum tempo, outras praticamente não conseguem existir sem, fico imaginando se existe um ponto de equilíbrio para essa equação, mas chego a conclusão que não há, tudo vai depender da vontade, do querer continuar e é nesse querer, no pensar sobre esse querer, que decisões são tomadas e destas decisões novos caminhos são abertos, porém, na vida os caminhos não têm volta, já que, mesmo quando se volta nada estará como era.
Para além de tudo que divaguei, ainda creio que possa existir uma reciprocidade fora de sincronia, sei que a expressão ficou completamente antagônica, mas não vou tentar explicar é apenas um sentimento que tenho.
Bem, o vinho me pegou, vou indo...

Ricardo Pereira,
Recife, 25 de agosto de 2011, 20:30

domingo, 7 de agosto de 2011

Reflexo de 05 de agosto de 2011


Tudo novo de novo, uma escolha, um desejo que se aplaca, uma vontade que se agarra e cresce, por um, por dois, uma coincidência do destino ou uma conspiração, não se sabe.  
Encontros acontecem o tempo todo, em todos os lugares, mesmo nos mais improváveis, pessoas se esbarram, se olham, conversam, percebem similaridades, passam pelo encantamento e vão. Não se dão conta das possibilidades, não querem se arriscar, não estão no tempo certo, existem milhões de justificativas para os encontros não continuarem, mesmo quando encontrar é o que se deseja, como se os focos estivessem distorcidos, danificados.
Sinto que cada vez mais uma grande parte das pessoas vai criando uma vida de mais desencontros que encontros, cultivamos uma solidão repleta de relações de pouca profundidade, antagônico ao desejo, que hora chamo de coletivo, de uma relação profunda e utopicamente duradoura, nesse ínterim, tantas coisas são perdidas, adiadas, endurecemos até que um dia, numa fresta de tempo sejamos arrebatados por uma empatia simultânea, por uma reciprocidade que se percebe tão sutilmente, mas que lança um fio, como da teia de uma aranha, fino, quase invisível, mas forte o suficiente para ligar, para fazer possível um desenrolar que se confirmará na sintonia de quereres ou apenas numa falsa impressão do que se deseja.
Mas  quando a fina teia fixa, a sintonia se faz e a partir dessa espinha desse cerne uma trama começa a ser transada, novos fios vão aparecendo, partir do conhecer, do saber mais sobre o outro, novas histórias, referencias, música, literatura, um olhar por um ângulo antes desconhecido, a visão refletida do que já se foi ou se poderá ser, o abrir para conhecer, despretensiosamente, apenas com uma leve esperança de continuidade. Nasce um desejar constante, numa ligação meio umbilical de um novo que está sendo criado e precisa ser alimentado, para poder crescer, viver ou morrer. Tudo depende das escolhas, dos caminhos que percorrerão e da forma que encontrarão saídas para conseqüências que surgirão.
Construir, solidificar, tudo tem seu tempo, seu momento, e a astúcia está em saber mutuamente perceber e equilibrar o tempo de cada um, não gosto de chamar de jogo, não fica bonito e dá a conotação de um vitorioso e um derrotado, coisa que não cabe na construção de um a relação, a idéia de ganha, ganha, é sem dúvida a mais coerente e a que se deve buscar quando se pensa dois.
Como fazer funcionar?
Imagino , quando olho para trás no pouco tempo que tenho, que viver um dia de cada vez, sem dar responsabilidades nossas ao outro com um leve olhar compartilhado no amanhã seja uma boa idéia, e para além do sonho perfeito, se enxergue que momentos áridos chegarão, pois temos muitas estações durante nossa vida, com direito a lindos dias de sol, bem como, com todas as intempéries, enchentes e secas.
Porém, nada apagará as primeiras impressões, o sorriso bobo e fácil, o olhar doce e contemplativo sempre recíproco, o conhecer dos corpos, o cheiro que se entranha, os mundos que se apresentam, as pessoas dos universos ao redor, tantos ganhos, tão fundamentais para solidificação do que pode ou não vir depois.
Tudo chega de modo tão inesperado, e ainda assim, acalma o espírito de forma tão rápida e ao mesmo tempo sublime. Escolher e ser escolhido, permitir, abrir as portas para o novo, abaixar a guarda, ficar leve, sem tensões e viver.

Ricardo Pereira,
Recife, 07 de agosto de 2011, 20:12.