quinta-feira, 24 de abril de 2014

Falta tanta coisa, que....


                São tantas faltas, que ausência passa ser normal, tal qual, o fato de não ter e não praticar cidadania, de viver como se em guerra estivesse, pensando apenas no próprio umbigo, perdendo completamente a noção de coletivo, de bem comum. Honestidade passa a ser algo para se ressaltar, quando deveria ser natural, comum, parte de tudo, somos roubados e reelegemos quem nos rouba, reclamamos de tudo, mas me questiono: Fazemos a nossa parte?

                Educação, não apenas soletrar e juntar letras formando palavras, nem decorar a tabuada, mas sim, aprender a pensar, a questionar, a perceber que existem ângulos diferentes para olhar tudo. Temo dizer, mas: tudo está errado!

                Saídas diversas, mas para todas educação, para pensar e construir uma consciência comum de efeito dominó, percebendo que respeito e gentileza têm de ser algo fundamental.    

                Utopias! Adoro pensar nelas como se este fosse um exercício de fuga, para o que vejo e vivo.                             

                Brasil, mundo, copa, especulação financeira, ricos, pobres, miseráveis, o surto da classe média brasileira, a síndrome Gourmet, viajei e tenho que contar pro mundo, dei dois passos e me auto-paparazzizzei no Facebook , Instagram ou qualquer outra rede social que se use. Uma necessidade emergencial de provar quem sou pro outro, mesmo que não seja eu de verdade e sim uma projeção do que eu gostaria que fosse, ou do que ache que os outros esperam ou querem de mim.

                Vivemos sós, mas estamos conectados com vários gadgets que nos conectam com todo mundo, e rompem a solidão numa ilusão de estar acompanhados, mesmo que não estejamos, perde-se contato, desaparece a surpresa. Um novo processo de relações, de interação, há uma liberdade, uma possibilidade de escolha como antes não havia, as fronteiras estão menores, tudo está mais fácil, mesmo que de  um modo a longo prazo, talvez, mais difícil, a vida ao toque do dedo, se perde do viver de antes, para a construção de o novo viver do amanhã, engatinhamos.

                Por vezes, me pego triste observado o entorno da minha vida, meio desconcertado com o que vejo, como sentisse que as coisas estão se perdendo, que os valores não estão evoluindo, mas se perdendo, ficando rasos, há um superdimensionamento de coisas pequenas, há uma exacerbação do “Eu” em quase tudo. Falta gentileza da moça que não dá a preferência no transito, apenas olha com abuso e acelera como se apenas ela tivesse o direito de receber gentileza, há uma estupidez incongruente com o Moço que briga com o outro apenas por causa do time que perdeu ou ganhou, ou com a massa que destrói tudo antes de depois de um jogo, há de fato, cada dia mais uma falta total do que costumamos chamar de civilização, de uma forma tão corriqueira que esquecemos o significado real de sermos humanos, ou talvez eu esteja completamente errado sobre o modo como penso.

                Quem tem continua tendo, quem não, engole a ilusão de que tem alguma coisa e que as coisas vão melhorar, o conhecimento é usado para alienar, sem alienação a sociedade não estaria como está, ninguém faz nada e tudo continua no seu lugar.

                Manda quem pode, obedece quem tem juizo, assim se vive no engenho, não é Coronel?

Ricardo Pereira,

Recife, 24 de abril de 2014, 17:11

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Felicidade?

A felicidade nem sempre é bonita
Varia e permeia dimensões
Do maginário ao real
Do concreto ao impossível

Pode ser a feia a mais bonita
A simples a mais complexa e difícil
O desejo perpétuo o fim de qualquer possibilidade

Surge na intermitência e nela existe.

Ricardo Pereira,
Recife, 21 de abril de 2014,  18:42


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Ta tudo errado, mas tudo continua igual

          Sigo buscando rumos e direções em mapas que nao sei ler, ajudas mágicas num GPS surreal, creio e sinto cada dia mais, que não é uma questão particular da minha pessoa, tenho o sentimento cada vez mais arraigado de que a humanidade em si, é uma sucessão de perder-se, que de tão natural,  se entende e se tem como certo.

          Perdição,  sim, é onde estamos e onde imagino nunca sairemos,  está na nossa essência e como parte desta, coibe e cega em massa a possibilidade mínima de contestação, as minimas oposições, mesmo na sua parcialidade de elementos é abatida, abortada e declarada alienada.

          Copiamos, mimetizamos tudo que vem antes, há sim  pequenos ajustes, ou melhor dizer, defeitos na reprodução, na repetição, que costumamos chamar de evolução, de crescimento, de civilização. Nos denominamos civilizados, inteligentes, e continuamos, salvo as novas alegorias, cada vez mais brutos, apenas temos mais camadas de verniz, de fantasia.

          Tudo existe pelo interesse, o altruísmo e uma ilusão altista e antagonica que confirma o que somos de fato. Seres que vivem numa busca por sobreviver, suavisada nas falhas de reprodução em alguns momentos e nem tanto em outras, no fim, estamos todos na selva, procurando,  comida, casa,  caça,  território,  procriar, sobreviver.

          Disfarçados,  em cargos profissionais, em titulos acadêmicos,  em postos de poder, tirando pra ter,  cerceando sem restrições para vantagem própria,  brigando por uma falta que poderá haver, que imprimimos aos mais fracos, deixando mais complexo tudo que poderia ser mais simples.

          Compramos um modelo, engolimos ele, aceitamos, e vamos piorando na réplica,  sem coragem para pensat diferente pra ser diferente, pois, tudo é grande demais para se tentar só.

          Mas há umas poucas almas que tentam,  há quem não desista, há uma esperança.

Ricardo Pereira.
Recife, 18 de Abril de 2014,  20:38