terça-feira, 20 de março de 2012

Pensamento do meio da tarde

Recuperar a capacidade de me emocionar com o mínimo, sentir o frisson sem tanta complexidade, seja por uma música, um vento que passou, pelo simples fato de estar aqui, agora, escrevendo.

Ricardo Pereira
Recife, 20 de março de 2012

Convictas convicções

Há um tempo observo convicções com certo receio, para não dizer medo, cada percepção constatada me fragiliza de uma maneira que não sei muito explicar. Sinto e acredito, que somos feitos a partir das nossas convicções, estas são nossas máximas e absolutas verdades, ao mesmo tempo, é nossa maior venda, o que nos cega ou bitola, pois existem os meios termos.
Vejo pessoas lutando com suas convicões, querendo que estas sejam também do outro,  principalmente quando a imposição tem em si sua razão ética e moral, mas até que ponto vale a pena a mutilação do eu pela necessidade do outro ver oque se sente como certo.
Seja no ambito profissional, sentimental, social, na nossa vida como um todo, será realmente necessário o ataque, a força. Não teria uma maneira mas tranquila, por mais que sejá lenta?
Tudo emergencial, não podemos nem devemos esperar, se não compreendem, que enfiemos de guela a baixo, e assim, geramos sofrimento, desgaste, insucessos, pelo simples fato de ficarmos cegos por nossas convicções, que podem estar erradas, que podem não ter percebido todos os ângulos necessários para um decisão coerente.
Convictos e miupes, é assim que ficamos, é assim que somos, por toda uma vida ou por momentos aleatórios.
Nem tudo precisa ser a ferro, fogo e marteladas, porém, só o tempo e a vontade de mudar que pode garantir tal sabedoria, que nunca se completa, que sempre precisará de alguma coisa, de um novo aprender.
            Saber dói, demora, não é instantaneo, mesmo assim, não gosto da crença que precisamos sofrer para aprender, por mais que ocorra e faça parte da vida de todos nós, aprender sem dor é sempre melhor.
            Tento sempre refletir sobre minhas convicções, tento quebra-las, ver pelo ângulo do outro. Hoje consigo fazer esse exercício de uma maneira mas tranquila, mas nem sempre foi assim, mesmo hoje tenho meus insucessos, mas não desisto, não acho válido, nem coerente.

Ricardo Pereira,
Recife, 20 de março de 2012, 22:26

segunda-feira, 19 de março de 2012

3.5 o divisor de águas


Amanhã pode ser muito tarde, hoje pode ser muito cedo, quem vai saber? Quando sair, quando chegar, desistir, tentar, nada se sabe de fato, ficamos com nossas crenças, com nossas expectativas, e muita esperança. É como percebo, cada um, depositando nesse crer especulativo, uma possibilidade, que se pensarmos friamente, é uma escolha.
Escolha que deixamos nascer, e cultivamos o crescimento, em alguns momentos resulta, em outros não, pode crescer e ser para sempre ou apenas infinito enquanto dure, mas sempre vale a pena, já que vida nada mais é que uma colcha de crenças e escolhas. A colcha em que deitamos e nos cobrimos, onde podemos ver o que foi, o que é e o que poderá ser, o que nos torna quem somos e também o que podemos ser.
 Hoje escolho coser uma nova colcha, tudo diferente, é difícil mudar o hábito, mudar o ritmo, a cor, a textura, novas escolhas, novos caminhos, tem-se que cegar ou perder o tato e reaprender novamente, mas cada vez mais, sinto que vale a pena.
Desintoxicar, limpar tudo e reiniciar, numa nova versão, a primeira...será que se consegue?
Um novo frisson.
Crer
Tentar
Conseguir

Ricardo Pereira,
Recife, 19 de março de 2012, 21:55

domingo, 18 de março de 2012

Bang, bang, bang!


Quero deixar de ser quem sou,
Quero esquecer do que me fiz e dos caminhos que percorri até aqui.
Quero o completo esquecimento, o branco, o limpo, o vácuo.
Quebrar as paredes da jaula tão bem construída,
A jaula que me mantém, serrado, inerte.

A morte do que fui,
A chance do que serei.
Eu tenho a chave,
Eu tenho o poder,
Mas como usar,
Como abrir,
Como começar tudo novo de novo.

Uma bagunça do caralho,
Que obstrui meu fluxo,
Tenho que me matar para poder viver.

Bang, bang, bang!

Ainda estou revirando o lixo.

Ricardo Pereira,
Recife, 18 de março de 2012, 22:40

quarta-feira, 14 de março de 2012

Desaprender


Hoje, me dei conta, de como aprendi a não me empolgar com promessas, me deparar com esse fato, foi intrigante, principalmente, com  a constatação de uma certa ingenuidade perdida, que não volta. Para além desta nova compreensão, me vem aos ouvidos a frase de uma amiga muito querida “...aprendemos errado, é preciso desaprender...”
Mas como desaprender e conseqüentemente como aprender o certo, tendo como “certo” algo que nos faça melhor, que nos faça crescer, e assim surge: como tornar essa mudança possível?
Família, amigos, amores, trabalho, dinheiro, relações, de tudo que aprendemos sobre, o que realmente está certo, o que precisa mudar, quem poderia abrir nossos olhos? Não sei, e não conheço quem saiba.
Nossas escolhas nos trouxeram até aqui, baseadas no que aprendemos, mesmo que certo ou errado, a vida se fez, com gozos e dores, sorrisos e lágrimas.
Respeitar o sangue, amor eterno, amigos para sempre, o valor do dinheiro, o trabalho enobrece o homem, tantos mitos, tantas receitas de bolo, enfiadas de goela abaixo, que não resultam, que não são recíprocas, que simplesmente não funcionam.
Estamos quebrados?
Crescer acreditando numa vida perfeita, se perfeita ela não é?
De repente, em algum momento, se enxerga o óbvio, se compreende que as receitas estavam erradas, que as coisas não são como fora dito, e que para viver, tem-se que desbravar uma floresta, de concreto, de natureza e ou de gente, para tanto, precisamos perder a inocência, temos que deixar de acreditar, temos que mentir, temos que nos moldar ao que se entende como normal(maioria), temos que ser maldosos, e jogar, numa especulação abstrata do pensamento do outro e quando somos a parte fraca do jogo, temos que engolir sapos inteiros (mesmo que gigantes).
Mas a pergunta que não quer calar: como desaprender?
Imaginando como seja:
1º Querer.
2º Ter coragem.
3º Tentar, persistir.

Ricardo Pereira
Recife, 14 de março de 2012, 22:02

quinta-feira, 8 de março de 2012

Tentando


Tentando encontrar qualquer coisa
Que eu possa acreditar
Se eu encontrar
Se eu encontrar
Será que alguma coisa
Algum sentindo
Qualquer coisa
Mudará

Mas eu não sei
Então fico imaginando
Como seria
Como será
Encontrar algum sentindo
Algo que eu possa acreditar

Ricardo Pereira, 08 de Março de 2012, 23:12