sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Eremitando


                Eremitando, tenho conjugado esse verbo que nem existe, mas que se faz aqui. Sendo para mim escolha não escolhida, absorvida, entranhada, como se natural, fosse, porém, não é. Nasce das circunstâncias consequentes, das reações inerentes dessa vida, que teimamos em chamar de moderna, mesmo que não seja.
                Essa conjugação é como virose, pois, por mais que não queria, percebo várias pessoas com a mesma utilização, do verbo que não existe, uma disseminação em escala cada vez maior. Vida Moderna?
                Mas ser “Eremita” tem outros vieses nos dias de hoje, pois há variações de solidão, que permeiam o real, o virtual, e dentre estes, ainda haverá mais nuances, mais níveis, bem como, várias formas de controlar o ser só, podendo ser de forma química, imaginária, através de fuga ou de simples desculpas e do que mais se poder inventar.
                Ser moderno, estar só, posso estar exagerando, mais vejo a dificuldade cada dia maior das pessoas se encontrarem, mesmo todo mundo procurando, todos continuam cego, bom, ao menos ao seguimento que vejo, ao meio que me circunda, posso parecer preconceituoso, mas sinto que tal fato, está diretamente ligado a intelectualidade e ao sucesso, e também penso em questões de gênero, como por exemplo: mulheres de sucesso  que têm um dificuldade enorme em estar a dois.
                As situações são inúmeras, mas sim, penso que tudo tem haver com a escolha do dito “estilo de vida moderno”, do valor que são dados as coisas, da educação que  recebemos e damos, e tudo que se mistura nessa sopa, chamada vida.
                Há uma cultura do egoísmo que exclui, limita e restringe as relações, vivemos de exclusão. Seria isso algo natural, seria uma seleção natural, é o futuro?
                Minhas especulações que não respondem nada, apenas ratificam o meu pensar  e fortalecem a impressão do que vejo.
               
Excluir o diferente
Deixar os iguais
A vida fica chata
Mas tudo fica em paz
Fins que justificam meios
Minoria que manipula muitos
Eunucos de pensamento em massa
Esmagam tudo que não parece espelho.

Ricardo Pereira.

Recife, 30 de agosto de 2013, 23:31

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Valor, felicidade e vida

                Hoje me veio um pensamento constante, sobre o valor que damos a tudo na nossa vida, valor empregado em coisas que geralmente não conseguimos mensurar de forma precisa, pois simplesmente não temos medida.
                Quanto vale uma amizade, um amor, confiança, um ato de gentileza, um sorriso, um dia bom, ou até mesmo um dia nublado e chuvoso onde tudo pode parecer não ter dado certo?
Quanto vale nossa vida com tudo de bom e ruim que possa existir?
                Nesse nosso sistema, que aceitamos, e seguimos, como correnteza que não se vence, misturamos capitalismo, sentimentalismo, egoísmo e todos os ismos possíveis, numa grande sopa, na qual,  sabores se confundem, e cada dia mais, vejo pessoas, esquecendo sabores,  texturas, perdendo o que pode haver numa continuidade, na profundidade, nas descobertas e mutações que só o tempo traz.
                Não consigo achar que temos culpa, mas sei que participamos dessa disseminação de ideias, pois, seguir o fluxo é tão mais fácil, e dor não combina com felicidade, e tudo que queremos é ser felizes, porém, esquecemos que esta não se consegue como uma calça que se compra ou uma comida que se come, ou com um corpo que se consome.
                Felicidade na minha particularidade de olhar, acontece quando na continuidade de sermos, conseguimos ser por nós e pelo outro, quem realmente somos, tanto, que não há constância, pois na intermitência  do seu existir se constrói forças para buscar, para continuar, como combustível para viver, para além, creio que sua existência se completa, quando deixa de existir, e entendemos que na realidade, felicidade é viver. Joguemos esse modelo que nos imprimem na alma, esqueçamos essa tal felicidade, e vivamos.
                Simples, só que não, fomos moldados, e moldamos tudo ao nosso redor, mesmo que possamos pensar, não temos força para remar, a correnteza, vence, e temos que reinventar.
                Tudo dói, tudo fica vazio e as pessoas se perdem, me dou tanto valor, não dou valor a ninguém, valorizo o que não posso ter e desprezo o que pode me fazer bem, humano demasiado humano.
Ricardo Pereira

Recife, 27 de agosto de 2013, 23:17

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Turbilhão Urgente

Alguém me pergunta se eu já casei
O mar e o céu com um leve torpor de cinza
Clamam silencio da janela do escritório

Tarde, trabalho, erros, retificações
Multivida
Multimídia
Música sempre ao meu redor
Toca no fone
Toca no telefone
No PC
No meu pensar

Meu coração urge por algo que sei sem saber
E ontem a Lota (Gloria Pires) me fez pensar em controle
Ou de quando realizamos que não temos nenhum

Perdão, orgulho, egoísmo, escolha sem detrimento
Elizabeth Bishop explicitando que a arte de perder não tem mistério
Uma obvia afirmação, que simplesmente nem sempre enxergamos

Querer tudo e não ter nada
Esquecer detalhes
Cegar

Sinto uma carreira, mas estou parado
Um detalhe de sentimento
Percebo e gravo.

Ricardo Pereira,
Recife, 21 de agosto de 2013, 16:35


 

 

 

 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Fugindo

          Fugindo de mim e de coisas que me obriga a vida, como se houvesse, ou realmente haja um profundo cansaço, uma fadiga crônica e intermitente, que se acusa estranhamente em auto sabotagens, em momentos que sua não ocorrência me possibilitaria, talvez, futuros melhores ou menos demorados.

           Cançado de velhos hábitos que repito, de velhas racionalidades que me limitam, de convicções que me aprisionam.

          Uma vontade de romper com tudo me consome, mas minha fadiga crônica intermitente, chega e consome: força, desejo e tudo que havia planejado.

          Sinto faltas, e ainda sim, quero quebrar a forma.

          Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

Ricardo Pereira
Recife, 06 de agosto de 2013, 22:07

domingo, 4 de agosto de 2013

Caminhos de uma trilha inacabada

                Descobrir algo que se quer. Querer! E antes de se aproximar, constatar que não terá, poderá tocar, sentir, ver, provar por um tempo, mas nada além.

                Será tudo apenas uma amostra, uma perspectiva, para que o que lhe reste seja uma imaginação embasada, palpável na fração de um passado tangível, um grande e único “se” será instaurado e permeará para sempre questionamentos que jamais serão respondidos.

Ricardo Pereira,

Recife, 04 de agosto de 2013, 21:49