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Disrupção

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Faz um tempo que não apareço por aqui e curiosamente não é por falta de relativizar, pensar, querer, é a ausência do fazer, do executar. Hoje caminhado pela praia de um dia cinza me veio disrupção na cabeça, uma necessidade de quebrar padrões, romper e junto com esse pensamento o sentimento de dificuldade, da dureza que é seguir pelo caminho fora da lógica que nos foi impelida. A normatização da vida que nos é ensinada desde feto, os padrões, a lógica das maiorias que por mais diferentão que você seja ou pense, permeará por caminhos regimentados em algum momento, adotará comportamentos de opressor ou fará mesmo que sem querer coisas que corroboram para a manutenção da harmonia, da ordem, do padrão, do pensamento coletivo cíclico e linear. Não é fácil! O importante é continuar tentando novos caminhos, novas formas, é não travar apenas porque se diz que é assim. Acabamos seguindo fluxos involuntários padronizados e isso se reflete em todos os níveis das nossas relações e interações s...

O tempo que se tem

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Tempo de escolhas minhas Tempo de não escolher ser escolhido Tempo de não ter tempo para os tempos de outros Tempo de ser só,  sem sentir-se sozinho Tempo de enxergar o que não era visto Tempo de crer, mesmo diante de tudo que ja foi visto Tempo de esperar, desejar e viver Tempo que para mim não será para você Tempo de encontros, de se perder Tempo de deixar o tempo ser o tempo que quer ser Tempo que não volta, nem  vai correr Tempo que não para Tempo que se acaba, que se perde Por escolha ou não escolher Tempo que ajuda e atrapalha Tempo que se arrasta Tempo que acaba Tempo que é morte Mas que não sabe se é fim. Sérgio Pereira, Recife, 14 de julho de 2014, 22:51

Felicidade?

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A felicidade nem sempre é bonita Varia e permeia dimensões Do maginário ao real Do concreto ao impossível Pode ser a feia a mais bonita A simples a mais complexa e difícil O desejo perpétuo o fim de qualquer possibilidade Surge na intermitência e nela existe. Ricardo Pereira, Recife, 21 de abril de 2014,  18:42

A hora de voar

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Hora de partir, desistir, recomeçar Hora de decidir Como saber Como prever Existe um sinal? Escolhas de hoje Respostas do amanhã Que so chegarão pela vivência Da dor e do prazer Que sentiremos como respostas Do escolher... Percepção real ou imaginária Até onde o que vemos é realidade Ou apenas reflexo do nosso desejo Ego ou imaginação Pensamentos pairam Sem razão lógica Uma abstração de sentimentos Soltos, que têm porque.... Mais como saber a hora de voar? Luanda,  29 de agosto de 2006. Revisto em Recife, 05 de fevereiro de 2014, 11:19

Ciclos

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O feliz se fez triste O sonho acabou A maldade venceu Mas o bem não morreu Nem se estragou Foram quatro No quatro Em quatorze O silencio covarde se instaurou Morre tudo Apodrece Decompõe E renasce Ricardo Pereira Recife, 29 de janeiro, 2014, 23: 33

Explosão

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Falta-me um braço Não há beijo Nem cheiro A textura do toque Perdeu-se E uma euforia explosiva Nasce como um vazio Que não sei dizer Mas sinto Engulo Engole-me Sufoco Grito Mouco Penso que vou morrer aqui Quero fugir Planejo mudar De casa, de bairro, de cidade, pais, mundo Ainda estou aqui E o tempo ainda não passou. Falta-me um abraço Ricardo Pereira Recife, 27 de janeiro de 2014, 17:32

Há

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Há uma falta Um vazio de algo que amputei Um membro fantasma que sinto sem que esteja mais lá Há uma saudade Que grita erro, mas não mostra acerto Há uma quebra De sonho, de desejo, de dois Há uma constatação Que me deixei enganar Há uma tristeza Que não sei parar Há uma vontade Que não tenho como aplacar Há o tempo Para esperar Há uma ferida Que ainda não parou de sangrar Que lateja e dói sem parar Há uma dúvida Que sempre existirá Há um silêncio E nada mais. Ricardo Pereira. Recife, 27 de janeiro de 2014, 10:16  

Poema da Rinite

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Respiração queima Desordem Pouco ar Algum mar Nenhum amar Olhos ardem Respirar? Difícil, seco Resfolego Faltas de pulmões cheios De compreensões intermitentes Defesa desnecessária Demasiada histamina Que age por achar que há Sem haver Como quem especula sem saber Machuca-se Machuca-me Respirar? O ar que respiro Também me sufoca O que me dá vida Também mata Transito entre o que quero e o tenho Respiro Inspiro Transpiro Espirro Vivo Ricardo Pereira, Recife, 16 de dezembro de 2013, 15:38

Sem plateia

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Nós estávamos lá Mais você não Falei, conversei Monologo sem plateia Me dei conta Senti Serrei. Sérgio Pereira Recife, 07 de novembro de 2013,  07:53

Impressão de uma fração

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Quando não esperava, Quando quase desisti, surgi, Em forma de conversa, Olhando contra mim Assuntos sucedem Como se o tempo fosse todo, tempo, Sem fim, Parado, mesmo que, continuamente, para mim Impressões, julgamentos, Risos, sedução, Verdades vomitadas, Alívio, impulsos, Cervejas, loiras, ruivas, Moças ao lado, Bira, Nós, beijo roubado, Olhares velados e outros não Desejos ternos Confiança recíproca Que parece irresponsável Dois corações que se encontram O destino, uma paixão? Quando se sente que achou Quando se permite acreditar Porque não arriscar? Ricardo Pereira Recife, 13 de setembro de 2013, 08:29

Turbilhão Urgente

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Alguém me pergunta se eu já casei O mar e o céu com um leve torpor de cinza Clamam silencio da janela do escritório Tarde, trabalho, erros, retificações Multivida Multimídia Música sempre ao meu redor Toca no fone Toca no telefone No PC No meu pensar Meu coração urge por algo que sei sem saber E ontem a Lota (Gloria Pires) me fez pensar em controle Ou de quando realizamos que não temos nenhum Perdão, orgulho, egoísmo, escolha sem detrimento Elizabeth Bishop explicitando que a arte de perder não tem mistério Uma obvia afirmação, que simplesmente nem sempre enxergamos Querer tudo e não ter nada Esquecer detalhes Cegar Sinto uma carreira, mas estou parado Um detalhe de sentimento Percebo e gravo. Ricardo Pereira, Recife, 21 de agosto de 2013, 16:35        

Você precisa

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Você precisa saber o que quer E para onde não ir Você precisa querer o que quer E não o que querem que queira Você, precisa dormir E sonhar, mesmo que não lembre Você precisa dar nãos Mas não perca o sorriso Você precisa sobreviver Mas não mate ninguém Nem mesmo a você Você precisa Comer menos Exercitar-se mais fazer mais amigos Se vestir com mais cuidado Falar tudo que pensa, e pagar caro Ser mais estratégico Espiritualizar-se Aprender a ficar consigo Ler mais Rir mais Valorizar o bem e os do bem Respeitar o diferente Ouvir tudo antes de qualquer coisa Lembrar que existe amanhã Perdoar, mas não ser besta Você precisa aprender a viver Para um dia poder não viver mais. Sérgio Pereira Recife, 26 de julho de 2013, 22:49

Impulso de Interesse

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Seriam 30 dias Você pediu mais Não queria ficar só Eu vi coisas que me interessavam Eu fiquei Consegui coisas Teve balada Festa Bala e doce Houve sexo Afeto Carinho Mas cansou Eu não consegui suprir o que eu queria com você Você não se satisfez com o que eu dei De repente, parece que esqueci o meu interesse em ficar E falo como se tudo tivesse sido por que você quis Eu sei a verdade Eu sei que te usei Que me aproveitei da sua carência E na sua esperança você se ferrou O  encanto acabou Os nãos começaram Desentendimentos constantes Perdas Percepção do real Egoísmo aparente Fim. Ricardo Pereira, Recife, 27 de maio de 2013, 19:29

Pessoas

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Encontro pessoas Sou encontrado Nos achamos, talvez Perdemo - nos às ve zes Continuamos, ou não Tem de haver cimento Liga, química, razão Que se sinta Entenda Que se una Cole Estranhos Colegas Amigos Amores Pessoas Acidentes perfeitos Planos trágicos Reais, virtuais e imaginárias Falhas, delicadas, ríspidas Ásperas, maravilhosas, toscas Fracas, covardes, egoístas Fortes, corajosas, altruístas Boas e ruins Irreais Tudo junto, entranhado Repletas de adjetivos e predicados Pessoas Que se amem Que se odeiam Desprezíveis Insípidas   Que valham a pena Que não valham nada Que marcam Que machucam Que curam Que repetem E se repetem Que queremos Que fiquem Que vão Pessoas. Ricardo Pereira Recife,   18 de maio de 2013, 19:49

Desfragmentando

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Esperança que persiste Previsões sussurradas Busca que não acha Achados que não se busca Erros que se repetem Limitações que prendem Impressões que não se desfazem Vontades insistentes Ilusões do ocidente Felicidade artificial Sono em capsula Vida em bula Correr até perder o folego Sentir as pernas tremendo Os músculos doendo O ar queimando ao entrar Sem pensar Sem falar Sem amar Sem ouvir Nada Mas eu preciso saber Eu quero ser E quero ter O ultimo momento A mais nova novidade Tudo que eu não sei Sono Bocejo Desejo Dormir Crer. Ricardo Pereira, Recife, 17 de Maio de 2013, 1:37

Ausência

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Ausência De formas, Cores, Sentidos, De gosto. Ausência Do que se quer Do que se pode ou poderia ter Ausência de idéias De ideais, de criatividade, Ausência de viver Morrer e nascer Ausência da ausência De estar cheio De estar completo De estar vazio Ausência que posso preencher Que posso converter Em bem Em mal Em prazer Ausência que me dói E que me constrói Ausência por escolha Por circunstância Por conveniência Ausência para não estar só Mais para se isolar Ausência para pensar Para amadurecer Para se ver e rever Ausência para dar e tirar valor De algo, de alguém, de si Para enxergar o que não se quer ver Para voltar do que se fugiu Um dia Por algo ou alguém Que se ausentou E se perdeu Sérgio Pereira Luanda, 03 de julho de 2007, 21:28

Beijo

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Pode  acontecer de vários modos Numa explosão impulsiva Numa estratégia perseguida Num roubo esperado, ou não Pode demorar Pode até não acontecer e virar sonho, ilusão Mas sempre, para existir vai haver toque Vai haver troca Pupilas que se dilatam Mãos que não ficam quietas, tateiam Pode ser lento ou apressado Suave ou febril Pode ser tudo junto e misturado Lábios que se unem Respirações que ofegam Línguas que se entregam Bocas que aceitam Maleáveis Numa dança de entregas Empatia sinestésica Pode ser um começo Um  talvez Um desistir Pode durar várias eternidades De um momento De um dia, meses, anos ou até de uma vida Pode ser simplesmente efêmero E até esquecido Mas mesmo assim, imprime Marca Que seja, bom, ruim Ou desenxabido Deve existir Pois, pode definir. Sérgio Pereira, Recife, 30 de abril de 2013, 0:49

Vencimento

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Qual o vencimento da sua vida, Da sua felicidade, Dos seus sonhos E ínfimas aspirações, Qual a data, hora, minuto, Que tudo, tudo vai aspirar, Você saberia dizer? Você desiste sem tentar Você tenta sem saber Você atira sem mirar E erra Erra para valer Você é um porra! E vai morrer, Sem saber Mesmo assim, sonha Quer ser visto, quer ver, sentir e tocar Ainda crê Ainda tenta Ainda...

Machucamos a quem amamos

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 Machucamos a quem amamos Com uma facilidade inerente Que de tão natural, não se percebe. Isso nos faz humanos ou vermes? Estando  perto e disponível Não valorizamos E se houver certeza, tudo se agrava Tudo piora Ferir torna-se quase que um comportamento habitual Palavras soltas sem pensar Esquecimento Ignorar Monstros masoquistas Tentados sempre ao que não presta Execrando o que de fato é bom E só depois Um dia Quando ninguém sabe ao certo Alguns acordam E aprendem A valorizar o que nos valoriza A amar ao que e a quem nos ama A agradecer pelo o amor que temos E tentar  desculpar - se por não ter agido assim antes. Somos monstros Brutos Egoístas Somos orgulhosos Somos humanos. Sérgio Pereira Caruaru, 09 de março de 2010, 09:22.

Só que não

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Alguém assumiu o meu desejo Alguém teve a coragem que eu não tive Alguém gritou o grito que era meu E que eu guardava para que ninguém visse Mas eu não aceito Mas eu não assumo Pois a ideia era boa O conceito era perfeito Amanhã talvez eu acorde E admita que o feito era de fato meu desejo E que na realidade a renuncia foi sempre minha Só que não. Ricardo Pereira, Recife, 31 de março de 2013, 12:58