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Disrupção

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Faz um tempo que não apareço por aqui e curiosamente não é por falta de relativizar, pensar, querer, é a ausência do fazer, do executar. Hoje caminhado pela praia de um dia cinza me veio disrupção na cabeça, uma necessidade de quebrar padrões, romper e junto com esse pensamento o sentimento de dificuldade, da dureza que é seguir pelo caminho fora da lógica que nos foi impelida.

A normatização da vida que nos é ensinada desde feto, os padrões, a lógica das maiorias que por mais diferentão que você seja ou pense, permeará por caminhos regimentados em algum momento, adotará comportamentos de opressor ou fará mesmo que sem querer coisas que corroboram para a manutenção da harmonia, da ordem, do padrão, do pensamento coletivo cíclico e linear. Não é fácil! O importante é continuar tentando novos caminhos, novas formas, é não travar apenas porque se diz que é assim.

Acabamos seguindo fluxos involuntários padronizados e isso se reflete em todos os níveis das nossas relações e interações soci…

O seu mundo é só seu

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O seu mundo é só seu
Nele não cabe outro além dele
O seu mundo é só seu
Do momento agora
Do verbo querer
Do olho no umbigo
No próprio

O seu mundo é só seu
Um futuro compartilhado de um olho só
Um plano traçado, lugar para um
E o resto que se encaixe

O seu  mundo é só seu
Não cabe o outro
Não tem espaço
Não há disposição
Nem gosto
Para somar outro

O seu mundo é só seu
Do seu desejo
Do seu sonho
Da sua vontade
Do seu eu.

Sérgio Pereira,
Recife, 06 de junho de 2017, 22:49

Perdido na floresta

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Perdi-me na floresta, que entrei sem abrir caminho, sem jogar migalhas de pão, não fiz um mapa pra voltar. Uma floresta densa, que não se via o céu, apenas alguns raios de luz penetravam as copas frondosas de árvores gigantescas. Esqueci do azul do céu, esqueci o caminho para voltar, me deixei na sombra das árvores, contemplando apenas o que estava a vista, vivendo, ou melhor, sobrevivendo, como se tudo fosse suficiente, como se não houvesse na floresta, clareiras, serras, vales, rios, montanhas, fiquei apenas na parte densa, escura, úmida, me decompondo.

Me desfiz no solo, num mesmo lugar, me sentido parte, mas sem vida, porém me concentrando num ponto, como uma semente, até que bateu dias de chuva, seguidos de raios de sol, e de repente como se rompe-se uma casca, senti algo sair, uma esperança, verde e pequena, germinou, dias, noites, orvalho, uma luta por mais sol, mais luz, fotossíntese, transformar o ar, sair de onde estava, movimentar.

Crescer novamente, renascer, com uma baga…

Sentir

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Sentir, sentir, por mim, por você,  por quem está longe, por quem está perto, por quem se foi e deixa uma ausência que não se preenche. Uma marca, uma cicatriz,  que fica num looping do tempo vivido, a cada piscada de lembrança,  como um membro fatasma de um  amputado, não está mais lá,  mas está. Sérgio Pereira,
Recife, 13 de agosto de 2014, 23:24

Coisas que tenho e sou

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Tenho por princípios não esperar
Tenho a razão como lógica
Quero objetividade,  como se natural ao mundo fosse
Tenho minhas verdades, mas há um medo de convicções
Vivo impulsos com lampejos de minhas razões
Por vezes foi preciso voltar para por um ponto, um fim Me contradigo em expectativas, que a razão não muda
Mas tenta abafar
Inicio coisas sempre com esperança
Tenho o pessimismo como prudência
Mas padeço de um otimismo altista
Que me faz projetar sonhos e nem sempre realizar Brinco de controle, sabendo que não existe
Consigo rugir como um leão, mas sempre com um plano de evasão em mente
Amo desafios, sempre os escolho,  mas reclamo quando os consigo
Gosto de quase tudo, sigo correntezas
Mas sei aportar e usar: motor, vela e o que for preciso pra mudar direções Tenho sentido um desejo enorme de algo que não tenho
Já posso ter tido e talvez nunca terei
E por vezes penso não existir
Mas os anos me trouxeram ums fé ligada ao meu otimismo altista
Que insiste em me devanear
Em possibili…

O tempo que se tem

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Tempo de escolhas minhas
Tempo de não escolher ser escolhido
Tempo de não ter tempo para os tempos de outros
Tempo de ser só,  sem sentir-se sozinho
Tempo de enxergar o que não era visto
Tempo de crer, mesmo diante de tudo que ja foi visto
Tempo de esperar, desejar e viver
Tempo que para mim não será para você
Tempo de encontros, de se perder
Tempo de deixar o tempo ser o tempo que quer ser
Tempo que não volta, nem  vai correr
Tempo que não para
Tempo que se acaba, que se perde
Por escolha ou não escolher
Tempo que ajuda e atrapalha
Tempo que se arrasta
Tempo que acaba
Tempo que é morte
Mas que não sabe se é fim.
Sérgio Pereira,
Recife, 14 de julho de 2014, 22:51

O novo nunca existiu

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Uma repetição atrás da outra, olho em volta e vejo repetições do que já vivi em outros grupos, na forma das relações,    na música que se ouve,  no intusiasmo por tudo, do mesmo modo que me sinto repetir o que outrora outros ja viveram. Fragmentos de vida, de atitudes, de pensamentos, soltos numa teia,  que vamos costurando numa grande couxa de retalhos, que faz com que a repetição tenha uma cara aperfeiçoada,  ou mais contemporânea,  porém,  não perdendo os ares de repetição.          Somos um grande caderno de cópias,  so muda a caligrafia e o ritimo do enredo de cada um, alguns conseguem pular páginas,  apagar algumas linhas, mas não sinto que se consiga começar tudo realmente novo, como se nada antes houvesse.           O novo nunca existiu, o novo é uma ilusão que criamos para sabotar a rotina, para nos sentirmos renovados, diferentes, esperançosos. Parece pessimismo pensar assim, e também pode ser um grande equívoco tudo dito, mas prefiro o questionamento a inercia do …