terça-feira, 6 de junho de 2017

O seu mundo é só seu

O seu mundo é só seu
Nele não cabe outro além dele
O seu mundo é só seu
Do momento agora
Do verbo querer
Do olho no umbigo
No próprio

O seu mundo é só seu
Um futuro compartilhado de um olho só
Um plano traçado, lugar para um
E o resto que se encaixe

O seu  mundo é só seu
Não cabe o outro
Não tem espaço
Não há disposição
Nem gosto
Para somar outro

O seu mundo é só seu
Do seu desejo
Do seu sonho
Da sua vontade
Do seu eu.

Sérgio Pereira,
Recife, 06 de junho de 2017, 22:49

domingo, 5 de abril de 2015

Perdido na floresta

Perdi-me na floresta, que entrei sem abrir caminho, sem jogar migalhas de pão, não fiz um mapa pra voltar. Uma floresta densa, que não se via o céu, apenas alguns raios de luz penetravam as copas frondosas de árvores gigantescas. Esqueci do azul do céu, esqueci o caminho para voltar, me deixei na sombra das árvores, contemplando apenas o que estava a vista, vivendo, ou melhor, sobrevivendo, como se tudo fosse suficiente, como se não houvesse na floresta, clareiras, serras, vales, rios, montanhas, fiquei apenas na parte densa, escura, úmida, me decompondo.

Me desfiz no solo, num mesmo lugar, me sentido parte, mas sem vida, porém me concentrando num ponto, como uma semente, até que bateu dias de chuva, seguidos de raios de sol, e de repente como se rompe-se uma casca, senti algo sair, uma esperança, verde e pequena, germinou, dias, noites, orvalho, uma luta por mais sol, mais luz, fotossíntese, transformar o ar, sair de onde estava, movimentar.

Crescer novamente, renascer, com uma bagagem maior de erros e acertos, de alegrias e tristezas, um novo ciclo se estabelece, com a mesma certeza de não haver certezas. Nos damos uma nova chance, num processo de crescimento, de conhecer o novo de novo, encontrar novos caminhos, de perseguir sonhos antes esquecidos, de rever convicções, aceitar fraquezas, de pedir ajuda, de ver beleza na imperfeição, de se abrir para o desconhecido, para o etéreo o intangível.

O tempo, o tempo que só sinto quando olho para trás não é o mesmo de quando miro o horizonte, o vejo na pele, no ritmo, no cabelo que muda a cor, mas não há no sentimento do amanhã, não nos planos futuros, não há em mim, como se este fosse uma regra de passagem, uma convenção obrigatória apenas algo que nos dão.

Nascer, crescer, morrer, quantas vezes repetimos em vida ou em vidas, este ciclo?

Sérgio Pereira
Recife, 05 de abril de 2015, 23:31.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Sentir

Sentir, sentir, por mim, por você,  por quem está longe, por quem está perto, por quem se foi e deixa uma ausência que não se preenche. Uma marca, uma cicatriz,  que fica num looping do tempo vivido, a cada piscada de lembrança,  como um membro fatasma de um  amputado, não está mais lá,  mas está.

Sérgio Pereira,
Recife, 13 de agosto de 2014, 23:24

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Coisas que tenho e sou

Tenho por princípios não esperar
Tenho a razão como lógica
Quero objetividade,  como se natural ao mundo fosse
Tenho minhas verdades, mas há um medo de convicções
Vivo impulsos com lampejos de minhas razões
Por vezes foi preciso voltar para por um ponto, um fim
Me contradigo em expectativas, que a razão não muda
Mas tenta abafar
Inicio coisas sempre com esperança
Tenho o pessimismo como prudência
Mas padeço de um otimismo altista
Que me faz projetar sonhos e nem sempre realizar
Brinco de controle, sabendo que não existe
Consigo rugir como um leão, mas sempre com um plano de evasão em mente
Amo desafios, sempre os escolho,  mas reclamo quando os consigo
Gosto de quase tudo, sigo correntezas
Mas sei aportar e usar: motor, vela e o que for preciso pra mudar direções
Tenho sentido um desejo enorme de algo que não tenho
Já posso ter tido e talvez nunca terei
E por vezes penso não existir
Mas os anos me trouxeram ums fé ligada ao meu otimismo altista
Que insiste em me devanear
Em possibilidades, que não sei.
Sérgio Pereira
Recife, 17 de julho de 2014,  00:12

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O tempo que se tem

Tempo de escolhas minhas
Tempo de não escolher ser escolhido
Tempo de não ter tempo para os tempos de outros
Tempo de ser só,  sem sentir-se sozinho
Tempo de enxergar o que não era visto
Tempo de crer, mesmo diante de tudo que ja foi visto
Tempo de esperar, desejar e viver
Tempo que para mim não será para você
Tempo de encontros, de se perder
Tempo de deixar o tempo ser o tempo que quer ser
Tempo que não volta, nem  vai correr
Tempo que não para
Tempo que se acaba, que se perde
Por escolha ou não escolher
Tempo que ajuda e atrapalha
Tempo que se arrasta
Tempo que acaba
Tempo que é morte
Mas que não sabe se é fim.

Sérgio Pereira,
Recife, 14 de julho de 2014, 22:51

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O novo nunca existiu

          Uma repetição atrás da outra, olho em volta e vejo repetições do que já vivi em outros grupos, na forma das relações,    na música que se ouve,  no intusiasmo por tudo, do mesmo modo que me sinto repetir o que outrora outros ja viveram. Fragmentos de vida, de atitudes, de pensamentos, soltos numa teia,  que vamos costurando numa grande couxa de retalhos, que faz com que a repetição tenha uma cara aperfeiçoada,  ou mais contemporânea,  porém,  não perdendo os ares de repetição.

          Somos um grande caderno de cópias,  so muda a caligrafia e o ritimo do enredo de cada um, alguns conseguem pular páginas,  apagar algumas linhas, mas não sinto que se consiga começar tudo realmente novo, como se nada antes houvesse.

           O novo nunca existiu, o novo é uma ilusão que criamos para sabotar a rotina, para nos sentirmos renovados, diferentes, esperançosos. Parece pessimismo pensar assim, e também pode ser um grande equívoco tudo dito, mas prefiro o questionamento a inercia do pensar. Antagônico a tudo, gosto de brincar de tudo novo de novo, gosto de tentar quebrar um padrão,  mesmo  isso não seja tão novo, como um todo, e sim apenas para mim, naquela fração de tempo que o novomou a ilusão dele existiu.

Ricardo Pereira,
Recife, 01 de maio de 2014, 22:02

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Falta tanta coisa, que....


                São tantas faltas, que ausência passa ser normal, tal qual, o fato de não ter e não praticar cidadania, de viver como se em guerra estivesse, pensando apenas no próprio umbigo, perdendo completamente a noção de coletivo, de bem comum. Honestidade passa a ser algo para se ressaltar, quando deveria ser natural, comum, parte de tudo, somos roubados e reelegemos quem nos rouba, reclamamos de tudo, mas me questiono: Fazemos a nossa parte?

                Educação, não apenas soletrar e juntar letras formando palavras, nem decorar a tabuada, mas sim, aprender a pensar, a questionar, a perceber que existem ângulos diferentes para olhar tudo. Temo dizer, mas: tudo está errado!

                Saídas diversas, mas para todas educação, para pensar e construir uma consciência comum de efeito dominó, percebendo que respeito e gentileza têm de ser algo fundamental.    

                Utopias! Adoro pensar nelas como se este fosse um exercício de fuga, para o que vejo e vivo.                             

                Brasil, mundo, copa, especulação financeira, ricos, pobres, miseráveis, o surto da classe média brasileira, a síndrome Gourmet, viajei e tenho que contar pro mundo, dei dois passos e me auto-paparazzizzei no Facebook , Instagram ou qualquer outra rede social que se use. Uma necessidade emergencial de provar quem sou pro outro, mesmo que não seja eu de verdade e sim uma projeção do que eu gostaria que fosse, ou do que ache que os outros esperam ou querem de mim.

                Vivemos sós, mas estamos conectados com vários gadgets que nos conectam com todo mundo, e rompem a solidão numa ilusão de estar acompanhados, mesmo que não estejamos, perde-se contato, desaparece a surpresa. Um novo processo de relações, de interação, há uma liberdade, uma possibilidade de escolha como antes não havia, as fronteiras estão menores, tudo está mais fácil, mesmo que de  um modo a longo prazo, talvez, mais difícil, a vida ao toque do dedo, se perde do viver de antes, para a construção de o novo viver do amanhã, engatinhamos.

                Por vezes, me pego triste observado o entorno da minha vida, meio desconcertado com o que vejo, como sentisse que as coisas estão se perdendo, que os valores não estão evoluindo, mas se perdendo, ficando rasos, há um superdimensionamento de coisas pequenas, há uma exacerbação do “Eu” em quase tudo. Falta gentileza da moça que não dá a preferência no transito, apenas olha com abuso e acelera como se apenas ela tivesse o direito de receber gentileza, há uma estupidez incongruente com o Moço que briga com o outro apenas por causa do time que perdeu ou ganhou, ou com a massa que destrói tudo antes de depois de um jogo, há de fato, cada dia mais uma falta total do que costumamos chamar de civilização, de uma forma tão corriqueira que esquecemos o significado real de sermos humanos, ou talvez eu esteja completamente errado sobre o modo como penso.

                Quem tem continua tendo, quem não, engole a ilusão de que tem alguma coisa e que as coisas vão melhorar, o conhecimento é usado para alienar, sem alienação a sociedade não estaria como está, ninguém faz nada e tudo continua no seu lugar.

                Manda quem pode, obedece quem tem juizo, assim se vive no engenho, não é Coronel?

Ricardo Pereira,

Recife, 24 de abril de 2014, 17:11