terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Estrada

Pego a estrada e logo sou atingido por uma densa sensação de nostalgia, a rodovia, velocidade, música, um conjunto, um gatilho que dispara minha mente, ricocheteando numa velocidade extasiante em vários tempos, momentos e pessoas, o coração acelera ao ritmo da música que automaticamente liga-se a uma memória. Numa descarga de adrenalina sou remetido à sensação do instante, o arrepio que percorre a espinha instaura eletricidade até as extremidades do meu corpo, lagrimas são inevitáveis, num misto de felicidade e tristeza sinto saudade do eterno que não mais existe.
Amores, amigos, tristezas, felicidades, derrotas, alegrias, decepções, num turbilhão vão emergindo continuamente ao ritmo das músicas que tocam no som do carro, como numa melodia, todos estes sentimentos e lembranças se harmonizam criando uma sonoridade única nos meus sentidos, experimento este arrebatamento e deixo que ele tome conta do meu corpo, a partir desse momento a única razão que permanece, dirige o carro.
Perco-me nessa falha temporal que me remete a inúmeros tempos de minha vida, tudo tão nítido e fisicamente real, alguns questionamentos sobre os porquês, diferentes formas de ação e outras maneiras de solução, aparecem, seguidos de uma automática resposta da não necessidade de mudança dos caminhos escolhidos e já percorridos, da compreensão de quem sou e onde estou como fato consumado, mas não imutável. A cada mudança de música, novas velhas lembranças emergem, aproveito cada sensação de uma maneira tão intensa que beira um surto, logo a exaustão chega e sou inundado por uma profunda sensação de alivio, o ritmo da respiração vai voltando ao normal, as lagrimas escorridas já secaram e a razão volta como única sentindo a direção do carro.
Sérgio Pereira,
Caruaru, 29 e 31 de agosto de 2010, 23:47

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Branco


As palavras se perderam e mim
Sufocadas, como se algo as impedisse de sair
Presas, explodem por dentro
Misturando sentimentos
E sensações,
Que adoraria expressar.

Sérgio Pereira,
Caruaru, 27 de junho de 2010

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

You are my person?!

Realmente existe um alguém ou temos de ter um alguém, a tal pessoa, The one? Todas estas interrogações são jogadas ao nosso encontro sem respostas. Como numa formula mágica que pode definitivamente solucionar todo e qualquer problema: Alguém que você sempre em qualquer situação pode contar, alguém para falar e compartilhar, alguém que no momento de solidão e medo vai te amparar, alguém para festejar na mais alta felicidade e te cuidar quando estiveres por baixo. Penso que em algum nível entre a imaginação ficcional e a realidade devam existir várias pessoas próximas disto, porém, na realidade tudo é menos clipe, seriado de tv ou cinema, na realidade existem tantas outras variantes que podem fazer o sonho da perfeição desta pessoa  ser diferente,  menos película e um pouco mais VHS.
    Mesmo com esse tom não tão positivo, pasmem, acredito que estas pessoas existam, nossas escolhidas, porém não creio em uma, creio em várias e para situações diferentes, ao longo da vida vamos encontrando e sendo as pessoas de outras pessoas, em diferentes tipos de relacionamentos, tanto de amizade quanto e amor. Encontramos e somos estas pessoas que ouvem, conversam, incentivam, respeitam admiram, choram, seguram a mão, ficam ali paradas sem dizer nada, apenas bebem e brincam, dizem o que não queremos ouvir, que festejam a vitória, enxugam nossas lagrimas, e quando nada dá certo dizem que vai passar que vai melhorar, são estas pessoas, eu, você, responsáveis pela construção do sentimento mais lindo que eu conheço na minha vida até hoje, amizade.    
    Algo que ao longo da vida vai ficando cada vez mais raro, não pela impossibilidade de existir ,mas pela nossa dificuldade de percebê-lo, pois, está em todo lugar. Penso que essa dificuldade vem do medo que temos incondicional e instintivo de perdê-lo, esse medo nos cega um pouco e o que conseguimos temos que manter. No meio dessa vida contemporânea e alienada, na qual nada é suficiente, e somos impelidos cada vez mais ao egoísmo e a pensar que o consumo resolve tudo, que preenche aquele buraco subjetivo da alma, que nos acalenta no final do domingo, é sempre mais difícil não ter medo, como lutar contra a correnteza.
    Eu creio que existe mais de uma pessoa para ser sua ou minha pessoa, e elas virão e irão ao longo da vida, serão sempre inesquecíveis, sempre me lembrarei delas, sempre as amarei, pois elas estão marcadas em mim e creio que todos somos feitos destas marcas de pessoas em nossas almas, delas sinto falta, respeito e amor, encontrarei outras, algumas permanecerão ao meu lado durante minha vida, outras serão memórias  que me farão rir ou chorar de felicidade ou saudosismo com a certeza de que construímos momentos eternos uns para os outros. 

Sérgio Pereira,
Caruaru, 22 de agosto de 2010.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Divagação Contemporânea


Pensando sobre crer, pensado sobre os porquês de tantos momentos doloridos da vida, sobre tudo que nos chega como explicação ou resposta de tais porquês, mil e uma coisas passam pela minha cabeça, numa tentativa van de racionalizar ou simplesmente poder sintetizar a vida, seu significado, sentido, continuo sem respostas, ou melhor, continuo sem conclusão.  Respostas, estas existem várias, mas qual seria a mais conveniente, aceitável, razoável.
Queremos uma resposta ou uma solução que nos agrade?
                Todos os porquês continuam habitando nosso consciente e nosso inconsciente, nos restando aceitar  e aprender ou negar e sofrer com essa ausência de resposta. Tenho optado por aprender, ao menos, imagino que tenha sido este o caminho que venho escolhendo. Não gosto da idéia de que viemos para sofrer, não me agrada, acho-a injusta e mesmo dentro de toda  a minha ignorância religiosa, penso que isso seja um enorme mau entendido, no meu empirismo absoluto, penso e sinto que todos viemos para viver, viemos para provar da vida e sofrer é apenas uma das conseqüência desse processo, uma implicação mais dolorida e por tanto mais fácil de ser enfatizada, pois, marca como cicatriz a nossa pela, a nossa mente, a nossa alma, por isso acabamos dando uma maior importância a nossa dor do que ao nosso prazer.
                Deve ser um traço da humanidade, essa tendência em valorizar o negativo, apreciar o positivo requer uma elevação enorme em todos os sentidos, nas minhas observações de mim e de todos que me rodeiam, noto como uma constante, o gostar por quem não nos gosta, o querer por quem não nos quer, como se essa impossibilidade tornasse tudo mais desejável, em contraponto, vejo um desprezo corriqueiro aos de bom coração (bonzinhos) como se qualquer sentimento que venha de graça sem sacrifício não valesse a pena, não fosse interessante, quando falo bom coração falo de pessoas boas de verdade e não de dissimulações tendenciosas, luto muito contra isso, quero querer bem a quem me quer bem, e não querer mal aos que não me querem bem, porém, destes últimos, acabo optando por me afastar, apenas uma limitação que tenho.
                Nesse mudo de cada um por si, amar é cada vez mais raro e difícil, não falo do amor a dois apenas, falo de forma geral, tudo tão emergencial e instantâneo que não nos damos conta do buraco que deixamos em nós, a mesma velocidade que chega ,desaparece e o sentido de ausência e vazio torna-se cada vez mais comum e constante, buscamos preencher de tantas formas, com tantas fugas e não vamos direto ao ponto, penso que a modernidade e a contemporaneidade nos geram a impossibilidade de ver solução na simplicidade, no dividir, no autoconhecimento, na fé de qualquer forma positiva que seja, no amor.
                Aprendemos que a solução de tudo está no capital, no dinheiro, em tudo que conseguimos, em tudo que construímos (materialmente) na roupa que vestimos, no lugar que freqüentamos, nas pessoas com quem nos relacionamos, no todo que aparentamos, sei que estou caindo no clichê obvio da crítica capitalista, porém, não consegui fugir, não consigo imaginar nem conjecturar nada diferente, também não tenho nenhuma proposta diferente da que temos, impelidos pela mídia e pelas imagens que absorvemos desde sempre, buscamos o mundo perfeito da imaginação de alguém que nem tem um mundo perfeito, nesse fracasso, encontramos o vazio, o medo, o imperfeito.
Precisamos dar licença há felicidade, precisamos aprender a percebê-la, sentir sua inconstante aparição  que vai e vem ao longo de um dia, realmente temos que aprender com a dor para não voltarmos a sentir, todavia, devemos saber equalizar as proporções entre dor e prazer, felicidade e tristeza, esperança e desilusão, estas dualidades que fazem a vida ser essa maravilha repleta de possibilidades, precisamos reaprender a demonstrar nossos sentimentos, sem medo que seja fraqueza, apenas com a certeza que é coragem plena.
Sérgio Pereira,
Caruaru, 24 de agosto de 2010, 22:37