A Estrada

Pego a estrada e logo sou atingido por uma densa sensação de nostalgia, a rodovia, velocidade, música, um conjunto, um gatilho que dispara minha mente, ricocheteando numa velocidade extasiante em vários tempos, momentos e pessoas, o coração acelera ao ritmo da música que automaticamente liga-se a uma memória. Numa descarga de adrenalina sou remetido à sensação do instante, o arrepio que percorre a espinha instaura eletricidade até as extremidades do meu corpo, lagrimas são inevitáveis, num misto de felicidade e tristeza sinto saudade do eterno que não mais existe.
Amores, amigos, tristezas, felicidades, derrotas, alegrias, decepções, num turbilhão vão emergindo continuamente ao ritmo das músicas que tocam no som do carro, como numa melodia, todos estes sentimentos e lembranças se harmonizam criando uma sonoridade única nos meus sentidos, experimento este arrebatamento e deixo que ele tome conta do meu corpo, a partir desse momento a única razão que permanece, dirige o carro.
Perco-me nessa falha temporal que me remete a inúmeros tempos de minha vida, tudo tão nítido e fisicamente real, alguns questionamentos sobre os porquês, diferentes formas de ação e outras maneiras de solução, aparecem, seguidos de uma automática resposta da não necessidade de mudança dos caminhos escolhidos e já percorridos, da compreensão de quem sou e onde estou como fato consumado, mas não imutável. A cada mudança de música, novas velhas lembranças emergem, aproveito cada sensação de uma maneira tão intensa que beira um surto, logo a exaustão chega e sou inundado por uma profunda sensação de alivio, o ritmo da respiração vai voltando ao normal, as lagrimas escorridas já secaram e a razão volta como única sentindo a direção do carro.
Sérgio Pereira,
Caruaru, 29 e 31 de agosto de 2010, 23:47

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