quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Vida-guerra X Gerra-vida


            Pequenas batalhas travadas ao longo da guerra que chamamos de vida.  Hoje, senti uma pequena sensação de vitória, nada soberbo nem muito menos espetacular, apenas um detalhe, uma mudança de atitude ao meu redor, tão simples e de repente sem total certeza, me senti vencedor naquele momento.
            Este pequeno detalhe tão ínfimo capaz de uma sensação tão gostosa, o triunfo, posso chamar também de felicidade, já que, a guerra é a vida, uma batalha constante por tudo: ver, ser visto, estar, ser, dizer. Lutamos por tudo, como justificativa: lutamos, mas nem tudo é triunfo, vitória, sentimos constantemente o dissabor ou o amargo da derrota, que muitas vezes acaba abafando ou desacreditando nossas doces vitórias, temos uma facilidade absurda em valorizar a amarga derrota, penso que seja um mecanismo de auto-preservação que por vezes pode nos tirar o significado da luta.
Sem significado sucumbimos, conseqüentemente perdemos batalhas e este perder pode nos matar. Retomar o significado, lembrar das doces vitórias cotidianas é para mim a chave fundamental para se manter vivo nas trincheiras, com tudo, como diria o Pato Fu :
“...As brigas que ganhei
      Nem um troféu
      Como lembrança
      Pra casa eu levei

      As brigas que perdi
      Estas sim
      Eu nunca esqueci
      Eu nunca esqueci...”

            Nossas derrotas na realidade têm a possibilidade de tornar-se, grandes lições, na qual teremos como possibilidade aprender e crescer ou simplesmente negar, introverter e ou retroceder, tudo uma questão  de escolha somada a forma como conseguimos perceber e enxergar o contexto, fácil, realmente não é, mas como imaginar que uma guerra pudesse ser fácil. Para existir a guerra temos de ter conflitos, dor, luta, perdas, sofrimento, batalhas, lutas, armas, derrotas, vitórias, tudo isto, menos, facilidades.
            Independente do tipo de motivo que te mova, seja ele: religioso, étnico, ideológico, econômico, territorial , de vingança ,de posse, a soma de vários destes ou quaisquer outros que não esteja explicitado por aqui, me questiono:
 Existe uma vitória final, definitiva?
A Guerra tem fim?
Há vitória quando se ganha em detrimento do sofrimento ou da perda alheia?
            Não consigo responder tais questões quando penso de forma macro da guerra como guerra, mas quando penso num paradoxo com o nosso dia a dia, com a nossa vida, penso ser melhor enxergarmos significado nas pequenas batalhas, do que, pensarmos a vida como uma guerra de um vencedor, provavelmente tornaria tudo mais simples, porém, tiraria de uma certa forma o significado do caminho, do percurso que para mim hoje é o que realmente importa.
Sérgio Pereira,
Caruaru, 17 de Novembro de 2010, 20:32

PS: Foto do flamingos - http://www.fotolog.com.br/noabuelano

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Perda


Aprendemos tantas coisas ao longo de nossas vidas, nos habituamos com coisas boas e ruins e a partir desse aprendizado fazemos nossas escolhas, seguimos nossos caminhos, nos envolvemos, conhecemos quem nos rodeia e milhares de sentimentos afloram naturalmente no meio de tudo isso.
Sentimentos bons como amor, fraternidade, carinho, respeito, admiração, ajudam-nos construir uma imagem de sentimentos da figura de quem temos, de quem queremos, e essa figura, formada a partir do que sentimos vai muito além do que é fisicamente. Um amálgama de sentimentos, forma, atitudes que não escolhe parentesco, cor, raça ou qualquer tipo de orientação.        
Envolvemos-nos de uma maneira tal que conseguimos conviver com o todo, o bom o mau, os conflitos, aceitamos do modo que é, tentando de uma forma natural certos ajustes em comum acordo, tudo se torna tão rotineiro que nos esquecemos da importância das nossas relações, da força que existe nestes vínculos invisíveis que cultivamos ao longo das nossas vidas, bem como, da generosidade e de todo altruísmo necessário para manutenção desse afeto incondicional. Importante ressaltar tudo isso, pois, é desesperador pensar que por toda essa naturalidade existente, adormeçamos a importância de todas essas relações, onde, em alguns momentos só consigamos enxergar na perda.
Perda, tudo que não conseguimos nunca aprender, perder, ao menos penso assim, conseguimos até conviver, deixar de lado, esquecer, negar, mas não creio que de fato aprendamos a perder. Me pego aturdido com essa possibilidade, e realmente não sei o que fazer. Perdemos todos os dias, amores, amigos, colegas, fatos, trabalhos, gentilezas, perdemos o pôr e ou nascer do sol, esquecemos o simples, deixamos de nos tocar, de nos importar, deixamos de nos expressar, vamos deixando e nesse ritmo o que nos resta, além de esperar uma perda maior?
Tenho medo, principalmente das perdas inevitáveis, não falo de fracassos, mas sim do caminho inevitável, não falo por mim, mas pelos que me circundam, tenho medo, e sei que nunca estarei preparado.

Sérgio Pereira,
Caruaru, 15 de novembro de 2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Delírio de Aproveitar

Aproveitar a estadia, há alguma coisa melhor do que aproveitar devidamente a sua estadia, não consigo imaginar nada melhor, então, se pensarmos que algumas filosofias ou religiões, sei lá como chamar, pregam que escolhemos vir para onde estamos, logo, aproveitar a nossa estadia é tudo que temos a fazer.
Pensemos na vida como uma viagem de turismo, com direito a tudo que possamos ter, hotel, lugares de todos os tipos, restaurantes, pessoas interessantes e desconhecidas por todos os lados, pontos turísticos, tudo, realmente tudo que se tem numa viagem. Estamos aqui a passeio, porque não aproveitar tudo que for possível, uma excursão escolhida e planejada, para que se lamentar e perder tempo tentando explicar ou entender qualquer coisa que seja.
A  palavra do ordem é: aproveitar.
Usar tudo que está a nossa volta da melhor maneira que possamos imaginar e realizar. Sentir sabores, cores, odores, emoções, em suma, viver sem pestanejar muito, ser impulsivo se for o caso e racional se for realmente necessário, com o único foco em aproveitar todas as oportunidades que batem a nossa frente a cada segundo.
Passamos tempo demais tentado mudar as coisas que esquecemo-nos de utilizá-las da forma que são, perdemos tanto com isso, que quando nos damos conta, já é um pouco tarde, passou, e o que passa não volta mais e quando volta, já mudou, não é mais o mesmo. A vida é simples, mas temos o dom de complicar, criando complexidades a nosso mero capricho na ilusão de perfeição que insistimos existir.
Então a partir de agora, vivamos!
Temos que sentir as coisas para poder saber que vivemos, pois do contrário, iremos repetir o mesmo passeio, da mesma forma, com uma constante sensação de dejavu. Se não quer reprise, viva, se jogue, sinta o vento no rosto, se preocupe menos com o que os outros vão falar, pense um pouco mais em você e saiba que isso não é egoísmo é amor próprio.Porém  a  única coisa que creio como regra indiscutível é: faça com os outros aquilo que você gostaria que fizessem com você, conseguindo seguir essa regrinha, ao meu entender, estará sendo ético e moral.
Sei que não é fácil, eu mesmo não consigo seguir tudo que disse, mas tento e sonho um dia conseguir, sejamos repetitivos e tentemos sempre alcançar os nosso objetivos.

Sérgio Pereira,
Caruaru, 13 de novembro de 2010, 2:35.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Olhando para o meu 2010

          Uma sensação de que algo ruim meio que se apoderou de mim no inicio da tarde, por mais que tente me desvencilhar, persiste, então comecei a pensar sobre o meu ano, sobre 2010. Não tem sido um ano fácil, encontrei dureza em praticamente todos os setores da minha vida, com poucas exceções.
          Tantas coisas foram desfeitas, tantas imagens foram trocadas, com tudo, não consigo achar o ano ruim, o que realmente mais me intrigou e me intriga durante esse ano é uma certa incapacidade de conseguir modificar a minha realidade, não encontrei a forma nem o caminho de como fazer, encurralado, essa palavra que melhor exprime o sentimento mais constante do ano, com tudo isso, não consigo achar que o ano foi ruim, por mais que seja a coisa mais obvia, não consigo.

           Olhando para trás de uma forma mais ampla, resgatei amizades, aprendi e cresci em vários aspectos, gostei mais de mim, conheci novos eus, permiti a mim o que não permitiria, e este permitir foi realmente descomunal. Estava assistindo ao Roda Vida com a Marilia Gabriela entrevistando o Psicanalista Contardo Calligaris e ao ser perguntado sobre traição ele falou que a pior traição é quando traímos a nós mesmos, essa frase realmente chacoalhou meu cérebro, eu tenho me traido demais, tanto que não sei mais o que é não me trair, constatação que me faz perceber o motivo de não cair na obvialidade de taxar 2010 como um dos piores anos da minha vida.

           Em 2010 aprendi a me trair menos, tenho aprendido a me ouvir, a respeitar o meu desejo, a querer por mim, a dizer não ( não, é sempre tão difícil para mim, sou uma pessoa de sim), não sei o que tudo isso vai representar de fato, algo está em mutação.

           O ano não acabou ainda, um certo medo de que esse sentimento mude e de que eu comece a discordar de tudo que escrevi parece que está logo ali no canto, mas como diz a Vanessa da Mata:

“ Mas o pior não é não conseguir
   É desistir de tentar
   Não acredite no que eles dizem...”
               
Sérgio Pereira,
Caruaru,  09 de novembro de 2010, 22:16