quarta-feira, 30 de maio de 2012

O que nos faz iguais



 













 

Não saber o amanhã
Nos torna tão iguais,
Ficamos apenas com sonhos
Aspirações, desejos e incertezas:
Das consequências das nossas escolhas,
Das proporções dos nossos atos,
Dos caminhos percorridos,
Das cicatrizes fechadas,
Das lágrimas derramadas e não choradas,
Do eu e do outro,
Da rotina, do certo e do incerto.

Sem certeza,
Andamos, comemos, vivemos.

Procuramos sentido,
Encontramos, voltamos a perder,
Pois na realidade não tem o que achar,
Ou tem?

Certos da nossa busca incerta,
Teimamos, e seguimos,
Tendo apenas nossa incerteza,
Como única certeza.

Sérgio Pereira, 25 de Fevereiro de 2007, 19:45

domingo, 20 de maio de 2012

Aprendendo a desistir


                Há  momentos em nossas vidas,que desejamos algo ou alguém, e que de repente pensamos ter encontrado, não digo, ter conseguido e sim  apenas vislumbrado no horizonte. Nesse momento a esperança vem e nos preenche com o que é necessário para trilhar o caminho do que se avistou, porém, esquecemos que a miragens existem,
                Cheios de um otimismo cego, seguimos, mais para imagem do objeto de desejo do que o objeto em si. Num dado momento, chegamos ao que vimos ou supostamente idealizamos ter visto,
                 Nem sempre, o algo ou alguém, é recíproco ou como pensávamos ser, existe inúmeras particularidades que por mais minuciosos que sejamos não conseguiremos prever, saber ou existir.
                Ainda assim, repletos de esperança e otimismo, na euforia da chegada do encontro, mesmo que todos os sinais contrariem, insistimos.
                Chega então a razão, que para uns pode demorar e para outros chega a cavalo. Nasci então uma nova necessidade de se reprogramar, de desistir da idéia, do sonho, do desejo, de ver além do além visto.
                Há um vazio, físico e emocional, extremamente intangível, mas que remete a uma sensação de perda, mesmo que esta seja do que nunca se teve, porém junto com tudo isso há a possibilidade do novo, de novo.
                Assim a roda gira e a vida continua.

Ricardo Pereira
Recife, 20 maio de 12, 22:44.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Lado Negro


 

Como se um lado sombrio estivesse no controle
Sentidos, desejos, um fogo que arde
Algo que sabe desvanecer
Não estou sujo, nem tão pouco limpo
Vagueio entre o tudo e o limbo que me proponho
Sei quase tudo que quero e o que não quero
Quero coisas que não admito
Admito coisas que não quero
Me culpo
Me absolvo
Continuo me julgando
Sei algumas respostas
E inúmeras perguntas
Fico mudo
Estático
Pasmo

Um grito mouco
Ecoa por dentro do meu sangue
Divido entre não e sim

Perecível como tudo que é feito pelo homem
Pelo próprio homem
Por mim
Perecível

Dor, ódio, raiva
Vontade, impossibilidade
Cinismo
Plástico
Ilusão
Viver
Sobreviver
Seguir
Continuar
Esperar
Esperança
Mudar.

Recife, 15 de maio de 2012, 21:49



domingo, 13 de maio de 2012

2º Domingo e Maio


            Fui lá, matar minha saudade, ou melhor, atualizar suas bases, como desculpa o dia das mães, embora, desculpa não seja necessário, mas nesse mundo capitalista temos que seguir certos ritauis, para ninguém olhar para você e falar:
            - Que filho ingrato, nem foi ver a mãe!
           
            Para min esta questão de data, é como  clichê já aclamado aos quatro ventos: comercial. Dia da mãe, tem de ser todo dia, bem como, do Pai e do Saci Pererê, mas falando especialmente das mães, que este não seja apenas um dia de lembrar que ela existe, mas sim para a renovação constante do amor que geralmente existe nessa relação.
            Foi um dia tranquilo, com aquele cheiro de comida invadindo a casa, com os sobrinhos brincando por todos os lugares, com pai, irmão , cunhada, sushi e ela: minha mãe.
            Conversa de cozinha, aqueles momentos que ficam em forma de sentimento, lembrança afetiva, que influencía quem és, o que te tornas-te, que te faz acessar imediatamente lembranças emotivas de toda uma vida, boas, ruins, vida.

            Foi um dia leve, que deixou aquele gostinho de: não quero que acabe.

            É o nosso primeiro amor, mãe, tenho a sorte de sentir e ser correspondido, tenho a sorte de não mistifica-la mais, o que tornou tudo tão mais bonito, gosto dela assim, como gente, com erros e acertos, me sinto mais próximo, compartilho mais.
           
            Lembro dela em momentos improváveis, me vejo muitas vezes imaginando o que ela aconselharia, o que diria e faria. Foi dificíl e de certo modo ainda é, mas hoje consigo ouvir melhor suas palavras, e entender com mais tranquilidade a sabedoria do olhar sobre a vida que ela tem.

Ricardo Pereira,
Recife, 13 de maio de 2012, 21:14

Mãe















Foi dela que vim
Ela me criou
Me amou, me ama
Nela me alimentei
Aprendi,
Chorei e ri

Foi dela que vim
Ensinou-me amar
Respeitar, ajudar,
Valores,
Dogmas,
Certo e errado

Tenho em meu molde partes dela
Características boas e ruins
Coisa que gosto e outras nem tanto
Mas todas me fazem quem sou
E o que sou

Reconheço suas rugas
Suas escolhas
Seus medos
Seus desejos

Dela tenho o orgulho
A opinião forte
A cor dos olhos
Do cabelo
Partes do corpo

Sou dela filho
Sempre serei
Seria novamente

Para ela meu amor irrevogável

Sérgio Pereira,
Caruaru, 09 de março de 2010, 21:40

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Jogo de Caça














Me quer
E não sabe me ter,
Não percebe,
Se assusta
Me frustra,
Fujo,
Mesmo sem querer escapar,
Me encurrala, se arma,
Fraqueja,
Não caça.
Provoco, atiço mais não concretizo.

Nessa história sou caça,
Quero ser preza,
porém não me rendo
Quero que me tenhas,
Mas não sei me entregar.

Sérgio Ricardo, 14 de abril de 2005...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O espelho, um reflexo




O espelho que te reflete é o que te assusta
Não quer ver no outro o que és,
Mas só por um instante,
Te permites,
Olha pro outro, se enxerga,
Se reconhece,
Faz de conta que não se vê
Brinca, joga, goza,
Enquanto consegue se esconder,
Terias tu medo?
Serias tu um hipócrita,
Ou tua contemporaneidade não permite mais teu eu primitivo?

O espelho que te reflete é o que te assusta
Não quer ver no outro o que és,
Tu Te perdes,
Perdes ao outro,
Esvaece o tempo,
A vida,
As possibilidades,
Nascem feridas
formam cicatrizes.

O espelho que te reflete é o que te assusta
Não quer ver no outro o que és,
Para e vê,
Morre fugindo.

Ricardo Pereira,
Recife, 07 de maio de 2012, 00:02