terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2013/2014

 
      Ano novo, tudo e todos num desejo único de dias melhores, um ritual que se repete ano após ano, penso eu, que mesmo para os incrédulos há uma renovação de ciclo, um recomeçar.

          Mas o que realmente importa? Uma pergunta com respostas tão particulares, e repleta de diferenças de acordo com cada um. Eu realmento nesse momento penso em direção, trilha, caminho, como queiram chamar, a um tempo tenho a nitida impressão que minha bussola quebrou, ou sempre esteve quebrada e só me dei conta agora, por isso tenho desejado cada vez mais saber qual seria o caminho certo, ou menos tortuoso a seguir.
       
           Então, para 2014, desejo uma estrada tranquila para um lugar maravilhoso, um lugar que possa sentir como meu. Que seja colheta e novo semear, que seja farto sem desperdício e que se faça a sabedoria diante de tudo que já foi vivido, mas que não se perca em mim a descoberta do novo e a capacidade de sentir as sutilezas que a vida nos mostra.

          2013 foi um ano intenso, e repleto de antagonismos, aprendi muito e mesmo que titubiando em afirmar, tenho muito por agradecer. Que venha um novo ciclo e que na repetição da roda, façamos a diferença e sejamos renovados.

Ricardo Pereira,
Recife, 31 de dezembro de 2013, 18:03

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pensar de dois momentos

 Uma vontade de euforia me acomete, num rompante que não resulta, fica apenas o desejo, que não se faz e lateja como um eco que hora desaparece, rotina, sim rotina, é o que tem para hoje, uma segunda-feira, que mesmo sendo o segundo dia da semana, é onde tenho a sensação que tudo começa, mesmo que não tenha tido fim.
            
  Acordar, tomar banho, café, ligar o carro, pegar transito, ir ao trabalho, tudo igual, ou ao menos, tudo com uma sobra de semelhança com o ontem. Fazer valer a pena, extrair algo diferente da repetição, cíclica e temporal que é esse momento chamado de vida. Conhecer pessoas, sorrir, chorar, aprender, fazer nada, fazer tudo que for possível e que tenhamos coragem, pois nem sempre a vontade é suficiente, para continuar. Uma constante ressignificação, de tudo a minha volta, de tudo que escolhi como parte de mim, com suas extensões: pessoas, lugares, coisas.
              
  Penso que já aprendi a ficar comigo mesmo, penso que já consigo, mas não sei como estar certo sobre isso, e por esta ser uma quase certeza e não uma convicção, fico inseguro em assumir algumas escolhas, tenho um medo absoluto em errar, sim, errar é a coisa que mais me desmantela, e nesse medo de errar, me mantenho em lugares seguros, ao menos, os suponho como, me limito e por um tempo me nego o risco de tentar diferente, de desistir, de pular.
 
A boa e velha questão da escolha, da tão sonhada e improvável escolha certa.
 
Vejo erros que não corrijo, repito atos que não deveria, ando em círculos, mesmo que tente não andar. Perco minha razão, e como tudo é contraditório, acho que não sei viver, sinto que não sei viver, mas vivo, mesmo errado, sigo para onde penso que sei,  constato que nunca soube.
 
Perdido, sempre perdido, mesmo quando me engano acreditando que sei o que quero e para onde ir.  
Divago
Vago
Não chego
Me perco
De mim
             Da vida
             E na vida
                A um vazio que insiste em se repetir, uma dor por ausência, como a dor fantasma de um membro amputado, porém, não há membro, não há nada, apenas a falta.
Ricardo Pereira
Recife,  04/11/2013 e 18/12/2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Poema da Rinite


Respiração queima
Desordem
Pouco ar
Algum mar
Nenhum amar
Olhos ardem

Respirar?

Difícil, seco
Resfolego
Faltas de pulmões cheios
De compreensões intermitentes

Defesa desnecessária
Demasiada histamina
Que age por achar que há
Sem haver
Como quem especula sem saber
Machuca-se
Machuca-me

Respirar?

O ar que respiro
Também me sufoca
O que me dá vida
Também mata
Transito entre o que quero e o tenho

Respiro
Inspiro
Transpiro
Espirro
Vivo

Ricardo Pereira,
Recife, 16 de dezembro de 2013, 15:38